Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Desde o início do ano, o príncipe André já se terá oferecido, pelo menos três vezes, para testemunhar na investigação em torno do escândalo de abuso sexual de menores protagonizado por Jeffrey Epstein. Quem o diz são os advogados do filho de Isabel II, numa rara declaração pública para rebater as acusações de que o príncipe tem cooperado zero com as autoridades norte-americanas na resolução do caso.

A notícia é avançada pelo The Telegraph, que indica ainda que a equipa de advogados de André, também conhecido como Duque de York, acusa agora o procurador nova-iorquino encarregue do caso de desrespeitar as regras de confidencialidade do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Os advogados garantem que as autoridades só entraram em contacto com o príncipe em janeiro, embora o caso já esteja a ser investigado há 16 anos. Adicionalmente, estas requereram uma colaboração voluntária, já que André, atualmente com 60 anos, não seria um alvo da investigação.

As declarações públicas surgem um dia depois de procuradores federais do estado de Nova Iorque terem pedido, através do Governo britânico, para ouvir o príncipe André no âmbito da investigação e enquanto pessoa próxima do milionário Jeffrey Epstein, peça central numa rede de tráfico e abuso sexual de menores. Mais uma vez, o príncipe havia sido apontado por fechar a porta à colaboração com as autoridades norte-americanas.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Ao contrário de quando se ofereceu publicamente para cooperar com a investigação, uma oferta feita através de um comunicado à imprensa, agora o príncipe André fechou completamente a porta a uma colaboração voluntária”, indicou o procurador Geoffrey Berman à CNBC News. Na mesma notícia, pode ler-se que os investigadores federais tentam “há meses” falar com o Duque de York no âmbito do caso.

Jeffrey Epstein. O monstro que precisou de amigos famosos (e de muito dinheiro)

Feito ao abrigo da “assistência legal mútua” que existe entre os dois países, o pedido terá agora de ser avaliado pelas autoridades britânicas, que, de acordo com a imprensa do Reino Unido, enfrentam um “pesadelo diplomático” com a possibilidade de verem um membro da família real forçado a depor num tribunal britânico a respeito de um caso de abuso sexual.

Em novembro do ano passado, o príncipe André abandonou as suas funções públicas na sequência de uma entrevista polémica em que negou categoricamente qualquer envolvimento com Virginia Roberts Giuffre, que tinha 17 anos na altura do alegado envolvimento com o príncipe. Na altura, André assegurou que “simpatiza profundamente” com as vítimas de Epstein.