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O El Mundo escreve-o sem reticências ou meias palavras. O Rei emérito de Espanha, Juan Carlos de Bourbon, pai de Felipe VI, vai mesmo instalar-se em Portugal depois do Verão – “independentemente de que possa passar uns dias ou semanas (…) na República Dominicana ou na longínqua Abu Dhabi”. E para isso, assegura o jornal madrileno, conta com a ajuda de três figuras em Portugal: João Manuel Brito e Cunha, Lili Caneças e Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República rejeita, no entanto, qualquer envolvimento. “É um disparate.”

República Dominicana, Cascais, Azeitão? Rei emérito de Espanha “está onde ninguém o encontre” (e só cinco pessoas saberão do seu paradeiro)

O diário espanhol diz que são estas “as três pessoas chave que estão a preparar a aterragem em definitivo [de Juan Carlos em Portugal] depois do Verão”. E resume assim os protagonistas do que chama a “Operação Cascais”: “um velho amigo, uma mulher e o Presidente da Republica”.

A Operação Cascais tem as suas vantagens. Ao residir tão perto de Espanha, Juan Carlos I poderia apresentar-se em Madrid em apenas uma hora, caso os tribunais o convoquem para declarações. O seu advogado, Javier Sánchez-Junco, assim o tinha assegurado em comunicado, seguindo as suas ’instruções’: o Rey Emérito não foge da Justiça. Ainda que decida residir fora de Espanha, ‘permanece em qualquer circunstância à disposição para qualquer  trâmite ou ato que se considere oportuno”.

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O El Mundo cita fontes do município de Cascais que conhecem a Operação com o mesmo nome. Brito e Cunha, a socialite Lili Caneças e Marcelo Rebelo de Sousa, adiantam as fontes do jornal espanhol, estão a ajudar Juan Carlos a encontrar um local para residir na localidade portuguesa.

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No caso de Marcelo, o jornal refere um encontro “relâmpago” em Madrid, no Palácio da Zarzuela, para almoçar com o rei Felipe VI. Foi a 21 de julho. “O conteúdo dessa reunião não se ficou a conhecer. Os meios de comunicação portugueses falaram de uma ‘visita relâmpago’ e ‘sem comitiva’”, escreve o El Mundo. Mas, aos jornalistas, este domingo, Marcelo garante que os dois chefes de Estado falaram de “tudo menos disso”.

“Não é preciso ser muito clarividente para perceber que sua majestade, o último tema que falaria com o Presidente da República português era esse e o último tema que eu levantaria era esse. Falámos da Europa, depois daquela madrugada de decisões fundamentais, da posição portuguesa e espanhola, das estratégicas económicas conjuntas, da próxima cimeira. Isso faz sentido falar. O resto não faz sentido falar nem eu falar, nem o rei Felipe falar”, disse. Já antes, a 01 de julho, Marcelo e Felipe VI tinham estado juntos, na cerimónia de reabertura das fronteiras terrestres, em Elvas.

Envolvimento de Marcelo? “É um disparate”, diz Presidente da República

Segundo o jornal Público, citado pelo El Mundo, no passado sábado (18 de julho) – “uma data situada entre os dois encontros” de Marcelo com Felipe VI – o Rei Emérito viajou para Portugal. Esta semana, Marcelo disse que não sabia nada sobre uma eventual presença de Juan Carlos em Portugal. Este domingo, voltou a dizer que não sabe onde está o rei emérito, “nem quer saber” e que as notícias do seu envolvimento são “um disparate”.

O Presidente da República tem um papel chave tal como o Governo, na nossa diplomacia nas relações entre estados, no respeito da soberania do estado espanhol, no relacionamento com o chefe de Estado espanhol. Tudo o que fosse envolver-se nisso, qualquer pessoa sensata e inteligente perceberia que era um disparate. É um disparate”, disse aos jornalistas, em Silves, no Algarve.

Marcelo diz que mantém “o desconhecimento” sobre o paradeiro de Juan Carlos. “E nem devo saber, nem quero saber”, adiantou ainda. Até porque “isso seria criar problema nas relações entre os dois estados e o Presidente da República existe para resolver problemas, não para criar”.

O El Mundo contactou uma cidadã espanhola que garantiu ter visto o Rei Emérito Hotel Palácio do Estoril, em Cascais, ao final da tarde de terça-feira, “a tomar um copo com amigos que não conseguiu identificar”.

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Permanece assim o mistério. Juan Carlos está na República Dominicana, na casa do seu amigo Pepe Fanjul? No Abu Dhabi? Ou em Portugal, à procura de casa em Cascais? A imprensa espanhola já noticiou as três e há até uma fotografia que pode provar que ele esteve em Abu Dhabi, mas as respostas definitivas poderão não estar para breve.

Na imagem publicada pelo jornal espanhol Nius Diario vê-se Juan Carlos a chegar ao aeroporto da capital dos Emirados Árabes Unidos que terá sido captada na última segunda-feira. Mesmo que seja verdade, não invalida que Juan Carlos esteja à procura de uma casa em Portugal.