O uso de máscara não interfere com a prática desportiva, nomeadamente não afeta a oxigenação do sangue ou músculos, nem o desempenho do praticante, defende uma equipa da Universidade de Saskatchewan (Canadá). O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health.

A equipa de investigadores colocou sete homens e sete mulheres jovens, saudáveis e que praticam desporto regularmente, em cima de bicicletas fixas num ginásio e impôs um exercício físico intenso. Analisando a oxigenação do sangue e dos músculos, o máximo da intensidade durante o exercício e o tempo de exaustão (quando o praticante teve de interromper o exercício), os investigadores não encontraram diferenças significativas entre o uso de máscara cirúrgica, máscara comunitária (de tecido com três camadas) ou sem máscara. Um nota importante, cada um dos ensaios (com cada uma das máscaras ou sem) foi feito com um intervalo de pelo menos 48 horas.

Estudos anteriores tinham mostrado perda de rendimento, mas os investigadores argumentam que isso se devia ao facto de os praticantes terem equipamentos no nariz ou em frente da boca para medir a respiração e que isso sim causava as dificuldades respiratórias. Num outro estudo, usando uma passadeira inclinada para simular a subida de uma montanha, os participantes com máscara reportaram mais esforço e um ligeiro aumento da frequência cardíaca, mas o desempenho não foi avaliado. A equipa da Universidade de Saskatchewan argumenta que as diferenças podem estar relacionadas com diferenças no tipo de teste ou na condição física dos participantes.

A preocupação da equipa canadiana, sobretudo quando o exercício físico dentro de portas, está relacionado com o facto de o exercício físico vigoroso e a respiração mais forte fazer com que sejam expelidas mais gotículas (veículos de transmissão do SARS-CoV-2) e que estas percorram distâncias superiores a dois metros (a distância considerada de segurança). O uso de máscara em ginásios e espaços fechados onde pratica exercício físico podem, assim, diminuir o risco de transmissão do vírus.

Com o estudo agora publicado, os investigadores dizem que também fica demonstrado que o uso de máscara não faz com que as pessoas respirem o dióxido de carbono que acabaram de expirar, nem que a inalação de oxigénio fique comprometida. Se assim fosse, era possível identificar as diferenças nos níveis de saturação de oxigénio na hemoglobina (que transporta o oxigénio e dióxido de carbono no sangue).

Fact Check. Uso de máscara provoca falta de oxigénio?