[Artigo em atualização]

O democrata Raphael Warnock foi eleito para um dos dois lugares no Senado dos Estados Unidos pelo Estado da Georgia, batendo o republicano Kelly Loeffler, um resultado que é fulcral para o futuro da governação de Joe Biden, de acordo com dados preliminares avançados pela imprensa norte-americana. Warnock torna-se assim no primeiro senador negro na história daquele estado conservador.

O futuro da governação de Joe Biden está nas mãos dos eleitores do estado da Georgia, que terminou a votação para dois lugares fulcrais no Senado na terça-feira. Ao Presidente eleito interessará esperar que os democratas vençam os dois cargos em causa, o que transformará o Senado numa câmara a seu favor. Pelo contrário, aos republicanos bastará vencer uma das duas corridas para manter a atual maioria republicana. Na manhã desta quarta-feira, continuava a contagem de votos e um dos lugares já foi assegurado pelos democratas. A segunda corrida, que opõe o democrata Jon Ossoff ao republicano David Perdue, continua ainda sem resultados.

As urnas fecharam todas até às 19h30 locais (00h30 de Lisboa), altura em que não foi possível às projeções determinarem um vencedor de conclusiva.

À medida que se contavam os primeiros votos, os democratas surgiam à frente nas duas corridas — uma vantagem expectável, uma vez que os primeiros votos a serem contados são aqueles que foram depositados antecipadamente ou por correspondência, ambas modalidades de voto praticadas maioritariamente pelo eleitorado democrata. Mais à frente, a liderança dos democratas encurtou-se nas duas corridas, sem que, no entanto, os republicanos alguma vez conseguissem uma reviravolta.

Às 07h15 de Lisboa, com 91% dos votos contados em ambas as corridas, os resultados eram estes:

  • Raphael Warnock (Democrata) – 50,46%; Kelly Loeffler (Republicana) – 49,54%
  • John Ossoff (Democrata) – 50,04%; David Perdue (Republicano) – 49,96%

Estas eleições acontecem esta terça-feira depois de, a 3 de novembro, nenhum candidato ter chegado aos 50% de votos obrigatórios para vencer um lugar no Senado em representação daquele estado sulista. Desde então, a Georgia tornou-se num dos centros da política norte-americana — primeiro por ter sido um dos estados fulcrais para a vitória de Joe Biden; e agora por ter as chaves para a próxima maioria no Senado.

O Senado conta atualmente com uma maioria de 51 republicanos, contra 46 democratas e dois independentes que alinham mais à esquerda (um é Bernie Sanders, o outro é Angus King, do Maine). Sobra ainda um lugar vago, precisamente relativo à Geórgia.

Neste cenário, se os democratas vencerem as duas corridas em causa naquele estado sulista, passará a haver 50 republicanos frente a 48 democratas e dois independentes próximos do Partido Democrata — no fundo, o equilíbrio de 50 contra 50. Neste caso, como acontece sempre que há um empate no Senado, seria chamada a votar a vice-Presidente eleita, Kamala Harris, o que levaria invariavelmente a uma decisão favorável à futura administração.

Até esta terça-feira, as sondagens têm vindo a dar uma vantagem a ambos os democratas — mas sempre dentro da margem de erro.

Na disputa entre o senador republicano David Perdue (que procura ser reeleito) e o seu adversário democrata Jon Ossoff, este último aparece com 1,7 pontos percentuais de vantagem, de acordo com a média do FiveThirtyEight, mas apenas com 0,5 de acordo com os cálculos do RealClear Politics.

Entre a senadora republicana Kelly Loeffler (também em busca da reeleição) e o democrata Raphael Warnock, o FiveThirtyEight aponta para uma vantagem deste último com 2,2 pontos percentuais, ao passo que o RealClearPolitics reduz essa margem para 0,5.

Para que serve o Senado? Às vezes, para garantir que um Presidente não é um adolescente desgovernado