O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga esta sexta-feira a variação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, marcado pelo desconfinamento face às medidas mais restritivas tomadas no primeiro, devido à pandemia.

Nos primeiros três meses do ano, verificou-se uma quebra de 5,4% da economia nacional face ao mesmo período de 2020, refletindo os efeitos do confinamento geral, e o recuo de 3,3% em cadeia. Segundo o INE, o PIB, em termos reais, registou uma variação homóloga de -5,4% no primeiro trimestre, depois de uma queda de -6,1% no trimestre anterior, “refletindo os efeitos do confinamento geral no início deste ano devido ao agravamento da pandemia”.

Quanto ao segundo trimestre, os analistas ouvidos pela Lusa esperam uma subida da variação do PIB, mas lembram que a comparação será feita face aos piores períodos da pandemia em Portugal.

“A leitura do segundo trimestre de 2021 acaba por comparar, quer em termos homólogos [mesmo período do ano passado], quer em cadeia [trimestre anterior], com os piores momentos da pandemia em Portugal, que foram o impacto inicial e aquela grande deterioração que sucedeu logo a seguir ao Natal, e que atingiu quase todo o primeiro trimestre do ano”, disse Filipe Garcia, da IMF – Informação de Mercados Financeiros.

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Os números do PIB do segundo trimestre “de certeza que virão muito fortes”, antecipa Filipe Garcia, advertindo, no entanto, que “há que ter muito cuidado com estes números para não se embandeirar em arco e pensar que querem dizer uma coisa muito boa, porque de facto não querem”. Também Pedro Amorim, da corretora Infinox (que prevê um crescimento de 17,5% em termos homólogos e 3,4% em cadeia), refere que a esperada evolução homóloga “é influenciada por um efeito base, uma vez que existe a comparação sobre um trimestre bastante afetado pela pandemia”.

Já Henrique Tomé, da corretora XTB, também salienta que o crescimento homólogo “deverá revelar-se maior, uma vez que o ano passado foi algo atípico e a economia esteve praticamente paralisada durante a primeira metade do ano”, estimando ainda um crescimento em cadeia superior a 5%. Em estimativas divulgadas no início do mês, o ISEG apontou para que a economia portuguesa tenha crescido entre os 15% e 16% no segundo trimestre em termos homólogos, correspondendo a um aumento de 4,6% a 5,5% face ao primeiro trimestre.

Já a Universidade Católica estimou que o PIB português terá crescido no segundo trimestre 5% em cadeia e 15,5% face ao mesmo período de 2020. O ministro de Estado e das Finanças, João Leão, aponta para um crescimento da economia portuguesa superior a 4% para este ano, acima do previsto no Programa de Estabilidade (4%). O Conselho das Finanças Públicas (CFP) aponta para um crescimento de 3,3%, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) espera 3,7%, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia 3,9% e o Banco de Portugal 4,8%.