A China, o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa, formalizou esta quinta-feira junto da ONU as novas metas climáticas do país, a três dias do arranque da cimeira COP26, encarada como crucial para combater o aquecimento global.

Pequim comprometeu-se, nas contribuições nacionalmente determinadas (NDC) revistas, a atingir o seu pico de emissões (e iniciar uma curva descendente) “antes de 2030” e a neutralidade carbónica “antes de 2060”, objetivos em linha com os anúncios realizados este mês pelo Presidente chinês, Xi Jinping, segundo anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Estes novos compromissos, publicados na página na Internet da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), também preveem uma redução da intensidade carbónica da economia chinesa (rácio entre a emissão de gases com efeito de estufa e o Produto Interno Bruto – PIB) em mais de 65% em relação a 2005.

O anterior NDC da China comprometia-se em reduzir a intensidade carbónica entre 60% e 65% até 2030 e atingir o pico das emissões “por volta de 2030”.

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No novo documento, Pequim lembra que os países desenvolvidos devem “assumir as suas responsabilidades históricas” e “continuar a assumir a liderança na redução das emissões”.

A Conferência sobre as Alterações Climáticas – COP26, que arranca já no próximo dia 31 de outubro (domingo) em Glasgow, Escócia (Reino Unido), decorre cinco anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Os países signatários do protocolo internacional devem apresentar, a cada cinco anos, um NDC revisto.

As novas metas climáticas da China, responsável por mais de um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa, eram muito aguardadas antes do arranque do encontro, que não contará com a presença física de Xi Jinping.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de Covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 graus celsius.