O antigo líder do grupo de extrema-direita Proud Boys Enrique Tarrio foi esta terça-feira condenado a uma pena de prisão de 22 anos por um juiz federal dos Estados Unidos pelo seu papel no planeamento da invasão do Capitólio, organizada por apoiantes do ex-Presidente Donald Trump depois da sua derrota frente a Joe Biden nas eleições de 2020.

Enrique Tarrio não se encontrava em Washington na altura da invasão, uma vez que um juiz tinha determinado a sua saída da cidade por ter incendiado um bandeira do movimento “Black Lives Matter” pendurada numa igreja. No entanto, segundo os procuradores, ajudou a dirigir a invasão de 6 de janeiro de 2020 a partir da cidade de Baltimore.

Durante a leitura da sentença, o juiz federal Timothy Kelly definiu Enrique Tarrio como “o líder máximo” da conspiração sediciosa”, “a pessoa com a última palavra” que organizou o ataque “por zelo revolucionário”. Além disso, referiu não ter visto sinais de arrependimento do arguido e que considera existir uma “forte necessidade” de, no julgamento deste caso, enviar um sinal a outras pessoas: “Isto não pode voltar a acontecer”.

Os procuradores apelaram que fosse determinada uma pena de 33 anos prisão. Apesar de os juízes terem decidido uma pena mais curta, os 22 anos de prisão para Tarrio passaram a ser a maior condenação relacionada com o ataque ao Capitólio até agora, depois de na semana passada Ethan Nordean, um outro líder dos Proud Boys, ter sido condenado a 18 anos de prisão. Aliás, Kelly explicou que não correspondeu ao pedido dos procuradores por considerar que Tarrio não pretendia matar ninguém com o seu plano.

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Durante a sessão desta terça-feira, antes da leitura da sentença, o procurador Conor Mulroe afirmou, citado pela CNN, que as ações dos Proud Boys “foram absolutamente fundamentais” no decorrer da invasão. Disse também que o grupo de extrema-direita seguiu diretamente o planeamento de Enrique Tarrio, que descreveu como alguém com uma “capacidade tóxica para controlar os outros” e que procurava aumentar a fama e estatuto “ao atiçar a chama da violência física e política”.

Mais de mil pessoas foram detidas por acusações relacionadas com a invasão do Capitólio, que sofreu danos avaliados em milhões de dólares. Segundo a Reuters, dessas, 630 declararam-se culpadas e pelo menos 110 já foram condenadas.

Também o ex-Presidente norte-americano Donald Trump está a ser acusado de tentar reverter os resultados das eleições presidenciais norte-americanas, que culminaram na invasão do Capitólio. O início do julgamento do antigo governante está marcada para o dia 4 de março de 2024, uma data que afeta, e muito, a campanha e o calendário do também candidato às presidenciais desse ano.

Donald Trump fica a conhecer data do julgamento em Washington: 4 de março de 2024