Carla Castro, atual deputada da Iniciativa Liberal e ex-candidata à liderança do partido, não vai nas listas de candidatos à Assembleia da República. A liberal recusou o lugar que lhe foi oferecido, a sétima posição com possibilidade de chegar à quinta, depois de em 2022 ter seguido em segundo lugar, logo depois de João Cotrim Figueiredo. “Fecha-se agora um ciclo”, afirmou a liberal em comunicado, garantindo que continuará a ser liberal e “praticante do desassossego construtivo”.

Em comunicado, a Iniciativa Liberal confirma que Carla Castro não segue nas listas que terão de ser aprovadas em Conselho Nacional. O partido explica que “num primeiro momento” a resposta de Carla Castro foi “afirmativa” quando contactada com o “objetivo de averiguar o seu interesse em integrar as listas” e que, mais tarde, foi informada pela Comissão Executiva, “após consulta das recomendações dos núcleos locais do distrito de Lisboa e reflexão, [que] teria disponibilidade para a integrar na lista de Lisboa num lugar elegível entre o 5.º e o 7.º lugares”. Em 2022, a IL elegeu quatro deputados por Lisboa e os lugares elegíveis têm habitualmente por referência os resultados das últimas eleições, pelo que nenhum dos lugares oferecidos a Carla Castro é considerado elegível.

[Já saiu: pode ouvir aqui o sexto e último episódio da série em podcast “O Encantador de Ricos”, que conta a história de Pedro Caldeira e de como o maior corretor da Bolsa portuguesa seduziu a alta sociedade. Pode sempre ouvir aqui o quinto episódio e aqui o quarto, o terceiro aqui, o segundo aqui e o primeiro aqui]

Na rede social X (antigo Twitter), Carla Castro partilhou a declaração que enviou ao Conselho Nacional da IL para dar conta da decisão de “não aceitar o convite” após ter demonstrado disponibilidade para se manter nas listas à Assembleia da República. A deputada confirmou que recebeu o convite do vice-presidente Ricardo Pais de Oliveira e explicou que o mesmo assentou na ideia de “ocupar o sétimo lugar, ‘eventualmente quinto ou sexto'”. “Decidi não aceitar o convite“, apontou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Carla Castro disse ter exercido com “enorme honra” a função de deputada e fez questão de sublinhar que acredita numa “política resolutiva, orientada à ação”. e numa política baseada em princípios sólidos, com metas definidas, com uma perspetiva de serviço público e comprometida com a construção de um Portugal mais liberal.”

“Acredito na relação da política com a sociedade civil, não de uma forma desconectada e em bolha, mas trabalhando de forma agregadora e orientada às pessoas, a quem os deputados representam. Acredito que as mensagens políticas devem ter profundidade e serem mais que slogans ou soundbites. Acredito que a mensagem política não pode estar assente numa exibição de virtude”, reforçou a liberal.

Carla Castro destacou a necessidade de “saber falar com quem pensa diferente” e “com quem tem outras certezas e quer igualmente fazer a diferença”. “O discurso político agudizou-se e é preciso dentro e fora dos partidos e num espaço moderado, chegar a consensos e abrir pontes. A par de determinação e reformismo, defendo uma cultura de colaboração em detrimento de uma cultura de contestação”, acrescentou.

Recordando o percurso na política desde que entrou na IL, desde que estava no gabinete de João Cotrim Figueiredo até chegar a deputada, passando pela responsabilidade no gabinete de estudos do partido. Fugindo da ideia de “fazer balanço”, Carla Castro garantiu que “valeu a pena”. “Sou e continuarei a ser liberal, reformista e praticante do desassossego construtivo. Continuo economista, gestora, e eu própria. Fecha-se agora um ciclo, indo nos próximos tempos reequacionar o meu papel na vida política ativa”, escreveu, deixando em aberto o que fará no futuro.

Em comunicado, a Iniciativa Liberal esclareceu que a deputada Carla Castro foi contactada “num primeiro momento com o objetivo de averiguar o seu interesse em integrar as listas”, em que “a resposta foi afirmativa”, e que mais tarde lhe foi oferecido “um lugar elegível entre o 5.º e o 7.º lugares, a fechar em reunião de Comissão Executiva”. “Carla Castro informou que recusava o convite. Desta forma, a lista por Lisboa aprovada pela Comissão Executiva que seguirá para votação do Conselho Nacional não integra o seu nome”, pode ler-se na mesma nota.

A deputada liberal Carla Castro foi candidata à liderança da IL e perdeu para Rui Rocha, tendo conseguido 44% contra 51% do atual presidente do partido. Quatro meses após esse momento, Carla Castro abandonou a vice-presidência da bancada parlamentar dos liberais por considerar que os “cargos devem ter efetivo exercício dos mesmos” e que não estava a acontecer.