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Já a noite caiu e a neblina instalou-se quando chegamos à Adega Cooperativa de Cantanhede, na Bairrada. É das cooperativas mais antigas no país e um caso de sucesso: numa terra marcada pelos minifúndios, soma uvas de cerca de 550 associados. Não é à toa que representa 40% da produção de vinho na Bairrada que, não sendo o berço, é local de cultivo e de sucessiva admiração pela casta Baga. “Versátil”, “longeva” e “identitária” são as características mais repetidas em dias de congresso feito para discutir as potencialidades da uva e da região que, aproveitando a boleia da primeira, quer chegar ainda mais longe.

Os degraus gastos pelo uso e pelo tempo levam-nos às caves da sexagenária Adega Cooperativa de Cantanhede. O frio gela os ossos, deixa os pés rígidos e colados ao chão, que se movem com dificuldade, comandados por um cérebro ansioso por ver o cenário típico por estas andanças: milhares de garrafas empilhadas umas em cima das outras, debaixo de tetos arqueados e iluminadas por focos de luz arroxeada. Este ano, dizem-nos, a adega vai bater o recorde de vendas e alcançar os 35% de exportação (os principais mercados são a Rússia, o Canadá, a França, a China e o Brasil). “Em 2019 entrámos na grande distribuição no mercado francês. Foi a Baga que nos trouxe aqui”, diz Maria Miguel aos visitantes. A uva que terá nascido no Dão é tão acarinhada na Bairrada que, assegura a responsável pela exportação da cooperativa, da Baga fazem tudo quanto possível, incluindo os famosos espumantes (todos produzidos pelo método clássico) e os experimentais fortificados.

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