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Tancos. Jerónimo de Sousa diz que "não tinha lógica" reunir a comissão permanente esta semana

O caso Tancos não sai da campanha e a "geringonça" voltou a encontrar consenso numa matéria. A reunião da comissão permanente foi adiada uma semana.

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Artigo em atualização ao longo do dia

Tancos não é um assunto fora da campanha “por vontade de alguns”, mas também Jerónimo de Sousa voltou a falar disso na primeira verdadeira arruada em duas semanas de campanha. A “geringonça” voltou a funcionar — ainda que para uma decisão breve — e Bloco de Esquerda, Partido Socialista e CDU decidiram que a reunião da comissão permanente não se realizaria esta semana. Jerónimo diz que seria uma coisa sem “grande jeito” e que pode “perfeitamente” ficar para depois.

“Creio que por bom senso e pela lógica, a dois dias do final da campanha, não tinha grande jeito, convocar para esta semana quando pode perfeitamente ser para a outra”, disse Jerónimo durante a descida da rua 1.º de maio na Baixa da Banheira. Apesar da “importância do acontecimento”, notou o secretário-geral do PCP, a campanha “não se irá desviar” neste arranque para o final “com maior dinamismo”.

Modo 2015 ativado: “Trabalhadores contam connosco”

Depois de uma semana intensiva nos ataques ao PS, a CDU volta a marcar a sua posição ao lado dos trabalhadores dando alguma folga aos socialistas. Não deixa de colar o partido à direita, mas começa agora a falar aos ouvidos de quem trabalha. Depois de, na noite de terça-feira, se ter recordado o 49º aniversário da CGTP, esta quarta-feira o secretário-geral da central sindical, Arménio Carlos, juntou-se à caravana comunista para uma mesa redonda com trabalhadores por turnos. É mais um regresso da comitiva a Almada, com o dia todo a rolar no distrito de Setúbal, que nas últimas três rondas de eleições legislativas — desde 2009 — consegue sentar no parlamento quatro deputados pelo distrito.

Jerónimo de Sousa já disse que os últimos quatro anos de “geringonça” permitiram afastar alguns “preconceitos contra o comunismo”, mas parece agora apostado em fazer lembrar que o partido continua igual a si mesmo, sem “contaminações” depois de quatro anos de “geringonça”. Continua fiel aos trabalhadores e ao seu lado para combater, principalmente, as alterações à lei laboral que o PS fez aprovar com a abstenção de CDS e PSD.

De manhã, Jerónimo, ouviu — mais uma vez — os problemas de quem trabalha por turnos. Da saúde debilitada ao desajuste total de horários “em relação às pessoas que têm uma vida normal”, as intervenções de quem ocupava as cadeiras do público foram previamente estudadas e afinadas. Antes que Arménio Carlos subisse ao púlpito, três dirigentes sindicalistas expuseram as dificuldades que os funcionários das empresas com laboração contínua passam. Houve lamentos de uma mãe que sente a saúde mental debilitar-se com a exigência dos turnos, pedidos de acompanhamento médico gratuito de seis em seis meses e quem contasse a história de um colega de trabalho que morreu subitamente no comboio a caminho de casa, depois de um turno exigente.

E Jerónimo aproveitou o momento para esclarecer que o reforço da CDU não é por “mais um ou outro deputado”. “Não se trata de mais um ou menos um deputado, mas de reforçar uma força que pode determinar os avanços nos próximos quatro anos dos direitos dos trabalhadores”, afirmou, assegurando ainda que os eleitores podiam contar com “a disposição do partido na Assembleia da República” para lutar pelos avanços no reconhecimento “do direito do trabalho e dos trabalhadores como direito fundamental”.

“Avançar é preciso” não é circunstância, é reflexo da avaliação da “geringonça”, diz Jerónimo

E estar em Setúbal obriga a uma visita ao Seixal “para mais um reencontro”, nas palavras do secretário-geral do PCP. Desta vez a caravana foi recebida no refeitório dos serviços operacionais do município. Os decibéis mantiveram-se bem altos, as paredes estão decoradas com quadros do MFA e fotografias de manifestações de trabalhadores.

O refeitório dos serviços operacionais da Câmara Municipal do Seixal encheu-se para ouvir o secretário-geral do PCP

Jerónimo de Sousa diz que o mote desta campanha “não é uma frase de circunstância”, mas uma que resulta da “avaliação da nova fase da política nacional”, dos quatro anos, “do que foi votado, aprovado e rejeitado”.

E ainda que possa colher alguns lucros dos últimos anos de governação junto dos que tinham maior resistência ao comunismo, a CDU está empenhada também em não perder os votos dos que mais torcem o nariz ao apoio que o partido deu ao PS. Jerónimo está agora a regressar ao discurso que utilizou na campanha de 2015, quando lembrava aos eleitores quem é que “lutava” contra as agressões da troika.

“Os trabalhadores conhecem bem com quem podem contar, quem sem descanso interveio quando se tratou de resistir ao assalto que PSD e CDS promoveram para lhes roubar salários, para os obrigar a trabalhar mais tempo a congelar direitos”, disse o secretário-geral do PCP para acrescentar que “já se anda a anunciar uma crise”, que pode ser real ou fictícia, “mas que sejam os trabalhadores a pagar”.

E, num tom mais agressivo que no restante discurso, Jerónimo deixou mesmo um aviso claro para quem ainda possa ter algumas dúvidas: “Sem a CDU isto não avançará, a luta que vão ter que travar vai ser muito mais difícil”.

Jerónimo de Sousa desceu a rua acompanhado pelos candidatos Francisco Lopes, Bruno Dias, Paula Santos, Margarida Botelho e José Luís Ferreira.

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Jerónimo saiu à rua: 450 metros em 20 minutos na rua 1.º de maio

Se Jerónimo de Sousa tem carregado a agenda de intervenções de referências aos trabalhadores e aos direitos laborais, não podia ter sido mais apropriado que a primeira arruada da CDU tenha sido ao longo da rua 1.º de maio, neste caso na Baixa da Banheira. Até esse pormenor ajuda a passar a mensagem na luta contra as alterações à lei do trabalho.

Ao estilo pontual britânico, como foi habituando a coligação, às 17h30 o secretário-geral surge no topo da rua onde algumas centenas de pessoas o esperavam. Muitas camisolas do Benfica, afinal há jogo dentro de umas horas e já está tudo preparado. Ninguém diz que política e futebol são incompatíveis. Também Jerónimo de Sousa vai assistir ao jogo antes do comício da noite, que será em Setúbal, mas não trocou a tradicional camisa branca pela do Benfica para descer a rua.

Quem está muito ansiosa pela chegada do secretário-geral é Ermelinda Vitorino “da família dos Vitorinos toda comunista”, diz o marido prontamente. Ermelinda tem 89 anos e apoia-se no seu braço para conseguir cumprimentar Jerónimo à chegada, mas a baixa estrutura e a fragilidade que já revela não são suficientes para chegar perto do secretário-geral do PCP.

Rapidamente engolido pelas pessoas que o esperavam e gritavam pela coligação, Jerónimo, que se manteve sempre muito sorridente ao longo da arruada, vai distribuindo abraços, beijinhos e apertos de mão, sempre com as duas mãos: forma uma concha com as mãos da outra pessoa no meio. “Transmite confiança”, dizem, e confiança é coisa que não faltou a Jerónimo durante os cerca de 20 minutos que durou a descida da rua. Retribuiu aplausos e acompanhou o coro de “CDU! CDU! CDU!”, fintou a segurança para chegar aos que assistiam à arruada à entrada das lojas e cafés, ora de um lado, ora do outro.

Pelo caminho um eleitor ainda indeciso, questionou Jerónimo sobre a solução de aeroporto no Montijo e sobre a ligação rodoviária a partir de Sines. Foi desafiado a aguardar pelo comício no final da arruada e lá chegaram as respostas, ou parte delas: a CDU não concorda com a solução encontrada para o novo aeroporto. Foi o cabeça-de-lista por Setúbal, Francisco Lopes, quem esclareceu antes mesmo da intervenção do secretário-geral do PCP.

Mas Jerónimo tinha um recado com novidade para dar “à prata da casa”: é preciso votar na CDU para que “não voltem as maiorias” e, Jerónimo está atento às sondagens que têm notado o crescimento do PSD. Pela primeira vez, além da “maioria do PS” no discurso surge também a “recuperação da maioria de PSD e CDS” que a CDU quer evitar.

Ermelinda desceu rua abaixo sem nunca conseguir chegar perto de Jerónimo, serpenteou quem assistia aos discursos e quando estava muito perto, um dos seguranças pediu-lhe que aguardasse pelo final para cumprimentar Jerónimo. Assim fez. Está “proibida pelos médicos de sair de casa”, há dois dias passou a noite no hospital, mas quis “mostrar que a força de vontade e a força da CDU valem tudo”. Conseguiu cumprimentar o secretário-geral do seu partido, e depois seguiu rua acima, novamente apoiada no marido.

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