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AFP via Getty Images

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Na segunda noite a família de Trump uniu-se para honrar o patriarca (e para atirar contra os media) /premium

Além de Donald Trump, na segunda noite da convenção republicana falou a mulher, Melania Trump, e dois filhos. Cada um à sua maneira seguiu as pisadas do patriarca — com especial atenção para os media.

Alto e loiro, do alto dos seus mais de 1,90m, fala num volume elevado sem que isso lhe pareça causar qualquer tipo de desconforto — fruto do hábito, certamente. Há quatro anos já tinha sido assim: subiu ao palco da Convenção do Partido Republicano e fez um discurso repleto de expressões superlativas, sempre acopladas a uma escolha entre aquilo que é retratado como o caos de uma governação do Partido Democrata ou a possibilidade de ter na Casa Branca um “movimento” que olha “pelos homens e mulheres esquecidos” dos EUA. Recordou a vitória improvável de há quatro anos, criticou a postura de então e também atual dos mainstream media, e enalteceu o crescimento económico dos EUA antes da pandemia. “A economia voou até uma nova altura”, disse. “Uma altura nunca antes vista.”

No fundo, Trump falou à Trump. Mas não é de Donald Trump que estamos a falar.

Trata-se, isso sim, de Eric Trump, terceiro filho mais velho do Presidente dos EUA, que foi uma de três pessoas com aquele apelido a falar nesta que foi a segunda noite da Convenção do Partido Republicano — antes dele ainda falou a sua meia-irmã, Tiffany Trump, quarta filha mais velha do Presidente; e no final da noite falou a primeira-dama, Melania Trump. Isto depois de na primeira noite já ter discursado o seu filho mais velho, Donald Trump Jr. E na terceira noite, esta quarta-feira, falará ainda a nora do Presidente e mulher de Eric, Lara Trump, que é conselheira da campanha do sogro. A fechar, além do próprio Donald Trump, o último dia da convenção terá ainda o discurso da sua filha mais velha do Presidente e sua conselheira na Casa Branca, Ivanka Trump.

Donald Trump Is Sworn In As 45th President Of The United States

Além dos tradicionais discursos de Donald Trump e da primeira-dama Melania Trump, esta convenção republicana conta com a participação de outros cinco membros da família Trump

Alex Wong/Getty Images

Este alinhamento, que em nada surpreende quem quer que tenha estado minimamente atento à Casa Branca desde que Donald Trump recebeu as chaves das mãos de Barack Obama e concentrou nela vários membros da sua família (o marido de Ivanka Trump, Jared Kushner, é um dos mais importantes conselheiros do Presidente), é um sinal de uma verdade mais ampla dentro do Partido Republicano: em menos de quatro anos, Donald Trump tomou o controlo do partido. E a forma de manter esse controlo tem sido o de delegar funções e posições a um círculo restrito de fiéis onde cabe apenas a própria família e a sua administração — uma espécie de família alargada, sobretudo nos raros casos daqueles que se mantêm ali desde o dia 1.

Comparativamente com a Convenção do Partido Democrata, onde falaram três ex-Presidentes e um ex-candidato à presidência, Donald Trump não conta com nenhuma figura desse teor na convenção que espera levá-lo à reeleição. Já em 2016 tinha sido assim, com os dois ex-Presidentes republicanos à altura vivos (George H. W. Bush e George W. Bush) a faltarem à cerimónia, tal como os ex-candidatos John McCain e Mitt Romney. A exceção foi Bob Dole, candidato republicano derrotado em 1996. Quatro anos depois (que trouxeram consigo as mortes de George H. W. Bush e John McCain), nenhum daqueles nomes estará presente na convenção. Até agora, não foram mencionados — e nem se espera que o venham a ser.

"Ao polícia que foi atacado, traído e cujo emprego eles estão a tentar exinguir: o meu pai vai lugar por si. A todas as casas de oração, a todas as pessoas de fé, a quem lhes foi retirada da liberdade religiosa: o meu pai vai lutar por vocês. Aos que não têm voz, que foram humilhados, censurados ou cancelados: o meu pai vai lutar por vocês."
Eric Trump, filho de Donald Trump

Em alternativa, depois de uma primeira parte da Convenção do Partido Republicano que seguiu à risca as regras para um bom anúncio de televendas, Donald Trump voltou a estar no centro das atenções desta segunda de quatro noites.

“Ao polícia que foi atacado, traído e cujo emprego eles estão a tentar extinguir: o meu pai vai lutar por si. A todas as casas de oração, a todas as pessoas de fé, a quem lhes foi retirada a liberdade religiosa: o meu pai vai lutar por vocês. Aos que não têm voz, que foram humilhados, censurados ou cancelados: o meu pai vai lutar por vocês. Aos nossos agricultores que trabalham de sol a sol para termos o nosso prato cheio: o meu pai vai lutar por vocês. A cada pai ou mãe solteiros, aos nossos veteranos, aos nossos mineiros, ao trabalhador americano, digo isto: o meu pai vai lutar por vocês”, disse Eric Trump. “E a cada americano orgulhoso, que sangra vermelho, branco e azul: o meu pai vai continuar a lutar por si.”

Também Tiffany Trump, pensando na atual crise económica e financeira provocada pela pandemia, deixou uma promessa em nome do pai: “O meu pai construiu uma economia uma vez e, acreditem em mim, ele fá-lo-á outra vez”.

[Veja aqui o discurso de Melania Trump]

Mas a defesa mais longa do mandato de Donald Trump partiu da primeira-dama, Melania Trump. E foi feito na Casa Branca, diante de um pódio assente no Rose Garden (recentemente renovado a seu gosto para esta ocasião), em frente ao qual se sentavam entre 50 a 100 convidados onde se encontravam várias caras conhecidas desta administração. Diante deles, Melania Trump fez um discurso à Trump em conteúdo — mas num tom calmo e contido, como é a norma nas poucas vezes em que fala em público.

“Sei que falo pelo meu marido e pela família inteira quando digo que não nos esquecemos das pessoas incríveis que se dispuseram a dar uma oportunidade ao homem de negócios que nunca tinha trabalhado em política”, disse. “Sabemos que foram vocês que o elegeram para ser o nosso comandante-em-chefe e sabemos que serão vocês a apoiar-nos uma vez mais.”

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Melania Trump falou diretamente do Rose Garden, na Casa Branca, para uma audiência de 50 a 100 pessoas, composta sobretudo por pessoas que fazem parte da administração de Donald Trump

AFP via Getty Images

Mas, além de apelar à base eleitoral de Donald Trump, a primeira-dama ensaiou também no seu discurso um apelo à união entre todos os cidadãos dos EUA.

“Temos de nos lembrar que fazemos todos parte da mesma comunidade, que é composta de várias raças, religiões e etnias. A nossa história de diversidade é o que continua a fazer o nosso país forte”, disse. “Ainda assim, temos tanto para aprender uns com os outros. E tendo isso em conta quero apelar aos cidadãos deste país para tirarem um momento, fazerem uma pausa, e olharem para as coisas desde todas as perspetivas. Peço às pessoas que se unam de forma civilizada para que possamos trabalhar e viver à altura dos nossos ideais americanos.”

Porém, logo a seguir a esta passagem, Melania Trump piscou o olho ao eleitorado que clama por “lei e ordem” ao pedir um fim aos desacatos nas manifestações contra a violência policial dirigida a minorias. “Peço às pessoas que parem com a violência e com os assaltos a lojas que estão a ser feitos em nome da justiça. E nunca tirem conclusões sobre uma pessoa tendo por base a cor da sua pele. Em vez de partirmos tudo, reflitamos nos nossos erros, sejamos orgulhosos da nossa evolução e procuremos um caminho para a frente”, disse Melania Trump.

"Peço às pessoas que parem com a violência e com os assaltos a lojas que estão a ser feitos em nome da justiça. E nunca tirem conclusões sobre uma pessoa tendo por base a cor da sua pele. Em vez de partirmos tudo, reflitamos nos nossos erros, sejamos orgulhosos da nossa evolução e procuremos um caminho para a frente."
Melania Trump, primeira-dama dos EUA

Enquanto a primeira-dama falava, a cidade de Kenosha, no Wisconsin, vivia a sua segunda noite de motins. Estes surgiram no decurso de manifestações espontâneas após Jacob Blake, um afro-americano, ter sido morto por dois polícias durante uma detenção. Como pode ser visto num vídeo que registou o momento do incidente, Jacob Blake, que protestou contra a detenção, entrava de novo no seu carro quando dois polícias disparam repetidamente sobre as suas costas.

Embora a morte de George Floyd tenha merecido menção no primeiro dia da Convenção do Partido Republicano (pela voz de de Donald Trump Jr., que disse que aquele incidente foi “uma desgraça”), o caso de Jacob Blake e os motins de Kenosha ainda não foram abordados na convenção republicana.

Republicans Hold Virtual 2020 National Convention

Durante o segundo dia da convenção republicana, Donald Trump deu a nacionalidade dos EUA a cinco imigrantes: dois africanos, duas asiáticas e um sul-americano

Photo Courtesy of the Committee

Numa segunda noite que se focou, à semelhança da primeira, em temas próximos do eleitorado de Donald Trump em 2016 (o apelo à “lei e ordem”, os ataques aos media, a caracterização do Partido Democrata como um grupo de esquerda radical), houve ainda assim espaço para dois momentos em que o Presidente pareceu procurar alargar a sua “família” a segmentos que vão para lá do seu eleitorado-base, maioritariamente branco e com uma grande incidência de pessoas que não foram à universidade.

Em dois segmentos previamente gravados (à semelhança do que já tinha feito no primeiro dia), o Presidente dos EUA apareceu na Casa Branca em plenas funções. E, desta vez, para com a sua assinatura tomar decisões fulcrais na vida de seis pessoas.

Primeiro, concedeu um indulto presidencial a Jon Ponder, um afro-americano que chegou a estar preso por ter assaltado um banco e que hoje ajuda ex-prisioneiros a reabilitarem-se. Segundo, concedendo a nacionalidade dos EUA a cinco imigrantes. Oriundos de países de onde por norma a maioria dos emigrantes chegados aos EUA não tem formação universitária (Bolívia, Líbano, Índia, Sudão e Gana), eram todos ou académicos munidos de doutoramentos ou empresários de sucesso. “É uma honra ser o vosso Presidente”, disse-lhes Donald Trump.

“Eu sou o adolescente que foi difamado pelos media

Depois de um primeiro dia da Convenção do Partido Republicano em que o principal alvo foi o Partido Democrata e a candidatura de Joe Biden e Kamala Harris, neste segundo a mira assentou noutro lado: os media. Apesar de a Fox News, canal favorável a Donald Trump, ser de longe a estação de notícias com mais audiência nos EUA (com 9 programas na lista dos 10 mais vistos, de acordo com números de junho da auditora Nielsen), a campanha do Presidente torna a apostar neste que é um forte traço na identidade forjada desde os primórdios da candidatura de Donald Trump em 2015.

O principal trunfo desta Convenção neste capítulo foi Nicholas Sandmann. Trata-se de um jovem que, em janeiro de 2019, então com 16 anos, foi filmado frente a frente com Nathan Philips, um nativo-americano que tocava um tambor à sua frente, em frente ao Lincoln Memorial, em Washingston. As imagens que resultaram daquele momento mostraram Nicholas Sandmann de pé, em frente a Nathan Philips, com um sorriso na cara e um boné vermelho de apoio a Donald Trump — o chamado MAGA hat. À volta, os colegas de Nicholas Sandmann dançavam ao som daquele tambor e riam-se despreocupadamente — o que, associado ao sorriso de Nicholas Sandmann, foi interpretado por muitos como um sinal de gozo daqueles jovens perante aquele ancião nativo-americano.

Provocação ou exagero? Novas imagens lançam dúvidas sobre incidente com índio

A história, porém, não era tão simples quanto isso. Momentos antes, Nathan Philips e os colegas tinham sido insultados por um grupo de Israelitas Hebraicos Negros, que dirigiram vários insultos racistas àquele grupo de estudantes. Só depois desse momento apareceu Nathan Philips tocando aquele tambor e avançando sobre o grupo de jovens — alguns dos quais usaram aquele novo foco de atenção para tentar tirar protagonismo ao pregadores de rua dos Israelitas Hebraicos Negros. Porém, rapidamente se formou uma situação de conflito entre os jovens católicos e os nativo-americanos.

Nicholas Sandmann falou à Convenção do Partido Republicano num vídeo gravado em frente ao Lincoln Memorial, onde aquele incidente teve lugar. “Eu sou o adolescente que foi difamado pelos media depois de me ter cruzado com um grupo de manifestantes nos degraus do Lincoln Memorial no ano passado”, começou por dizer.

De seguida, queixou-se amplamente do tratamento noticioso que o seu caso recebeu — referindo-se somente às notícias iniciais sobre o primeiro vídeo e nunca aludindo às ocasiões em que, como o Observador escreveu à altura, foram referidos outros vídeos de outros ângulos que permitiram ter uma noção mais ampla daquele incidente.

“Apesar de os media me terem retratado como um agressor com um sorriso militante na cara, na realidade o vídeo confirma que eu estava de pé, com as mãos atrás das costas, e com um sorriso desconfortável que escondia duas coisas”, disse. “Primeiro, que não podia fazer nada que exaltasse ainda mais o homem que estava a tocar aquele tambor em cima da minha cara. Segundo, tentei seguir o conselho de um amigo da minha família: nunca posso envergonhar a minha família, a minha escola e a minha comunidade.”

Nicholas Sandmann disse que o tratamento mediático que o seu cruzamento com um nativo-americano teve em 2019 lhe arruinou "a reputação e o futuro"

Committee on Arrangements for the 2020 Republican National Committee via Getty Images

Depois, veio a cobertura mediática de que Nicholas Sandmann se queixa — e que levou de imediato a que a sua família exigisse indemnizações na ordem dos 250 milhões de dólares a jornais como o Washingston Post e o The New York Times pela sua cobertura do caso. “A minha vida mudou naquele momento”, disse. “Toda a máquina de guerra dos mainstream media entrou em modo de ataque. Fizeram-no sem procurarem pelos vídeos da totalidade dos incidentes, sem sequer investigarem os motivos do senhor Philips ou sem me perguntarem qual era o meu lado da história.”

“E sabem porque é que foi assim?”, continuou aquele jovem, agora com 18 anos. “Porque a verdade nunca foi importante. Veicular a sua narrativa anti-cristã, anti-conservadora e anti-Donald Trump era a única coisa que importava. E se veicular a narrativa deles arruinar a reputação e o futuro de um adolescente de Covington, no Kentucky, que assim seja. ‘É da maneira que ele aprende a nunca mais usar um chapéu MAGA’.”

Nicholas Sandmann foi possivelmente quem dirigiu com mais eloquências as críticas aos media norte-americanos em toda a convenção, mas esteve longe de ser o único.

"As pessoas têm de reconhecer que os nossos pensamentos, as nossas opiniões e até as opções que tomamos quando vamos votar são manipuladas e visivelmente coagidas pelos media e pelas grandes empresas tecnológicas."
Tiffany Trump, filha de Donald Trump

A filha do Presidente Tiffany Trump também tomou esse caminho. “As pessoas têm de reconhecer que os nossos pensamentos, as nossas opiniões e até as opções que tomamos quando vamos votar são manipuladas e visivelmente coagidas pelos media e pelas grandes empresas tecnológicas”, disse, numa alusão ao Twitter, rede utilizada frequentemente pelo seu pai e que, recentemente, por este ter veiculado informação falsa relativamente à pandemia, lhe apagou esse post em concreto. “Se não corresponder à narrativa que eles tentam promover, o que cada um de nós partilha será ora ignorado ora caraterizado como mentira independentemente daquilo que for a verdade.”

Também Eric Trump carregou nessa tecla, acusando os media de fazerem pouco dos apoiantes do seu pai nos flyover states, cognome pejorativo para os estados em zonas como o Midwest dos EUA, onde poucos param e apenas passam a caminho de outros locais mais populares — comportamento adotado não só por turistas mas também por alguns políticos que não reconhecerão valor eleitoral àqueles locais. Mas, de acordo com Eric Trump, essa não foi a interpretação do seu pai em 2016 — e os media cobraram-lhe isso, queixa-se.

Republicans Hold Virtual 2020 National Convention

Tiffany Trump, quarta filha de Donald Trump, foi a primeira de três pessoas da família a discursar esta noite

Chip Somodevilla/Getty Images

“Os media gozavam com os patriotas dos flyover states. E ignoraram as bandeiras pró-Trump, ignoraram os milhões de tarjas MAGA e os palheiros pintados de vermelho, branco e azul”, atirou Eric Trump.

Melania Trump continou mais à frente a ideia do seu enteado. “Tal como vocês estão a lutar pelas vossas famílias, o meu marido, a minha família e as pessoas desta administração estão aqui a lutar por vocês”, garantiu, para depois atirar também ela contra os media. “Independentemente da quantidade de títulos negativos ou falsos nos media, ou dos ataques do outro lado, Donald Trump não tirou nem vai tirar o foco de vocês.”

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