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No terceiro e último cenário, todos os indicadores podem chegar ao vermelho

Corbis via Getty Images

No terceiro e último cenário, todos os indicadores podem chegar ao vermelho

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O que esperar da pandemia no outono e inverno? O pior cenário da DGS aponta para elevado número de mortes antes do Natal

No cenário moderado, os óbitos aumentam a meio de janeiro, chegando às 20 a 50 mortes por milhão de habitantes, ou seja, 200 a 500 por dia. No cenário 3, as mortes disparam antes do Natal.

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É o primeiro rascunho do pior cenário possível. Passados os primeiros 15 dias de dezembro, ainda com o Natal à distância, a mortalidade por Covid-19 dispara e volta a ser muito elevada. Passados poucos dias, na primeira quinzena de janeiro de 2022, são os internamentos em cuidados intensivos que ultrapassam as linhas vermelhas, pressionando os serviços de saúde. Esta previsão é a terceira e a mais pessimista da Direção Geral de Saúde e faz parte do Referencial outono/inverno 2021-22 e que pretende preparar o país para o que a pandemia trouxer a seguir. No primeiro cenário, pouco muda em relação ao dia de hoje. No segundo, a evolução da pandemia é suficiente para ser preciso prever um reforço de recursos no Serviço Nacional de Saúde e para os alarmes dos indicadores gritarem “perigo elevado”.

Esta sexta-feira, a DGS publicou o documento orientador da ação no setor da saúde para ajudar a navegar durante os próximos meses as ondas da pandemia. O motivo é claro. O ano passado, apesar dos avisos de que o inverno estava a chegar, desperdiçou-se o verão, o referencial foi publicado demasiado tarde, e relaxaram-se medidas de prevenção na época de Natal. A consequência foi assistir-se à terceira (e mais forte) vaga da pandemia, com as infeções a ultrapassar, no pico de janeiro, os 15 mil casos por dia. Os números mais recentes, de 22 de outubro, dão conta de 930 novos casos.

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No documento da DGS, onde se assume que a próxima época sazonal traz desafios específicos, o objetivo principal é minimizar a ocorrência de doença grave e mortalidade devido à Covid-19.

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Entre os riscos apontados, próprios do outono e do inverno — como o frio e o surgimento de outros vírus respiratórios sazonais, como o da gripe — a DGS aponta ainda a fadiga pandémica, que pode afastar as pessoas das medidas de prevenção, a hesitação vacinal, que pode reduzir a imunidade já conseguida, e o regresso ao trabalho e ao ensino presencial.

Fonte: DGS

Este último fator, diz a DGS, leva a uma maior circulação de pessoas e a um maior contacto em espaços fechados, para além de “as crianças e adolescentes representarem um grupo suscetível pela reduzida cobertura vacinal e elevado número de contactos”. A proximidade com os dias festivos de dezembro e as festas de passagem de ano também complicam a contenção da pandemia: a frequência de festividades, “particularmente eventos de massa ou eventos familiares, corporativos, culturais ou desportivos, provocam o aumento do número de contactos” em espaços fechados.

Outro risco, é “o expectável aumento da indisponibilidade dos recursos humanos” no setor da saúde devido a férias, rotatividade de profissionais, exposição cumulativa a outros vírus respiratórios e à Covid-19 e ausências adicionais por assistência a familiares. Por isso mesmo, a DGS aponta a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais, devendo ser considerado o recrutamento de recursos humanos.

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A vacina e as variantes: as duas variáveis da equação

Para fazer a previsão da evolução epidemiológica da pandemia, o grupo de trabalho da DGS levou em conta duas variantes: a vacina contra a Covid-19 e o vírus SARS-CoV-2. Em cada um dos cenários, pelo menos uma das variáveis muda: a vacina mantém (ou não mantém) a sua eficácia e surgem (ou não surgem) novas variantes de preocupação que podem saltar por cima da defesa imunológica conseguida com a campanha de vacinação.

Na hipótese mais otimista, aquela que mantém a pandemia sob controle, assume-se que não existem alterações na efetividade da vacina — mantendo-se, durante 3 anos, uma proteção de 70% contra a infeção e de 95% para a hospitalização. Para além disso, o vírus não se altera o suficiente para criar uma nova variante mais transmissível ou mais letal.

Nesse primeiro cenário, os três indicadores mantêm-se nos níveis reduzido e moderado, nunca pisando a linha vermelha. A incidência, a que mais sobe, fica entre os 120 e os 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. Os internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) ficam abaixo das 170 camas ocupadas e a mortalidade por Covid-19 não passa os 20 óbitos por milhão de habitantes. Não há pressão adicional para os serviços de saúde.

Fonte: DGS

A seguir, nova hipótese. No segundo cenário, a eficácia da vacina está reduzida, mantendo-se apenas durante um ano — algo que os ensaios clínicos ainda não conseguem garantir. Em Israel, onde a terceira dose da vacina passou a ser necessária para adquirir o certificado digital, um responsável da área da saúde falou sobre a validade das vacinas. “É bom que os Estados Unidos e o Reino Unido estejam a dar doses de reforço aos mais velhos. Seguir ou não a decisão de Israel é uma decisão política, não médica. Que a vacina deixa de ser eficaz ao fim de 6 a 8 meses já não é um segredo”, disse, sob anonimato, ao Financial Times (conteúdo para assinantes).

Neste cenário, não surge nenhuma nova variante de preocupação. Apesar disso, a taxa de incidência sobe para elevada (240 a 489 casos por 100 mil habitantes) e na segunda quinzena de janeiro os internamentos em UCI disparam. Com 170 a 255 camas ocupadas, a pressão passa a ser ligeira a moderada no sistema de saúde.

A mortalidade sobe para elevada, ultrapassando a linha vermelha na segunda quinzena de janeiro, com 20 a 50 mortes por Covid por milhão de habitantes — o que significa 200 a 500 óbitos por dia. No pico de janeiro deste ano, o valor mais alto foi de 303 mortes em 24 horas.

Fonte: DGS

No terceiro e último cenário, todos os indicadores podem chegar ao vermelho. O pressuposto é a perda de eficácia de vacinação ao fim de um ano, aliada à chegada de uma nova variante com características que permitem uma evasão ao sistema imunitário, “provocando uma redução rápida da efetividade da vacina, aumento da transmissibilidade do vírus e gravidade da doença”, explica o documento da DGS.

Neste caso, passados os primeiros 15 dias de janeiro, a taxa de incidência acumulada estaria acima dos 480 casos por 100 mil habitantes e a mortalidade a 14 dias superior a 50 óbitos por milhão de habitantes (500 mortes).

A ocupação de camas, acima das 255, levaria a uma pressão elevada a muito elevada sobre o sistema de saúde.

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O regresso ao trabalho e ao ensino presencial pode fazer aumentar a intensidade da pandemia

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O que deve ser feito, segundo a DGS

Para todos os cenários, o referencial outono/inverno diz ser necessário reforçar o planeamento das respostas a três desafios transversais: disponibilidade de recursos humanos, a sua resiliência e a adesão da população às medidas não farmacológicas.

Para além disso, aponta a importância de reforçar a vigilância epidemiológica não só do vírus da Covid-19 como de outros vírus respiratórios e assegurar uma força de trabalho em saúde adequada e em número suficiente para fazer face aos desafios do inverno.

Promover a vacinação, da Covid-19 e da gripe sazonal, também faz parte dos conselhos da Direção Geral de Saúde, assim como promover a responsabilidade individual cívica no controlo da atividade epidémica.

Na vacinação, lê-se no documento, a prioridade continua a ser atingir a vacinação completa de todas as pessoas com mais de 12 anos.

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