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O boné cinzento escuro enfiado na cabeça não lhe vale de muito, mesmo que insista em puxá-lo para baixo. A chuva embacia-lhe os óculos. E as lágrimas também. Encostado à porta de casa, no beco onde Valentina Fonseca costumava brincar, João Silvestre chora a morte da sobrinha-neta, um dia depois do funeral. Aos 74 anos, recorda a guerra para a qual foi chamado, em Moçambique, o acidente que o deixou coxo e a irmã que morreu ainda nova, mas nunca a vida lhe fez tão pouco sentido. “Tive a mulher no hospital, com cancro, e não a podia ir ver por causa do coronavírus. Depois acontece-me isto. Poça para a minha vida!  O que é que mais está para a acontecer?“, desabafa.

Apoiado num chapéu de chuva — prefere usá-lo como bengala do que para o proteger do mau-tempo — João Silvestre vai recordando, ao Observador, a última vez que viu Valentina, antes mesmo de a criança ir para a casa do pai. E reproduz a conversa que a menina teve com a mãe, Sónia Fonseca, nesse dia:

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