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Os príncipes Mary e Frederik da Dinamarca no habitual jantar de gala de Ano Novo no Palácio de Amalienborg, em Copenhaga, um dia depois de se saber que serão reis a 14 de janeiro

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Os príncipes Mary e Frederik da Dinamarca no habitual jantar de gala de Ano Novo no Palácio de Amalienborg, em Copenhaga, um dia depois de se saber que serão reis a 14 de janeiro

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Um ambientalista rockeiro e uma australiana dada a causas sociais e ícone de estilo: quem são os novos reis da Dinamarca?

Às 15h00 do dia 14 de janeiro será proclamado Rei da Dinamarca. Mas afinal, quem é Frederik e a sua rainha consorte, como se conheceram e o que representa a histórica abdicação de Margarida II?

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O mundo preparava-se para se despedir de 2023 quando chegou a habitual mensagem de fim de ano da Rainha Margarida da Dinamarca, mas o texto foi tudo menos banal. A soberana anunciou que iria abdicar dentro de duas semanas deixando o trono para o filho mais velho. Decorria a tarde de 31 de dezembro e, entre os doces do Natal e o champanhe da meia-noite, todas as atenções recaíram sobre o herdeiro que, dentro de dias será Frederik X, multiplicaram-se as reflexões sobre o fim de uma era na Dinamarca e o futuro da monarquia na Europa.

Quem é então o próximo rei da Dinamarca, que depois de Carlos de Inglaterra ter ascendido ao trono, se tornou no herdeiro há mais tempo à espera de reinar? E a futura rainha consorte? A elegante australiana que conquistou a Dinamarca e o mundo com a sua entrega ao serviço público e com o seu estilo? E que eventos marcaram estes últimos tempos de reinado na Dinamarca? Margarida II era a única Rainha do mundo e agora segue o exemplo de outro reis europeus que deixaram o trono por vontade própria, deixando Harald da Noruega e Carlos Gustavo da Suécia como os veteranos na Europa, bem como dúvidas sobre o futuro de ambos. Para trás ficam algumas polémicas, como a retirada de títulos aos netos, ou as insinuações de adultério ao herdeiro do trono.

Nos três dias do início do novo ano a Rainha Margarida foi anfitriã de jantares de gala que marcaram as últimas aparições públicas da soberana antes da despedida e as primeiras dos futuros reis, depois de se saber que o reinado começará em breve.  No próximo dia 14 de janeiro Frederik X será proclamado Rei da Dinamarca pela primeira-ministra no Palácio de Christiansborg. Tem 55 anos, é casado com a australiana Mary Donaldson há quase 20, pai de quatro filhos e protagonista de algumas polémicas.

Margarida II, rainha da Dinamarca, vai abdicar do trono

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Frederik, o herdeiro que chegou a ficar intimidade com o trono

Quando o príncipe Frederik André Henrik Christian nasceu a 26 de maio de 1968, a mãe era ainda Margarida, a princesa herdeira, e viria a ascender ao trono quatro anos mais tarde. Manda a tradição que os nomes dos reis da Dinamarca vão alternando entre Christian e Frederik, desde 1513, por isso sendo o pai da Rainha Margarida o Rei Frederik IX, seria de esperar que esta desse ao filho o nome de Christian, mas viria a ser Frederik como o avô. No ano seguinte nasceu o príncipe Joachin Holger Waldemar Christian, a 7 de junho de 1969, e Frederik passou a ter um irmão mais novo.

Conta o jornal britânico The Times que há um mote na família real dinamarquesa segundo o qual “aqueles que tu amas, tu castigas” e, de acordo com alguns relatos, Frederik terá tido uma infância levemente austera. Certa vez o príncipe terá dito a um jornalista que o pai o submeteu ocasionalmente a “gifles” (palavra francesa para bofetada), mas depois negou que alguma vez lhe tivesse batido.

Quando o príncipe fez 50 anos, em 2018, foi feito um documentário para o qual foi acompanhado em diferentes ocasiões. Em entrevista contou como foi difícil aperceber-se de que seria Rei, ainda em criança. “Vi a minha vida apagar-se e que teria de me comportar como um adulto completo. Foi muito difícil. Sobretudo, porque não havia muitas pessoas que me pudessem explicar o que isso significava”, cita a Vanity Fair. Terá descrito em outras ocasiões que a ideia de ser Rei lhe parecia “grande, intimidatória, obscura, sombria e desagradável”.

Estudou na escola privada para as classes altas Krebs School e depois no colégio interno da Normandia École des Roches. Entre as décadas de 1980 e 90 licenciou-se e fez um mestrado em Ciência Política na universidade da cidade dinamarquesa de Aarhus, e continuou a estudar na mesma área em Harvard, nos Estados Unidos da América. Trabalhou na missão dinamarquesa nas Nações Unidas, em Nova Iorque, em 1994, e na embaixada dinamarquesa em Paris, entre 1998 e 1999. Além do dinamarquês, a sua língua-mãe, fala inglês, francês e alemão.

Frederik teve treino militar e serviu na marinha dinamarquesa. Segundo o Times, ganhou a alcunha de “Pingo” quando integrou as forças navais de operações especiais de elite e o fato de mergulho que usava ganhou formas arredondadas com a água e o obrigou a andar como um pinguim. A Vanity Fair chama a atenção para outra alcunha: “o príncipe Turbo”, nome que a imprensa lhe terá dado pelo gosto pela velocidade, carros e motas que tinha na juventude.

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Margarida com o pai, o Rei Frederik IX e o príncipe Frederik; a Rainha com o marido e os filhos em férias; Frederik numa corrida (2023); os príncipes Frederik e Joachim no aniversário da mãe (2023)

Ritzau Scanpix/AFP via Getty Ima

Gosta de desporto e de atividades ao ar livre. Simpatiza com os clubes britânicos Liverpool e Arsenal e é um fã de maratonas. Já competiu em seis destas provas até ao fim e em 2013 completou a sua primeira prova de Ironman. Também faz vela e triatlos. Em 2000 percorreu mais de 2.700 quilómetros em trenó puxado por cães, pela Gronelândia, território dinamarquês. Fez do desporto e do ambiente as suas principais causas e esteve até na conferência do clima Cop28 que decorreu no passado mês de novembro no Dubai.

É fã de música rock. Em 2007 apareceu de surpresa no concerto de um amigo e até tocou harmónica para o público. Em 2014 esteve no festival Burning Man, onde terá tentado passar despercebido com o nome Hamlet, mas se de facto usou um kilt com flores bordadas e um colete dourado, como conta o Times, terá certamente dado nas vistas.

Em jovem gostava de festas. Na passagem de ano de 1992 para 93 a polícia dinamarquesa deteve um casal por condução perigosa perto do palácio em Copenhaga e um dos membros era Frederik, que terá testado positivo para álcool. O assunto provocou algum incómodo. Em 1988 teve um acidente de carro no sul de França e que o fez saltar da estrada, aterrar num riacho e partir a clavícula. O futuro Rei da Dinamarca tem duas tatuagens, um tubarão-cão numa perna e um desenho nórdico elaborado num braço. Antes de se casar com Mary Donaldson terá tido sete relações. Os dinamarqueses conhecem-no bem. Já na Austrália natal da mulher, recusaram servir-lhe álcool porque não tinha identificação, apesar de estar prestes a completar 50 anos.

Mary, a australiana com raízes escocesas que será rainha da Dinamarca

Durante anos a Austrália teve como chefe de estado uma Rainha britânica, Isabel II, que sempre viveu do outro lado do mundo. Agora, haverá de facto uma rainha australiana, mas ela estará também na Europa. Mary Elizabeth Donaldson nasceu a 5 de fevereiro de 1972, em Hobart, a capital da ilha australiana da Tasmânia, apenas dias depois da Dinamarca ver a Rainha Margarida chegar ao trono. Mary é a mais nova de quatro irmãos, já que tem duas irmãs e um irmão, todos mais velhos. Os pais, John Dalgleish Donaldson e Henrietta Clark Donaldson casaram-se em 1963, ano em que ambos emigraram para a Austrália e deixaram para trás a Escócia. John era um escocês professor de matemática aplicada e Henrietta era assistente executiva do vice-reitor da universidade da Tasmânia. Mary tinha 25 anos quando a mãe morreu, em 1997, e o pai voltou a casar com uma autora britânica.

Mary é licenciada em direito e comércio pela Universidade da Tasmânia e acrescentou depois aos seus estudos um certificado em publicidade da Federação de Publicidade da Austrália e outro em marketing direto da Associação de Marketing direto da Austrália. Depois da faculdade, Mary mudou-se para Melbourne onde trabalhou na agência internacional de publicidade DDB Needham.

O ano de 1998 foi dedicado a conhecer o mundo, uma vez que viajou pela América e também pela Europa, em especial na Escócia, terra-natal do pai. Acabaria por ficar a trabalhar três meses em Edimburgo, como account manager na empresa Rapp Collins Worldwide. No ano seguinte já estava de regresso a Sydney, onde foi account director na agência de publicidade internacional Young and Rubicam, mas o seu currículo viria ainda a integrar outras empresas. Em 2002 mudou-se para a Europa e começou por viver em Paris, onde deu aulas de inglês na Business English School, de seguida partiu para a Dinamarca, onde chegou a trabalhar na Microsoft.

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Na visita da duquesa de Cambridge a Copenhaga (2022); no casamento da princesa Madalena da Suécia (2013); Durante a visita do Presidente e da primeir-dama da Ucrânia (2023); em visita às Fiji (2023)

Ritzau Scanpix/AFP via Getty Ima

Em 2009 os príncipes herdeiros ficaram com o Palácio Frederik VIII e convidaram 10 artistas dinamarqueses para decorarem as salsa de estado, numa mistura de tradição e modernidade que viria a marcar a sua imagem e trabalho como príncipes herdeiros. “Uma monarquia existe no tempo e na sociedade da qual faz parte e os dinamarqueses são progressivos, inovadores e de pensamento livre”, disse a princesa Mary em entrevista ao Financial Times a propósito do seu 50º aniversário, em 2022. “Como o progresso acontece depende das personalidades das pessoas que fazem parte da família real e, claro, das pessoas que estão à volta.”

A princesa Mary também é uma desportista e amante da vida ao ar livre como o marido, mas as suas principais bandeiras têm sido os direitos das mulheres, como os direitos reprodutivos, sexuais e a saúde materna nos países em desenvolvimento e os direitos LGBTI+ a nível internacional. Em 2007 começou a sua fundação, a Mary Foundation (Mary Fonden), que se dedica ao combate ao isolamento social e à violência doméstica, e é também patrona do fundo para a população das Nações Unidas (UNFPA). Mary era presença assídua no Copenhagen Fashion Summit, uma iniciativa que levava à capital dinamarquesa a elite da moda para discutir a sustentabilidade na indústria.

“Desde muito cedo foi claro que havia grandes expectativas à volta do que se usa e se se veste apropriadamente para um evento”, disse a princesa ao FT. “Foi muito intimidante para mim. Eu era uma rapariga de t-shirt e calções, habituada a andar descalça.”Mas a verdade que desde o início do seu percurso usou a moda com mestria, criando o seu próprio estilo e tornando-se uma das mulheres mais bem vestidas da realeza e do mundo. Há até quem diga que será um dos exemplos que Kate Middleton segue e são, curiosamente, muitas as peças de vestuário que têm em comum. Mary acerta nas regras do protocolo, usa as joias da coroa e ainda consegue introduzir criações de grandes costureiros e de marcas low-cost no seu guarda-roupa, que é seguido de perto pelos especialistas da moda.

Em 2019 a princesa Mary recebeu uma grande honra da sogra. A Rainha Margarida fez da princesa sua regente, uma novidade já que nunca antes tinha sido nomeada para esta função uma pessoa que não fosse descendente direto da família real. Na Dinamarca a monarca deve ter sempre um regente, caso não possa desempenhar as suas funções. A Rainha já tinha três regentes, o príncipe Frederico (filho mais velho e o herdeiro); o filho mais novo, o príncipe Joaquim; e a irmã, princesa Benedita. Mas, uma vez que os dois últimos vivem fora da Dinamarca, a Rainha decidiu nomear também a princesa Mary para o cargo.

De um pub australiano para a Catedral de Copenhaga e depois para o trono

Mary Donaldson e o príncipe Frederico da Dinamarca conheceram-se no ano 2000, em Sydney, durante os Jogos Olímpicos que tiveram lugar naquele ano na Austrália. O herdeiro do trono dinamarquês tinha ido apoiar a equipa de vela e foi certa vez ao pub Slip Inn, integrado numa verdadeira comitiva real que contava também com o irmão, o príncipe Joachim, o primo príncipe Nikolaos da Grécia e o príncipe Felipe de Espanha. Naquele pub estava também a jovem Mary, que na altura trabalhava na zona de Nova Gales do Sul e tinha ido tomar um copo com amigos. Formou-se um grupo que esteve animadamente à conversa sem referências à realeza ou fotografias indesejadas. Frederik pediu o número de telefone de Mary e, ao que parece, esta não sabia que ele era um membro da realeza. “Meia hora depois alguém se aproximou de mim e disse: ‘Sabes quem são aquelas pessoas?'”, contou a própria numa entrevista a um comediante australiano em 2005, citada na BBC. “Dei ao Frederik o meu número de telefone e ele ligou-me no dia seguinte, por isso pode dizer-se que houve um clique. Não foi fogo de artifício no céu ou nada semelhante, mas houve uma sensação de entusiasmo”, revelou a então princesa.

Os dois mantiveram uma relação à distância durante meses e no final de 2002 Mary mudou-se para a Dinamarca, mas o namoro só se tornou público mais tarde. Depois de quatro anos de namoro, o casamento do herdeiro do trono aconteceu a 14 de maio de 2004. O príncipe Frederik esperava em lágrimas a sua princesa encantada no altar da Catedral de Copenhaga. Mary chegou com um vestido de noiva desenhado por Uffe Frank e uma tiara de diamantes oferecida pelos futuros sogros e um ramo com eucalipto australiano, em homenagem às suas origens. A realeza rumou em peso à Dinamarca para um dos grandes acontecimentos reais do novo milénio. Segundo a BBC, o casamento foi visto em direto por mais de um milhão de pessoas na Austrália que estiveram colados a um ecrã a meio da noite para ver a nova princesa australiana. Uma sondagem publicada no dia seguinte ao casamento dava conta de que cinco em cada seis dinamarqueses estavam certos de Mary seria uma boa rainha.

No ano seguinte nasceu o primogénito, o príncipe Christian, em 2007 nasceu a princesa Isabella e em 2011 nasceram os dois gémeos, Vincent e Josephine. No próximo mês de maio Frederik e Mary vão celebrar 20 anos de casamento já como reis.

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O casamento do príncipe Frederik com Mary Donaldson reuniu a realeza em Copenhaga em maio de 2004

SCANPIX/AFP via Getty Images

O caminho para o fim de ciclo: um Natal em família depois uma polémica que atingiu o herdeiro

Dias antes de anunciar que iria abdicar do trono, a Rainha Margarida viveu o seu Natal rodeada pela família. Os príncipe Frederik e Mary regressaram a casa depois de terem passado parte do mês de dezembro na Austrália com três dos quatro filhos (só o príncipe Christian falhou a viagem em família por causa dos estudos) e os seis juntaram-se à Rainha na noite de 24 de dezembro. Assim como o filho mais novo da monarca, o príncipe Joachim, com a princesa Marie e os dois filhos que têm em comum, trocaram Washington, onde vivem atualmente, pela Dinamarca. Os outros dois filhos mais velhos que o príncipe tem do casamento com a condessa Alexandra falharam a noite de festa em família — o conde Nikolai vive atualmente na Austrália e o conde Félix viria a juntar-se à família no dia 25.

O cenário das celebrações de Natal de Margarida II foi, como habitualmente, o Castelo de Marsilesborg que é também a residência de verão da soberana, mas este ano foi diferente do ano passado. Em 2022 a Rainha passou o Natal quase sozinha, com a irmã Benedita, uma vez que os filhos desfrutaram as festas em diferentes destinos. Margarida tinha anunciado há poucos meses que a partir de janeiro de 2023 os seus netos do lado do príncipe Joachim iriam deixar de ter os títulos de príncipes, o que causou grande desconforto na família — em simultâneo, o clã do príncipe Frederik reforçou o seu laço com o núcleo duro da casa real.

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Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. O príncipe Frederik e Mary de volta ao cenário onde foram felizes, já que se conheceram nos Jogos Olímpicos de Sydney, quatro anos antes.
Fairfax Media via Getty Images
O batizado dos gémeos, os príncipes Vincent e Josephine, em 2011
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A 14 de outubro, quando o príncipe Christian completou 18 anos
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Os príncipes Mary e Frederik da Dinamarca no habitual jantar de gala de Ano Novo em Amalienborg, um dia depois do anúncio da abdicação da Rainha
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Este Natal de 2023 reuniu grande parte da família, o que não acontecia desde 2019, e pode ser interpretado como o início do fim de ciclo que a soberana viria a anunciar uma semana mais tarde. Para trás ficava um atribulado e preenchido mês de novembro que contou com as suspeitas de adultério do príncipe herdeiro depois de uma viagem a Madrid, mas também com o príncipe Christian a assinar a solene declaração de cumprimento da Constituição, depois do seu 18º aniversário ter sido celebrado com pompa.

Uma abdicação histórica que parece seguir uma tendência europeia

O anúncio de abdicação da Rainha Margarida foi uma surpresa. Desde o século XVII que a monarquia dinamarquesa tem sido hereditária, com a coroa a ser herdada na sequência da morte do soberano, segundo explica a própria casa real no seu site. Mas a soberana trocou as voltas à tradição e decidiu passar ainda em vida o trono para o filho mais velho. Assim, desta vez, a sucessão ao trono da Dinamarca começará com uma reunião do Conselho de Estado no Palácio de Christiansborg, quando a Rainha assinar uma declaração de abdicação. Os príncipes Frederik e Mary vão chegar como herdeiros e sair já como reis. Segundo já esclareceu a casa real dinamarquesa, o rei assumirá o nome de Frederik X e a consorte terá o título de Sua Alteza a rainha Mary, o filho mais velho passará a ser Sua Alteza Real o Príncipe Herdeiro Christian enquanto a Rainha cessante vai continuar com o título Sua Alteza a Rainha Margarida.

Até 1953, o trono só estava acessível a herdeiros homens. Nesse ano um referendo tornou possível que as mulheres também ascendessem ao trono, mas com precedência para os homens. O povo dinamarquês escolheu que no futuro quereria ter como Rainha a então princesa Margarida, em vez de um tio desta. Foi esta mudança que permitiu que Margarida subisse ao trono a 14 de janeiro de 1972, quando o pai, Frederik IX, morreu. Atualmente, graças a uma alteração à Lei da Sucessão feita em 2009, passou a haver igualdade de género e quem herda o trono é o primogénito/a do soberano, independentemente do género.

Margarida II da Dinamarca: a única rainha do mundo e o atual reinado mais longo

A abdicação de um soberano na Europa não é tão surpreendente hoje como seria há uma década. A primeira foi Beatriz dos Países Baixos, que em janeiro de 2013 anunciou que iria abdicar e os novos reis, Willem-Alexander e Máxima, tomaram posse três meses depois. Nos Países Baixos abdicar tornou-se quase uma tradição, uma vez que a Rainha Beatriz seguiu o exemplo da mãe e da avó. Seguiu-se o Rei Alberto II dos belgas que no início de julho anunciou que o filho, o príncipe Philippe, lhe iria suceder no trono apenas uns dias mais tarde, no Dia Nacional da Bélgica, a 21 desse mesmo mês. Em 2014 foi Espanha que trocou de monarca. Juan Carlos I anunciou em junho que abdicaria a favor do filho e em julho Felipe VI tornou-se o atual soberano.

A Rainha Margarida tem 83 anos e na sua despedida completará 52 no trono. Ainda é a soberana há mais anos no trono na Europa atualmente, e quando sair de cena passa ser Harald o veterano. Se a idade for um dos elementos que levou à decisão de abdicar, ficam agora no ar especulações sobre o que poderá suceder nos reinos da Noruega e da Suécia. No caso do primeiro, o Rei Harald tem já 86 anos de idade e 32 de reinado. Quanto ao Rei Carlos Gustavo, tem 77 anos e celebrou em 2023 o seu jubileu de ouro, sendo que os seus 50 anos de reinado já bateram o recorde nacional. Pelo Reino Unido, Carlos III completou 75 anos em novembro, estando no trono há pouco mais de um ano.

Frederik e Mary já estiveram na coroação do Rei Carlos III, em Londres, no ano passado; na entronização do imperador japonês Naruhito, em 2019, e na investidura dos novos reis dos Países Baixos, em 2013. A chegada dos novos reis da Dinamarca ao trono será bem mais discreta e menos opulenta do que qualquer uma destas três. O conselho de estado em que a Rainha vai abdicar está já marcado para as 14h00 de domingo dia 14 de janeiro e a proclamação do novo Rei para as 15h00. Frederik e Mary deverão aparecer depois pela primeira vez como reis na varanda no Palácio de Christiansborg.

 
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