Quem não se lembra do “Prémio Capitão Moura” que era atribuído na RTP, há uns anos largos, aos melhores e mais carismáticos protagonistas dos campeonatos de futebol distritais, no mítico programa apresentado por Álvaro Costa (AC) e pelo Professor Bitaites? Quem não se divertiu com o António de Balazar, com o adepto que chorava ao ouvir palavrões, com o homem que via os jogos atrás de um poste (para tirar foras-de-jogo) ou com os talentos exibidos na bancada pelos “cromos” cantores, declamadores, poetas e filósofos?

Quem não ficou a saber um pouco mais sobre a história dos Dragões Sandinenses ou acerca das dificuldades orçamentais do Progresso? Quem não desejou secretamente ajudar o Perosinho ou filiar-se no Ramaldense? E quem não torceu pela permanência do Infesta? Já lá vai bem mais de uma década, mas a excitação e o divertimento ficaram até hoje.

Pois bem – está de volta a liga dos últimos, não dos clubes de futebol, mas das cores partidárias, todos competindo, acerrimamente e perante as câmaras, pelo prémio “Capitão Moura” do Parlamento.

O Partido Socialista prepara-se para cobrir o País, já no próximo ano, com o novo mapa cor-de-rosa, desenhado a régua e esquadro por António Costa, Mário Centeno e Carlos César, que depois do congresso de unanimidade verdadeiramente kim jong-uniana preparam a campanha eleitoral com denodo e até o trunfo dos aumentos à função pública é acenado e escondido para ser jogado no momento exacto.

A austeridade, entretanto, grassa e aperta em tudo o que é serviço público, com uma magnitude que envergonharia o próprio Passos Coelho, sob a direcção férrea e orgulhosa do mais brilhante farol do cartesianismo germânico – o Presidente do Eurogrupo.

O PCP e o Bloco apostam tudo em evitar a maioria absoluta e atropelam-se arremessando professores, agitando os impostos sobre combustíveis e ameaçando com o Orçamento. Mas parece pouco. Muito pouco.

Que os dois partidos de extrema-esquerda disputem o espaço vital da relevância política e que se digladiem por levantar mais alto o braço para dizer “presente!” parece-me compreensível. Que admitam o interesse em ser a pena no chapéu, a flor na lapela, o brinco na orelha de AC (António Costa), ou outros acessórios mais, não me surpreende. São, afinal, contendores naturais na liga dos últimos.

Que o PSD admita jogar o mesmo jogo e que não lhe repugne o papel de actor secundário ou de muleta do PS já me deixa perplexo.

Que um partido com vocação de Governo queira ser aquilo que todos os outros parecem querer, arriscando protagonismo, relevância e credibilidade deixa-me desconcertado. Não consigo compreender qual seria o ganho a obter, qual o lugar apetecível na sociedade ou na História, qual o contributo decisivo para o rumo do país, para o seu posicionamento europeu ou para a sua política económica. O prémio “Capitão Moura” é apetecível, mas esperava-se mais.

Na verdade, parece preferível que se mantenham todos na liga dos últimos. E que venha o mapa cor-de-rosa. Que o PS ponha e disponha, governando sozinho, sem adereços, sem maçadas e sem disfarces, liberto das amarras e dos embaraços que hoje tem que carregar. Ganharíamos, ao menos, em clareza e em eficácia política. Sem hesitações, compromissos ou bodes expiatórios.

E que assistamos, então, ao prolongamento da liga dos últimos, apresentado pelo sorridente AC, pivot e entertainer de excelência e, simultaneamente, jogador na primeira divisão.