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O mundo divide-se entre os que vivem depressa e os que vivem devagar. Para os que vivem depressa, os anos passam a correr. Para os que vivem devagar a felicidade começa quando ela se deseja e se constrói. Para os que vivem depressa, o tempo foge e nunca chega. E, por causa disso, existe o ontem e o amanhã. Para os que vivem devagar, o hoje sobressai sobre o tempo todo. Seja como for, a mim parece-me que vivemos quase todos demasiado depressa. E que é à conta de vivermos depressa que não vivermos o hoje, como devíamos. E que, por causa disso, as pessoas que vivem depressa se dividem entre os que sofrem por antecipação e os que vivem por antecipação. Vendo bem, não têm muito a ver uns com os outros. A não ser que, numa e noutra circunstâncias, nada disso é viver.

Os que sofrem por antecipação, vivem no ontem. Imaginam, antes de as viver, todas as dores. Porque não vivem o hoje, o amanhã é sempre um lugar que não se recomenda. Na verdade, por mais que não o digam, acham que crescer será, sobretudo, um sofrimento. Imaginam perigos em vez de descobertas. Aflições no lugar dos desejos. E decepções antes das surpresas. Na verdade, não vivem. Antecipam as dificuldades e os problemas. E desistem de as enfrentar e de os resolver. Evitam a vida com faltas de comparência.

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