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Comparar um ditador continental nascido no século XVIII a um primeiro-ministro eleito este mês é um exercício que corre riscos de imprecisão, anacronismo e excesso de simplicidade. Estabelecer um paralelo entre as vidas de Napoleão Bonaparte e Boris Johnson é, no entanto, surpreendentemente fácil. É certo que Boris lidera o partido conservador mais antigo e mais bem sucedido da Europa — o mesmo partido que foi liderado pelos homens que juraram destruir o bonapartismo — e que o ocasional fascínio por Napoleão proliferava, fundamentalmente, no partido whig. O histórico Charles James Fox foi a Paris para conhecê-lo pessoalmente e meia-dúzia de deputados liberais chegaram até a visitá-lo no seu primeiro exílio, em Elba — uma curiosidade imperdoável para qualquer tory.

A verdade é que, fazendo justiça às ironias que só a História produz, Napoleão Bonaparte deve a sua vida — ou o facto de ter morrido de velhice — à sua némesis: o Reino Unido. Nem a Rússia, sua ex-aliada, nem a Áustria, de cujo imperador era genro, teriam hesitado em executá-lo após Waterloo.

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