A 15 de Setembro comemorou-se o aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este ano foi o 44º. Aniversário.

Na nossa e, na opinião de muitos, o SNS é uma das grandes entre as maiores conquistas da nossa jovem democracia. O SNS teve uma evolução e inovação tremenda na capacidade de prevenir, tratar e reinserir, no campo da doença/saúde, o indivíduo, as famílias, os grupos e a comunidade. Somos defensores do SNS, inquestionavelmente!

Se é certo que o SNS passou a ser uma instituição de múltiplas respostas, respeitada e de presença no quotidiano da vida do cidadão, como um dos serviços de saúde, do melhor que se conhece, é também certo que, nos últimos anos, vários poderes políticos, particularmente os últimos governos, aproveitaram-se desta enorme instituição e dos seus profissionais, utilizando-os para as diversas e, muitas vezes perversas, campanhas políticas, limitando-os, desrespeitando-os, definhando-os e reduzindo-os, na essência e no objectivo primordial que é prevenir, tratar e cuidar do cidadão contra a doença e fazendo a sua reabilitação e reinserção nas várias dimensões de vida, de actividade de vida diária e profissional.

O SNS tem uma capacidade instalada enorme, através dos Centros de Saúde com as suas unidades funcionais, Saúde Pública e Hospitais, mas muitas vezes mal aproveitada, mal gerida e mal rentabilizada. Associada a esta capacidade instalada, à excelente qualificação/formação científica dos seus profissionais e à enorme intervenção, traduzidos em actos em saúde, sentimos também inúmeras decisões políticas contrárias ao bom nome do SNS, como cativações, desinvestimento, falta de modernização de instalações e equipamentos, falta de investimento no mais importante património que são os seus profissionais, a nível das remunerações, de carreiras e de fixação destes mesmos profissionais.

O impacto das medidas perversas do Governo (cativações, desinvestimento, adiamento de reformas e aplicação de falsas reformas estruturais, ficando-se apenas pelas conjunturais, quando as houve) trouxeram o SNS para uma incapacidade e asfixia gritante, de enormes dimensões, limitando-o na resposta aos reais problemas e necessidades de que os cidadãos carecem e que reivindicam e, na competitividade, com consequência na segurança que tudo isso representa. O não cumprimento das dotações seguras nos serviços é um exemplo claro.

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Ouvimos o Sr. Ministro da Saúde, Dr. Manuel Pizarro, falar constantemente no aumento do orçamento para a Saúde, como se “atirar” dinheiro para cima do SNS resolvesse os problemas e dificuldades que se vivem. Isto é desfocar o olhar da questão primordial. O problema do SNS, se por um lado é a gestão orçamental, por outro e essencialmente, é de gestão de recursos humanos, materiais e estruturais. Há um problema gravíssimo por trás da decisão política, que é ideológica, muitas vezes com estados d’alma associados!

Outra realidade indisfarçável é a descriminação negativa que o Governo pratica, através de diplomas, criando uma diferenciação perversa entre unidades funcionais e remunerações dos seus profissionais, alimentando desigualdades abissais, desmotivando profissionais, levando ao desinteresse, à diminuição de produtividade e à fuga/”sangria” destes, para o sector privado e países estrangeiros, em prejuízo do SNS. Temos dois exemplos claros das últimas semanas: a criação das ULS a nível nacional e o diploma das USF. Parecem-nos erros estratégicos, claros, cujo impacto negativo se sentirá mais tarde, apesar de os decisores políticos terem sido alertados para isso.

É nossa convicção que, por muito que entendam que o SNS é importantíssimo, para dar resposta às carências e necessidades de cuidados de Saúde aos cidadãos, grupos e comunidade, o que é certo é que Governos sucessivos, principalmente os do Partido Socialista, o tem feito definhar, não investindo e fazendo-o encolher a nível de oferta de cuidados, de serviços e de recursos humanos, principalmente, enfermeiros e médicos. A realidade inequívoca mostra que Portugal já inverteu a pirâmide etária da população. Temos uma população envelhecida. Como tal, implica maior necessidade e procura/oferta de cuidados de saúde, devido às comorbilidades e porque também a esperança de vida aumentou. E o SNS não pode falhar aos cidadãos!

Quando ouvimos os governantes falar em reorganizar o SNS, está sempre na mente deles o encerramento de serviços e de unidades, criando distâncias de muitos quilómetros de resposta, falhando também aqui a política de futuro, de apoio às famílias e de fixação e desenvolvimento do interior do País. Um último estudo sobre a reorganização das maternidades e serviços de obstetrícia e blocos de partos foi indicador disso. Situação que já se viveu em tempos, com o Ministro da Saúde do PS de então – Dr. Correia de Campos – com encerramento de maternidades. O País só empobreceu com isso!

Voltamos a dizer que o SNS não pode falhar aos cidadãos, que anos e anos a fio contribuíram com os seus impostos para que o Estado respondesse às suas obrigações, principalmente na Saúde, um dos principais pilares das Sociedades modernas, evoluídas e democráticas.