Religião

O Dia Mundial da Religião

Autor
  • Donizete Rodrigues
180

O Dia Mundial da Religião é um momento ecuménico para promover a convivência, o interconhecimento e o diálogo inter-religioso, buscando um futuro livre de preconceito, discriminação e intolerância.

Nos dias de hoje, uma das problemáticas mais importantes — e que merece uma ampla e profunda reflexão — é a presença da religião no espaço público, em particular as (quase sempre) conflituosas relações entre os movimentos religiosos, a sociedade civil e o Estado. Na verdade, historicamente, as religiões/Igrejas sempre estiveram no domínio público, nomeadamente, como uma poderosa força económica e política.

Um dos exemplos da sua presença no espaço público é o Dia Mundial da Religião, comemorado sempre no terceiro domingo de cada mês de janeiro; em 2019, será no dia 20. É uma data muito importante, não só do ponto de vista da fé (do seguidor de um movimento religioso), mas, também, é uma boa oportunidade para reforçar o debate sobre a relação da religião e a sociedade: por um lado, como a religião influência a sociedade – infelizmente, mais como um elemento promotor de conflitos/guerra do que de paz — e, por outro, como a sociedade lida com o fenómeno religioso hoje.

Esta comemoração foi inicialmente criada pela “Assembleia Espiritual dos Baha’is” dos Estados Unidos, em 1950. De caráter universalista, esta data passou a ser celebrada também por outras religiões, como forma de incentivar o diálogo e o entendimento inter-religioso.

Mas quem são os Bahá’is? De forte influência islâmica (do ramo xiita), este movimento religioso foi fundado, no século XIX, na antiga Pérsia (hoje Irão), pelo líder espiritual Bab; nascido em 1819, foi perseguido pelo governo da época e executado em 1850. O seu sucessor foi Bahá’u’lláh (1817-1892) que, fugindo das perseguições, instalou-se na cidade de Haifa, Israel, onde hoje é a sede mundial. No início do século XX, expandiu-se para outras regiões da Ásia (Índia), África e, principalmente, para a Europa e Estados Unidos, contando hoje com cerca de 5 milhões de seguidores em todo o mundo.

Enfatizando a união espiritual de toda a humanidade, a sua doutrina baseia-se em três princípios filosóficos-religiosos principais:

  1. Unicidade de Deus – existe apenas um único Deus, fonte de toda a criação, de toda a existência. A espiritualidade de todas as religiões no mundo provém deste Deus único.
  2. Unidade da religião – todas as grandes religiões históricas partilham a mesma origem divina; por isso, possuem os mesmos princípios, as mesmas verdades espirituais. Ao longo da história da humanidade, as religiões evoluíram por etapas/fases, através de revelações progressivas: os grandes líderes espirituais – como Abraão, Buda, Jesus, Maomé, Bab – são, na verdade, manifestações humanas de Deus, os testemunhos, os profetas, os mensageiros. Portanto, só há uma religião, que é revelada por Deus em diferentes estágios históricos, para promover a unidade e a salvação do mundo.
  3. Unidade da humanidade – todos os seres humanos foram criados por Deus como iguais, como uma família humana, com os mesmos direitos e deveres; por isso, é necessário respeitar todos os povos, todos os grupos étnicos-raciais. Partilhando estas ideias, o propósito do ser humano é buscar e amar a Deus, através de orações, reflexões e praticando a solidariedade.

Como todas as religiões, a fé Bahá’i defende uma série de códigos éticos-morais e estabelece rituais religiosos e regras de comportamento, tais como: leitura/estudo dos ensinamentos/mensagens, celebrações comunitárias das datas de nascimento e morte dos principais líderes religiosos, orações diárias, jejum, contenção sexual, defesa do casamento (contra o divórcio), abstinência de álcool e drogas, proselitismo, contribuição monetária e peregrinação ao locais sagrados, nomeadamente ao Centro Mundial Bahá’i, em Haifa.

Qual a razão do Dia Mundial da Religião? É um importante momento ecuménico para promover a convivência, o interconhecimento e o diálogo inter-religioso, buscando, desta forma, um futuro livre de preconceito (racial, étnico, nacional, social, género, sexual), discriminação e intolerância religiosa. Assim, é possível buscar uma maior igualdade, harmonia entre todas as religiões, união entre as nações e a promoção da paz mundial.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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