Este sábado foi a apresentação pública do Movimento 5 do 7. Começo por dizer que sou um dos fundadores e sou amigo do Miguel Morgado, promotor do movimento. Mas isso não me impede de escrever sobre o MOV 5.7, desde que a minha relação seja clara e assumida.

O nome do movimento, a data em que se assinou o primeiro acordo da Aliança Democrática, tem um significado político grande. Constitui o momento fundador da direita democrática portuguesa. O PSD de Sá Carneiro, o CDS de Freitas do Amaral e Amaro da Costa, e o PPM de Ribeiro Telles perceberam que podiam construir uma alternativa de direita às esquerdas que estavam no poder desde 1975. Sabiam que existia um povo português que não se sentia representado por socialistas e por comunistas e que desejava ser mobilizado politicamente. Assim aconteceu, e a AD ganhou com maioria absoluta. A revolução democrática concluía-se com a normalização da direita. Cinco anos depois do 25 de Abril, os portugueses estavam dispostos a confiar na direita para governar.

40 anos depois, as direitas enfrentam um desafio semelhante. Os três anos de troika, entre 2011 e 2014, serviram para as esquerdas atacarem a legitimidade da direita de um modo que recorda os ataques da segunda metade da década de 1970. Não vale a pena regressar a 2015. O PSD e o CDS perderam a maioria absoluta, e o PS fez o que tinha a fazer para chegar ao poder. As direitas não se devem queixar. Devem antes aprender para não repetir erros.

Todos nós – nas direitas – sabemos e dizemos várias vezes que nos últimos 24 anos (desde 1995), o PS governou 18 anos e as direitas apenas 6 anos. Foram duas décadas e meia de estagnação económica e com uma bancarrota que exigiu uma intervenção externa. A história mostra que os socialistas são os grandes responsáveis; estiveram quase sempre no poder.

Mas há uma lição que as direitas não podem esquecer. Nos seis anos em que governaram, estiveram no governo, mas não no poder. Nos últimos 25 anos, as direitas têm servido para arrumar e limpar a casa socialista quando a festa chega ao fim. Depois da casa arrumada e limpa, os socialistas regressam para mais festa. Eis a história da política nacional nas últimas duas décadas e meia. É verdade que nos dois casos, em 2002 e em 2011, as direitas chegaram ao poder em circunstâncias especiais. Primeiro porque Guterres abandonou o governo inesperadamente. Em 2011, porque o país faliu. Mas devemos reconhecer que o PSD e o CDS não estavam preparados para governar com políticas radicalmente diferentes das socialistas. Como mostram os 25 anos de estagnação, se Portugal quiser mudar a sério, crescer economicamente, dar mais oportunidades aos seus cidadãos, especialmente aos mais jovens, e construir mais justiça social, é fundamental uma ruptura com as últimas décadas. Se continuarmos na mesma, o destino é certo: empobrecimento e resignação a um país remediado e medíocre.

Portugal não pode estar condenado à mediocridade e à estagnação a que os governos socialistas nos levaram. É contra isso que o MOV 5.7 quer combater. Pretende ainda construir os fundamentos intelectuais e culturais para as direitas governarem um dia com políticas diferentes, bem diferentes.

Os ataques já começaram e, muitos deles, procuram partidarizar o Movimento. As mesmas pessoas que passam a vida a lamentar que não haja discussão política fora dos partidos, quando aparece um Movimento que o pretende fazer, é imediatamente atacado por uma suposta subordinação a agendas partidárias. Estão enganados. Podem continuar com esses ataques que não nos assustam nem intimidam. As esquerdas têm que se habituar que não são donos de Portugal e que há quem pense de uma maneira muito diferente. As direitas não vão parar, nem desistir. Há muitos portugueses que querem respostas diferentes, que não estão satisfeitos com o país onde vivem. E serão cada vez mais.

Uma das vocações do MOV 5.7, na minha opinião a mais importante, é procurar entender os milhões de portugueses insatisfeitos e encontrar as respostas adequadas. Tem por isso muito trabalho a fazer. Portugal é muito mais do que as esquerdas que nos governam, do que os jornalistas que andam a dizer o mesmo há quase três décadas, dos dirigentes sindicais que ocupam as televisões desde o século passado, e que são cúmplices da grande estagnação socialista. O MOV 5.7 tem que compreender e encontrar respostas para as ambições dos jovens portugueses, dos agricultores e comerciantes, dos pequenos empresários, dos profissionais liberais que querem mais oportunidades e sobretudo viver num país diferente. As esquerdas são incapazes de oferecer um Portugal diferente. A sua ambição é apenas manter as coisas como estão, tirar recursos aos portugueses, e controlar o máximo possível a nossa sociedade.

As direitas também devem entender que muitos desses portugueses, que lutam por um país diferente e que recusam a resignação, estão na função pública. O Estado não deve ser usado como um instrumento de controlo, mas isso não significa que se ataque a função pública. Na minha vida profissional conheci e trabalhei com funcionários públicos excelentes e com um sentido de entrega profissional exemplar. Na minha área profissional, foram sobretudo diplomatas e militares. Tenho a certeza que muitos deles não estão satisfeitos e também querem viver num país diferente. Querem servir instituições públicas que premeiem o mérito, a excelência e onde encontrem oportunidades de promoção e de realização profissional. As direitas não podem abandonar o funcionalismo público. Pelo contrário, devem saber defender uma ideia de Estado atrativo para profissionais ambiciosos, sérios e trabalhadores. As esquerdas não são capazes de o fazer.

Em 1979, o PSD, o CDS e o PPM perceberam que uma maioria de portugueses queria um país diferente, e não se resignava ao Portugal socialista e comunista de 1975. Em 2019, também há uma maioria de portugueses que não está satisfeito com o presente (se assim não fosse, o PS não estava estagnado nos 37% nas sondagens), e que está à espera de quem os faça acreditar que é possível construir um país diferente, com mais oportunidades e mais riqueza. Como mostram os últimos 25 anos, os socialistas não são capazes. Se as direitas também não o conseguirem, Portugal está tramado. O MOV 5.7 acredita que Portugal não tem que estar tramado.