Pedro Marques está terrivelmente baralhado.

(Desculpem: não devia ter começado assim. Possivelmente, não estão a ver quem é. Pedro Marques foi ministro do Planeamento e das Infraestruturas durante quatro anos e gozou de uma existência política relativamente clandestina até António Costa ter decidido, há umas semanas, pô-lo a fazer promessas fantasiosas sobre obras públicas. Para quem ainda não estiver a ver quem é, fica aqui uma fotografia.)

Vamos então começar outra vez, agora com a informação toda: Pedro Marques (esse mesmo) está terrivelmente baralhado.

Este fim de semana, quando foi apresentado como cabeça de lista do PS às eleições europeias, Pedro Marques jurou, exibindo toda a sua esforçada retórica, que é contra a “Europa da troika”. Em política, é sempre bom ser contra qualquer coisa, tendo em conta que os inimigos externos tendem a ajudar à união das tropas. Além disso, a expressão “Europa da troika” tem a indesmentível sedução de ficar no ouvido. Mas, mesmo assim, temos de admitir que é estranho escutar um ex-ministro do PS a falar desta forma, como se tivesse encarnado o espírito missionário de Francisco Louçã. Afinal, se os factos ainda valem para alguma coisa em política, Pedro Marques devia saber que foi a “Europa da troika” que, em 2011, quando o primeiro-ministro socialista José Sócrates deixou os cofres do Estado miseravelmente vazios, nos emprestou dinheiro para pagarmos os salários dos funcionários públicos e outras minudências semelhantes.

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