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1. Se há algo que este Verão nos trouxe foi o fim do ‘lado bonzinho’ do Bloco de Esquerda (BE) — o partido bom que só luta contra os porcos capitalistas (praticamente todos os cidadãos que detém algo) que exploram sadicamente os portugueses e o Estado. E o fim da forma benevolente com que a comunicação social sempre olhou para um partido que tem na sua origem alguns dos partidos mais extremistas e radicais que alguma vez foram criados durante o Portugal democrático: o Partido Socialista Revolucionário (PSR) e a União Democrática Popular (UDP).

O escrutínio jornalístico do caso Robles — o primeiro escrutínio a sério que alguma vez foi feito ao Bloco — expôs até à exaustão a hipocrisia política de um dos seus mais importantes dirigentes. Mas também expôs outras características de um projeto político que é muito mais banal do que a propaganda bloquista quer fazer crer.

2. O populismo. A principal bandeira eleitoral de Ricardo Robles passou por transformar a lei de liberalização do mercado de arrendamento aprovada em 2012 pelo governo Passos Coelho numa espécie de expulsão em massa de idosos e de jovens dos centros de Lisboa e do Porto. Ignorando a desertificação daqueles centros urbanos que começaram há mais 20 de anos ou o grau de degradação do edificado por falta de atualização das rendas, ignorando ainda a proteção que a lei atual dá aos idosos com mais de 65 anos, o BE (tal como o PCP) conseguiu criar, com a ajuda dos media, uma realidade paralela com casos de despejo alegadamente ilegais que são claramente minoritários — e não uma realidade paradigmática.

A queda de Robles devido aos seus fantásticos investimentos imobiliários promovidos pela lei de liberalização do mercado que o Bloco de Esquerda tanto contesta, acabou por expor a falta de credibilidade das críticas populistas do Bloco.

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