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Em Junho passado, na Assembleia da República, o grupo parlamentar socialista negou que os números baixos da epidemia em Portugal tivessem sido sorte. Nada disso. Conforme explicou então uma deputada,  “o vírus teve, diria eu, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um governo capaz”. Que sorte teve agora o vírus, para Portugal exibir há vários dias dos piores resultados do mundo em infecções e em mortes? O governo deixou de ser capaz? Não, diz a oligarquia socialista. O governo é excelente. De modo que, por exclusão de partes, fica o povo, para sofrer mortes e infecções, e ainda carregar com as culpas (repartidas, entretanto, com a Inglaterra, por causa da sua “variante”). Mas resta a questão: porque é que um povo tão “experimentado” em Abril, perdeu essa “experiência” em Dezembro e Janeiro? Não teve o governo nada a ver com isso? Só no Brasil e nos EUA é que os governantes têm responsabilidades pelo descontrole da epidemia?

O Estado é-nos recomendado hoje em dia como o único mecanismo capaz de respostas eficazes em tempo de crise. Ora, o que temos de concluir em Portugal, pelos resultados nesta fase da epidemia, é que não foi. E o que temos de concluir, pelos resultados de outros países vizinhos, é que poderia ter sido. Nada disto era inevitável. Morreram em Portugal, sob este governo e as suas autoridades sanitárias, pessoas que poderiam não ter morrido.

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