Se a direita não acreditar que vai ganhar as eleições legislativas de 10 de Março, acabará por perdê-las. Às vezes, as coisas são mesmo assim tão simples: só ganha quem estiver convicto da vitória — mobilizando à sua volta para esse desfecho. E, fatal como o destino, quem entrar em campo com as pernas a tremer terminará conformado com a derrota.

Ora, o eleitorado da direita entrou cabisbaixo na pré-campanha eleitoral. O balanço do que tenho ouvido e lido desanimaria qualquer optimista. Uns dizem-se pouco entusiasmados com o PSD sob a liderança de Montenegro. Outros lamentam a saída de Cotrim Figueiredo da liderança da IL. Há quem insista em coligações pré-eleitorais (PSD+IL+CDS) que, percebeu-se logo, são inviáveis à nascença. Há quem reabra discussões já fechadas sobre a relação do PSD com o Chega. E há quem suspire por Pedro Passos Coelho, como se fosse sequer razoável o PSD entrar agora em processo eleitoral interno. Ou seja, reina a desorientação. E, consequência lógica para quem não sabe para onde quer ir, há poucos a antecipar que, no dia 10 de Março, existirão motivos para festejar.

Esta desorientação impressiona-me duplamente. Desde logo, pelo contraste com o PS. Os socialistas viram o seu governo cair de podre, à conta de investigações judiciais sobre ministros e um chefe de gabinete que escondia milhares de euros em São Bento — após anos de informalidades e promiscuidades entre governação, amizades e relações familiares. Seria motivo para esconder a cabeça debaixo do chão. Mas, em menos de uma semana, os socialistas resolveram o que tinham a resolver: esqueceram António Costa e entusiasmaram-se com Pedro Nuno Santos. O seu pragmatismo revelou-se implacável, movido pelo objectivo de preservar o espaço hegemónico do PS na política portuguesa.

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