Estas escola existe e é a mais influente no meio jornalístico, político e cultural. Criou um vocabulário próprio, tem os seus mestres, heróis e discípulos. Aqui fica uma breve introdução à Pensamento Positivo School of Economics and Political Science.

Almofadas – Antigo artefacto usado para dormir e que nas casas que aparecem nas telenovelas e nas revistas não só combinam sempre umas com as outras como estão invariavelmente arrumadas com precisão geométrica. No argumentário da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science as almofadas preencheram durante algum tempo um importante espaço: se havia uma almofada financeira devia usar-se o dinheiro da almofada para fazer menos cortes nas pensões, dar mais ou menos leite com chocolate nas escolas… Depois as almofadas deram lugar às folgas.

Folgas – Quando para a Pensamento Positivo School of Economics and Political Science se tornou óbvio que por ausência de almofadas os portugueses iam partir para a revolução, a geologia substituiu a “Caras Decoração” no imaginário da nossa dilecta escola político-mediático-económica e as almofadas deram lugar às folgas. Era de ciência certa que os desalmofadados fariam uma revolução social com características similares ao choque das placas tectónicas. Só uma utilização das folgas financeiras permitiria que os magmas e ondas resultantes da revolta não fizessem de Portugal uma Pompeia social.

Bazucas – Ao contrário da almofada, que era marcada por uma perspectiva assistencialista, e da folga, que estava eivada de uma visão revolucionária, a bazuca recupera o dinâmico imaginário pré-crise da alavanca. (Quantos pavilhões gimnodesportivos se construíram para alavancar a economia?) Só que enquanto alavancar demora o seu tempo, bazucar é, como bem se tem visto, um coisa quase instantânea. Na Pensamento Positivo School of Economics and Political Science vive-se agora na jihad económica da bazuca do BCE. E se falhar? Se falhar, dizem, com a calma dos predestinados, os discípulos da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science, não há mais nada a fazer. Como se sabe um dos problemas dos teóricos da bazuca, sejam as bazucas reais ou figuradas, é que a sua profunda fé nunca os deixa equacionar a possibilidade de estarem errados e portanto nunca concebem planos de retirada. Não adianta pensar que no dia em que se fizer a avaliação da bazucagem se pode contar com a reflexão da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science. Como em todas as outras vezes eles não param para pensar e já estarão afincadamente a trabalhar noutro paradigma. Tendo em conta esta evolução de almofadas para folgas e de folgas para bazucas o item seguinte será muito provavelmente do domínio da culinária: panela de pressão ou passador chinês. Picadora também é uma hipótese a não descartar.

Empréstimos – Nos últimos anos a Pensamento Positivo School of Economics and Political Science tem produzido vasto pensamento sobre a questão do empréstimo. Depois de os seus membros mais radicais terem feito uma bandeira do não pagamento dos empréstimos, os maiores pensadores da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science defendem agora não só que o empréstimo é um direito humano como que se deve criminalizar a recusa do empréstimo. Os discípulos da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science não querem de modo algum cortar relações com o capital, a UE ou o FMI. Isso é coisa do passado. Querem sim, exigem e têm direito a que o seu programa, as suas políticas e a sua revolução sejam subsidiadas pelos contribuintes dos outros países. Um dos mais interessantes contributos do Syriza, uma linha extremista da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science, é precisamente a actualização da velha palavra de ordem do “Morte ao imperialismo e a quem o apoiar” pelo “Imperialistas ficam, pagam e emprestam”.

Carlos Santos Silva – É a nova coqueluche da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science. Tendo terminado as experiências de criar comunidades auto-sustentáveis em Itália, estando descredibilizado o modelo tentado na sevilhana Marinaleda, a Pensamento Positivo School of Economics and Political Science estuda agora atentamente o modelo Carlos Santos Silva, um homem que empresta o que lhe pedem sem anotar quanto nem para pagar quando.

O sector católico da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science tem diligenciado para que o bom Papa Francisco se venha a interessar por este modelo de financiamento de inspiração notoriamente cristã. A atitude de Carlos Santos Silva enquanto credor pode representar uma revolução na habitual relação que se estabelece entre quem empresta (o poderoso) e quem pede (o fraco). A incapacidade de sectores mais retrógados da sociedade portuguesa em perceber a superioridade moral inerente a este modelo de financiamento dá bem conta do muito que há para fazer neste país em matéria de revolução das mentalidades.

Energias positivas – Uma medida não é boa por si mesma mas sim por ter sido ou não tomada pelos membros da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science. Logo François Hollande pode falar de segurança sem ser acusado de sofrer de paranóia securitária. Ou Obama poder continuar a anunciar, como aliás faz ininterruptamente há sete anos, que vai fechar Guantanamo sem que ninguém se ria. É tudo uma questão da medida estar do lado da energia positiva.

A verdadeira questão – O domínio da verdadeira questão é um exercício estrutural para os membros da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science. Por exemplo, um crime praticado por alguém que se tenha notabilizado por perfilhar os ideais da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science não é bem um crime. É uma situação mal interpretada, mais a mais praticada em circunstâncias que temos que determinar. Mas a verdadeira questão não é essa, como logo frisarão os membros da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science, mas sim que o conhecimento que temos dessas situações está viciado à partida.

A isto junta-se que na Pensamento Positivo School of Economics and Political Science não se cometem erros. Às vezes, forças exteriores reaccionárias, neo-liberais e retrógradas impedem os seus objectivos de serem concretizados. E independentemente de tudo, o que se deve discutir não são os resultados a que as políticas da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science nos conduziram mas sim as medidas de emergência a que elas levaram. Logo os portugueses experimentaram dificuldades várias não porque em 2011 o país tenha falido e o governo se tenha visto obrigado a fazer um pedido de ajuda externa, mas sim porque os credores nos impuseram determinadas condições. Assim a verdadeira questão não foi nem é a bancarrota mas sim a austeridade. A definição da verdadeira questão é um dos tópicos obrigatórios do Pensamento Positivo School of Economics and Political Science.

Sem verdadeira questão não existe Pensamento Positivo School of Economics and Political Science: um homem mata judeus em Paris e a verdadeira questão está não no terrorismo em si mas sim nas políticas económicas defendidas pela Alemanha e contra as quais, por sinal, foi eleito o actual Presidente francês. Mas isso nunca será uma verdadeira questão para a Pensamento Positivo School of Economics and Political Science.

Predestinação – Antigamente era o socialismo científico. Agora que o fado perdeu o estigma do fascismo até pode ser a sina traçada nas linhas da palma da mão. Outros dirão que é o resultado do alinhamento dos chakras. Não interessa, que nesse aspecto a Pensamento Positivo School of Economics and Political Science é muito aberta a qualquer explicação desde que ela enquadre os seus dogmas. Estes funcionam como uma espécie de predestinação. Assim qualquer mortal que não queira andar por aí a fazer figura de parvo tem de garantidamente saber que, dê a realidade as voltas que der, os dogmas da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science garantem que tudo aquilo que for decidido contra o pensamento da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science, mesmo que democraticamente, terá de ser revisto. Por exemplo, foi chumbada mais uma vez em Portugal a adopção por casais homossexuais mas o que há a salientar é que “ainda” não foi aprovada. E assim terá de ser. Questionar essa predestinação está ao nível da blasfémia.

Jornalismo – Alguém que se apresente como fazendo parte da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science conta à partida com uma garantia: terá de se explicar muito menos. Para os jornalistas a superioridade moral dos membros da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science é óbvia, logo, mesmo quando discordam deles, perguntam-lhes muito menos. Ou, se quisermos, as questões incómodas vão em versão light. Um caso evidente deste tratamento português suave reservado aos protegidos da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science é o do Syriza cujo programa me parece que nenhum repórter leu, pois se o tivessem feito talvez não fizessem aquelas reportagens que parecem decalcadas das pretéritas que dedicaram à Primavera árabe e em que confundiram o que queriam ver com o que estavam a ver. Só este óbvio afastar do que não fica bem na fotografia explica que até ao momento em que escrevo ninguém tenha inquirido o PS sobre a simpatia que mostra publicamente para com uma vitória do Syriza. O que consta do programa do Syriza em matéria de justiça, forças de segurança e imigração põe em causa não apenas a liberdade na Grécia mas também na UE. E é manifestamente incompatível com aquilo que um partido democrático deve apoiar.

Mas o jornalismo não costuma deixar que a realidade estrague as festas da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science.