Ui, que forte depressão assola o nosso país por estes dias. E também temos a Bárbara. Mas referia-me mesmo à depressão que é acompanhar este arremedo de negociação do Orçamento do Estado para 2021, entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda. No fundo, é uma espécie de encenaçãozinha parva, pelo que não surpreende que os principais protagonistas sejam a reputada intérprete, Catarina Martins, co-adjuvada por Aquele Cuja Habilidade o Precede, António Costa. Assim sendo, não causa espanto que, ao passar pelo nosso país, a depressão Bárbara tenha ficado tão deprimida que, logo que possível, fugirá, para ir deprimir para outras paragens menos deprimentes.

Para que paragens a Bárbara irá, não sei, mas como não ouvi dizer nada sobre isso palpita-me que vá na TAP. A julgar pelo inaudível alarido causado pelo anúncio do Ministro das Infra-estruturas de que 1.600 trabalhadores da transportadora serão despedidos até ao fim do ano, parecem reinar agora na companhia os mais absolutos silêncio e tranquilidade. Sob a égide de António Costa, a TAP é um spa.

E já que mencionei António Costa, aproveito para mencionar de novo António Costa. Enquanto se pode. Sim porque, se o Primeiro-Ministro já arranjou forma de mandar no Banco de Portugal e no Tribunal de Contas, o que é que lhe custa, um dia destes, mandar também na Sociedade Portuguesa de Autores? Rigorosamente nada. E a primeira medida do todo-poderoso Costa será, em princípio, proibir que o seu nome seja mencionado em vão. Pelo menos, era o que eu faria no lugar dele.

António Costa — lá está, a aproveitar de novo — que deverá estar a seguir com atenção a polémica entre a Ordem dos Cobardes dos Médicos e os Cobardes dos Médicos Pela Verdade quanto ao uso de máscara. Um frente-a-frente destes, entre indivíduos de um certo e determinado grupo profissional e outros indivíduos desse mesmo certo e determinado grupo profissional, não se via em Portugal desde 1989. Ano em que uma manifestação de polícias, reprimida com canhões de água por outros polícias, entrou para a história como os “secos e molhados”. Nesta reedição desse clássico, agora com profissionais da medicina, parece-me que quem vai sair encharcado são os Médicos Pela Verdade. Também ninguém lhes manda apanhar uma chuvada de liberdade de expressão.

Por mim, os doutores podem andar à bulha à vontade, desde que o façam fora do horário de expediente. É que nos próximos tempos espera-se sobrecarga de trabalho. E não tem nada a ver com a COVID. Nem sequer com a gripe. Quer dizer, tem um bocadinho a ver com a gripe. Não com o facto de ser necessário acudir pacientes com gripe, mas sim por ser preciso socorrer doentes que viram o Presidente da República a vacinar-se contra a gripe. Isto porque não é possível passar incólume a ainda mais um visionamento do tronco nu do Presidente. Já tínhamos acabado o verão com uma sobredosagem de tronco nu de Marcelo e agora, de repente, dá-se isto. Resultado, filas intermináveis de utentes à porta dos hospitais a requisitarem tratamento para a overdose de tronco nu do Presidente da República.

Mas para quem insinua, maldosamente, que, no meio de uma pandemia, o Presidente da República passou demasiado tempo na praia, aqui fica uma prova que o magistério de influência de Marcelo funcionou. Neste caso nas escolas. Os ministros da Educação e da Administração Interna atestaram que o ciberbullying cresceu durante a pandemia. Ou seja, mesmo apesar das limitações impostas pela pandemia, conseguiu-se que, ao nível do bullying, as escolas continuassem a funcionar normalmente. Bem bom.