Com a devida permissão do primeiro-ministro, gostava de lhe sugerir mais nomeações normalíssimas, semelhantes às que acaba de fazer para a ERSE. Por exemplo João Galamba para a RTP, agora que o cargo de director de informação ficou vazio. Ou, apesar de já não ir a tempo, o seu grande amigo Lacerda Machado para procurador-geral da República, pelos seus vastos conhecimentos jurídicos, entre muitos outros. Indo mais longe, se a Justiça entretanto não actuar, tem sempre Manuel Pinho para a Autoridade da Concorrência, Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro para a Anacom, e até Armando Vara, porque não, para o Banco Portugal. E, se quiser prescindir de Carlos César no partido, seria uma escolha experimentada para a CRESAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública. Quanto à ERC, deixo-a ao critério de António Costa, não lhe faltarão nomes.

Esta ironia e sarcasmo não é exagerada perante o grave caso em questão. Trata-se de uma absoluta desfaçatez.

É suposto uma reguladora ser independente. Estar acima de todas as dúvidas. Não levantar qualquer suspeita em nenhuma das suas decisões. Escolher um deputado do PS para a entidade Reguladora da Energia numa altura em que há claramente uma guerra aberta entre o governo, a EDP e António Mexia é logo por si uma falta de bom senso. Mas infelizmente é muito mais que isso. Significa governamentalizar o cargo. Instrumentalizar. Dar emprego a mais um boy. Ser totalitário.

Não conheço Carlos Pereira. Dizem-me apenas que não é especialista em energia. Que está na Comissão de Inquérito às rendas excessivas das energéticas quieto e calado. Que os cargos que recentemente foi ocupando só serviram de preparação para agora dar o salto para o lugar para que ia ser nomeado. Mas sei que já passou por outra Comissão de Inquérito de má memória, aquela à Caixa Geral Depósitos que ilibou o PS de qualquer interferência política nos créditos concedidos a tanta gente boa, que ninguém nos deixa saber quem foi. A que depois nos custou 4 mil milhões de injeção de capital no banco público. E que isso não abona a seu favor.

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