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É uma autêntica revolução no BES, a que Marques Mendes anunciou no seu habitual comentário de sábado na SIC. Uma “operação relâmpago”, nas palavras do ex-líder do PSD, ou uma “terceira via”. Nas suas linhas gerais, a versão de Mendes bate certo com o que duas fontes disseram hoje ao Observador: penalização dos responsáveis pela situação do banco e uma via diferente para financiar a instituição, mais indireta, usando os fundos da troika.

Na prática, a concretizar-se tal e qual como anunciou, implica desde logo a divisão do banco em dois. Só um se continuará a chamar BES, mas este fica limpo dos ativos tóxicos identificados nas contas semestrais apresentadas esta semana. E deste são afastados da noite para o dia (de segunda-feira) os atuais acionistas. Entre os quais a família Espírito Santo, o Crédit Agricole, ou o Bradesco incluídos — mas não só. Todos eles ficarão responsáveis, isso sim, com a gestão do que resta, os tais ativos tóxicos, que ficarão num segundo banco, criado de novo. O tal ‘bad bank’ que foi anunciado ontem pelo Jornal de Negócios como estando em estudo no Banco de Portugal.

Voltando ao novo BES, que vai surgir “de cara lavada” na segunda-feira de manhã, disse Mendes, vai ter um só acionista, o Fundo de Resolução, uma nova entidade jurídica que foi posta em lei há cerca de um ano e meio. Este veículo financeiro terá três pessoas no conselho diretivo e será “abastecido pelos bancos que existem no país”.

Para funcionar e financiar o BES, precisará do dinheiro do Estado (o que foi enviado pela troika), de 4 a 5 mil milhões de euros. Será por seis meses, disse Mendes. Depois será pago de volta, após uma operação de venda do banco em bolsa. E já há interessados, garantiu ainda. Mas, note-se, até lá os privados não vão entrar no banco. Aqui estão, em síntese, as voltas que pode levar o BES, na versão de Marques Mendes:

  • “Na segunda-feira, na prática, nasce um novo banco, com o mesmo nome e estrutura acionista completamente diferente onde estará tudo aquilo que são ativos bons e de fora fica tudo o que é lixo.”
  • O único acionista do BES será o Fundo de Resolução, criado em 2012, por imposição da troika para evitar que o Estado financie empresas de crédito e de investimento em  dificuldades financeiras, como aconteceu com o BPN. O Fundo de Resolução é uma entidade jurídica “abastecida” pelos bancos que existem no país.
  • Os acionistas atuais desaparecem do novo BES e passam para o “banco mau”, com uma “forte penalização”. “Se há lucros, os acionistas do banco ganham com isso, se há prejuízos devem ser os primeiros a pagar a fatura”, disse.
  • Segundo a informação de Marques Mendes, o banco vai aumentar o seu capital entre 4 e 5 mil milhões de euros, que vêm do Fundo de Resolução e não diretamente do Estado.
  • A linha de financiamento que foi criada pela troika, que está no Estado com 6,4 mil milhões, vai  emprestar ao Fundo de Resolução, dinheiro que depois é pago quando o banco for vendido — daqui a seis meses no máximo, disse. Se o banco não for vendido ao preço do empréstimo, será encontrada outra solução. O comentador sublinhou que o dinheiro da troika vai para o Fundo e não diretamente para o BES.
  • A intenção é que isto seja uma solução transitória, cujo objetivo é que que nos próximos seis meses o banco “fique sem lixo”, e que depois seja feita uma Oferta Pública Inicial (IPO), quando as ações são vendidas em bolsa pela primeira vez. Marques Mendes avançou que o BES deixará de estar na bolsa e que, “segundo o que ouviu dizer”, existem já dois bancos europeus interessados no BES, que podem entrar na altura do IPO.

 

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