A Grécia deu finalmente a conhecer as suas propostas para a negociação que quer fazer com os parceiros europeus e deixa cair um perdão parcial direto da sua dívida, propondo em vez disso substituir a dívida que tem por obrigações indexadas ao crescimento da economia e obrigações perpétuas.

Yannis Varoufakis, o ministro das Finanças da Grécia, deu a conhecer as propostas em Londres, numa entrevista ao jornal económico britânico Financial Times, e diz que a Grécia pretende apresentar um leque de operações de troca de dívida.

O primeiro tipo de obrigações seria para substituir os empréstimos europeus à Grécia, que seriam então trocados por obrigações indexadas ao crescimento nominal da Grécia (crescimento real mais o efeito dos preços no valor do PIB). O ministro não deu mais detalhes sobre esta proposta. O segundo tipo seriam obrigações perpétuas, que substituiriam a dívida que o Banco Central Europeu tem no balanço atualmente e que vão vencer nos próximos meses. Com a troca por obrigações perpétuas, a Grécia deixava de ter um prazo para pagar a dívida ao BCE, ficando ainda assim obrigada a pagar juros todos os anos até que o fizesse.

A proposta, segundo Varoufakis, é uma forma de “engenharia inteligente de dívida” que permitiria aos políticos europeus não usar o termo reestruturação ou perdão de dívida e também não implicaria uma perda direta e imediata para os contribuintes, o que faria com que fosse mais fácil para os políticos defenderem estas ideias junto dos seus Parlamentos.

“O que vamos dizer aos nossos parceiros é que estamos a construir uma combinação de excedente orçamental e uma agenda de reformas. (…) Eu vou dizer ‘ajudem-nos a reformar o nosso país e deem-nos margem orçamental para o fazer, caso contrário vamos continuar a sufocar e vamo-nos tornar uma Grécia deformada, em vez de reformada”, disse o governante.

Para isto, explica Yannis Varoufakis, o Governo grego iria manter um excedente orçamental primário (sem contar com os juros pagos) entre 1% e 1,5% do PIB, mesmo que isso implicasse que o Syriza não cumprisse as promessas de aumento da despesa que fez durante a campanha. As propostas da Grécia passam ainda por conseguir uma espécie de linha de crédito de quatro meses, até 1 de junho, de 1,9 mil milhões de euros. Além disso, o BCE teria de prometer que iria fornecer liquidez suficiente aos bancos gregos para que estes sobrevivessem.

O Governo grego quer apresentar as suas propostas até ao final de fevereiro aos parceiros europeus e ao Banco Central Europeu.