Dois polícias foram baleados na madrugada desta quinta-feira em Ferguson, cidade norte-americana onde, a 9 de agosto, um agente matou a tiro Michael Brown, jovem negro de 18 anos, e espoletou uma série de protestos na localidade do estado do Missouri. Os disparos contra os dois agentes aconteceram enquanto cerca de 75 pessoas celebravam, diante da esquadra, a demissão de Thomas Jackson, chefe da polícia de Ferguson.

As autoridades já confirmaram os disparos. Um dos agentes foi atingido na cara, tem 32 anos e pertence ao departamento da polícia de Webster Groves, cidade que dista cerca de 22 quilómetros de Ferguson. O outro agente, de 41 anos e da esquadra local, foi baleado no ombro. John Belmar, membro da polícia da cidade, indicou que, para já, ainda não há suspeitos identificados. “Este é um ambiente muito perigoso para os nossos agentes trabalharem”, resumiu, citado pelo St. Louis Post Dispatch.

Pouco passava da meia-noite local (5h em Portugal Continental) quando os disparos foram ouvidos. Os agentes foram transportados para um hospital e, embora o seu estado de saúde seja desconhecido, o mesmo jornal local, citando uma fonte policial, escreveu que ambos vão sobreviver.

Thomas Anderson demitiu-se na quarta-feira do cargo de chefe da polícia de Ferguson, na sequência de um relatório redigido pelo Departamento de Justiça do governo norte-americano, no qual considerou que as forças de autoridade locais violaram os direitos constitucionais dos indivíduos negros.

Desde agosto de 2014 que vários protestos e manifestações têm ocorrido na cidade, após o agente Darren Wilson matar, com seis tiros, Michael Brown, jovem negro de 18 anos. O polícia seria entretanto ilibado de todas as acusações.

Esta, aliás, não é a primeira vez que membros das forças de autoridade são baleados na localidade — em novembro, dois agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation, os serviços secretos do país) também foram atingidos por disparos. Na madrugada desta quinta-feira, entre dois a cinco disparos, segundo relatos de pessoas presentes no local, recolhidos pela CNN, que terão vindo de um edifício no lado oposto da rua onde se encontra a esquadra da polícia. “Não estamos aqui para matar polícias, não gostamos de violência. Demorei pelo menos 30 segundos a perceber que um agente tinha sido atingido”, revelou Markus Loehrer, que estava presente no local, à estação norte-americana.