A correção dos testes de Cambridge, que serão realizados pelos alunos do 9.º ano, será feita durante o horário de trabalho dos professores, como tal não lhes é devido um pagamento adicional. O argumento é do próprio Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que, em comunicado, trata de desconstruir todas as críticas que têm sido feitas a esta prova nos últimos dias.

“Dizer que os professores devem ser pagos por esta tarefa específica não tem qualquer sustentação, uma vez que não se trata de trabalho extraordinário”, afirma o IAVE.

O Instituto frisa que “os professores envolvidos na classificação estão dispensados da componente não letiva durante os períodos em que realizam as provas orais e classificam a parte escrita do teste” e além disso, os docentes “dispõem de oito dias de dispensa da componente não letiva, a gozar após o fim das atividades letivas”.

Na prática, as condições são similares às que se aplicam aos classificadores das provas nacionais “e que se considera uma justa compensação das estimadas 10 a 12 horas de trabalho no processo de classificação e cerca de 12 a 15 horas na realização das provas orais”, conclui o instituto.

O “problema” da gratuitidade deste “serviço” foi levantado pela Fenprof que, juntamente com a Associação Portuguesa de Professores de Inglês, tem contestado também o facto de estes docentes terem de se submeter a um programa de formação e a provas que já começaram na semana passada. Segundo a federação sindical e a associação, esta exigência é uma “humilhação” e põe em causa a formação superior destes docentes.

Mais uma vez o IAVE discorda. “Intitular esta prática como atentatória da dignidade dos professores é desconhecer que este programa de formação decorre de normas e procedimentos a que a própria Universidade de Cambridge está sujeita e é comum a todos os países que aplicam este tipo de testes. Sem essa formação os certificados não poderão ser emitidos”, esclarece.

O IAVE acusa ainda a Fenprof de ter uma “visão marcadamente elitista e antidemocrática do ensino”.

“Ao manifestar-se contra este projeto, a Fenprof parece estar a defender que o acesso à certificação continue limitado às famílias que possam pagar um valor muito superior ao que é praticado através desta iniciativa e às que residam em áreas com oferta privada de ensino das línguas”, acusa o IAVE.

O Instituto reitera que este teste, com o certificado da Universidade de Cambridge, “visa a consolidação da avaliação da proficiência em língua inglesa dos alunos a estudar em Portugal” e lembra que a Universidade de Cambridge é “uma instituição centenária, sem fins lucrativos, e não uma empresa privada”, como a Fenprof tem dito.

Muitos professores de inglês faltaram ao teste esta segunda-feira

Esta segunda-feira, o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) informou que mais de metade dos professores de inglês da zona de Lisboa faltaram ao teste exigido para poderem avaliar a prova com o certificado da Universidade de Cambridge, destinado aos alunos do 9.º ano. A Lusa noticia que cerca de 40 docentes foram selecionados pelos diretores das escolas da área de Lisboa para realizar a prova esta segunda-feira que os irá certificar para poderem corrigir o PET [Preliminary English Test], mas mais de metade dos docentes não fez o teste.

Segundo o representante do sindicato, alguns docentes não compareceram para não prejudicar a atividade letiva e outros recusaram-se a fazer a prova por considerarem injustificado precisarem de um atestado de uma entidade exterior quando já dão aulas de inglês há muitos anos.

Em comunicado, a Fenprof acrescenta ainda que na Escola Secundária Garcia de Orta, no Porto, “dos 25 ‘formandos’, apenas um fez o teste, todos os outros recusaram fazê-lo”. Em Braga, na Escola Secundária de Barcelos, “das duas dezenas de professores presentes todos recusaram fazer o teste por considerarem tratar-se de uma afronta à sua dignidade profissional”. Na Guarda, “em pelo menos uma sala o teste não foi realizado”.

Em 2014 avaliadores eram “voluntários”

No ano passado, a correção destas provas foi voluntária e acabou por resultar em atrasos por falta de classificadores.

Ao Expresso, o presidente do IAVE disse, em fevereiro, que no ano de estreia do “Key for Schools” 1.200 professores disseram estar disponíveis para classificar os exames e para estar presentes nas sessões de “speaking” com os alunos, mas depois apenas 800 acabaram por o fazer. As desistências acabaram por levar a atrasos no processo de divulgação dos resultados, na medida em que a correção dos testes recaiu sobre um baixo número de professores.

Resultados em 2014 ficaram aquém do desejável

Os resultados do teste “Key for Schools” feito em 2014 por 102 mil alunos ficaram aquém do desejável. Quase metade (47%) dos alunos do 9º ano que fizeram o teste demonstraram ter conhecimentos da língua inferiores aos exigidos no 7º ano e apenas um em cada quatro estudantes do 9º ano teve uma nota correspondente ao seu nível de ensino.

O ministro da Educação, Nuno Crato, não ficou indiferente aos resultados e logo na altura anunciou que em 2015 o teste de Cambridge seria mais difícil, até porque na primeira edição da prova, o nível de exigência correspondeu aos conhecimentos que os estudantes portugueses devem ter no 7º ano de escolaridade.

Este ano, o exame aplicado será o Preliminary English Test for Schools (PET) correspondente a um nível de certificação de B1 (utilizador intermédio). Contudo, um aluno que se saia muito bem no teste terá direito a um certificado de nível B2, o equivalente ao First Certificate.

A componente escrita da prova, que se aplicará obrigatoriamente a todos os alunos do 9.º ano, realizar-se-á a 6 de maio do próximo ano e as sessões da componente oral decorrerão entre os dias 7 de abril e 5 de maio de 2015.