Um responsável da construtora brasileira Camargo Correa admitiu que a empresa pagou o equivalente a 33 milhões de euros em subornos à petrolífera estatal brasileira Petrobras, no centro de um escândalo de corrupção, informou no sábado a imprensa local.

Eduardo Leite, antigo vice-presidente da Camargo Correa, afirmou, em depoimento ao Ministério Público Federal, que do total do valor — 110 milhões de reais (cerca de 36 milhões de dólares ou 33 milhões de euros) — 63 milhões de reais (19,1 milhões de euros) foram destinados à área de Serviços da Petrobras, liderada à época por Renato Duque e Pedro Barusco, segundo o portal de notícias G1.

Os pagamentos foram realizados entre 2007 e 2012 e destinavam-se a duas áreas da Petrobras — a dos Serviços e a do Abastecimento –, segundo a declaração divulgada pela TV Globo. O mesmo responsável disse que a Camargo Correa subcontratava empresas terceiras para realizarem serviços em obras da Petrobras, cujos valores eram inflacionados para disfarçar o pagamento de comissões ilegais.

A Camargo Correa é uma de várias empresas de construção suspeitas de ter alimentado, através da Petrobras, um fluxo de fundos secretos destinados ao financiamento dos partidos da coligação do centro esquerda no poder no Brasil. Eduardo Leite e Dalton Avancini, presidente da empresa, estiveram detidos entre novembro e março, altura em que aceitaram colaborar com a justiça, na esperança de verem as suas penas reduzidas.

O caso de corrupção da Petrobras é investigado há mais de um ano e a polícia deteve cinco ex-quadros da petrolífera, dezenas de empresários das maiores construtoras do Brasil e vários políticos, incluindo o ex-tesoureiro do governante Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, preso na quarta-feira por suspeita de corrupção.

O Ministério Público Federal informou que os suspeitos detidos ao longo da investigação já devolveram aos cofres públicos cerca de mil milhões de reais (cerca de 329 milhões de dólares ou 304 milhões de euros). Nas últimas semanas, o Brasil tem sido notícia pelas dificuldades do Governo em conseguir distanciar-se do escândalo financeiro e de corrupção da Petrobras, que atinge antigos administradores e políticos de topo, alguns ligados ao partido que suporta o executivo, e que motivou uma investigação judicial de alto nível.

O efeito nos mercados internacionais não se fez esperar, com o ‘rating’ do Brasil e da Petrobras a ser revisto em baixa, e com os investidores e exigirem juros proibitivos para emprestar quer ao país, quer à Petrobras, que se viu obrigada a pedir um empréstimo à China.

Além disto, o Governo tem enfrentado crescente contestação popular, sendo frequentes e bastante significativas as manifestações que defendem a saída da Presidente brasileira, que nunca teve uma taxa de aprovação tão baixa, segundo as sondagens publicadas nos principais jornais locais. Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional, no ‘World Economic Outlook’, reviu em baixa a previsão de recessão para este ano, considerando que a economia vai contrair-se 1% e crescer 1% no ano seguinte.

A degradação do panorama económico no Brasil é bem visível pela revisão em baixa das perspetivas económicas, que passaram de um crescimento de 1,5%, previsto em outubro do ano passado na segunda edição anual do WEO, para uma recessão de 1% prevista agora em abril, na primeira edição de 2015 do relatório.