II Guerra Mundial

Os factos da II Guerra Mundial contados em tweets

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Um historiador britânico está a documentar a Segunda Guerra Mundial no Twitter em direto, como se estivesse a acontecer agora. Ainda vai em 1939, tem mais seis anos de conflito pela frente.

RealTimeWWII/ Twitter

Dezembro, dia 18. Hoje, a Força Aérea britânica foi derrotada na Batalha de Heligoland Bight pelos alemães e as primeiras tropas canadianas chegam à Europa. Há pouco mais de 15 dias, a União Soviética invadiu a Finlândia, tendo bombardeado Helsínquia e obrigado os finlandeses a retirar para a Linha Mannerheim. No entanto, os russos, já expulsos da Liga das Nações, têm sofrido bastantes derrotas táticas. O ano é 1939, e a Segunda Guerra Mundial está apenas a começar — no Twitter, isto é.

A página ‘WW2 Tweets from 1939’ está a documentar a Segunda Grande Guerra em direto, como se esta se estivesse a passar neste preciso momento. O projeto é da responsabilidade de Alwyn Collinson, historiador britânico licenciado pela Universidade de Harvard, que oferece uma visão única daquele que é o maior conflito da história da humanidade, dando a sensação de imersão no conflito através de relatos, imagens, relatórios, dados e declarações.

Collinson começou o projeto em 2011 e já vai na segunda Segunda Guerra Mundial. Isto porque a ‘primeira volta’ do conflito terminou em Agosto de 2017, seis anos depois de ter iniciado. O historiador decidiu começar de novo em setembro, com a invasão da Polónia por parte do exército Nazi, comprometendo-se assim a mais seis anos de relato histórico em direto — desta feita com novos materiais — para os seus mais de 500 mil seguidores.

“É incrível ter milhares de pessoas a ler e a responder. Penso que é uma pena simplesmente abandonar isso”, disse Alwyn Collinson a The Atlantic. No fundo, aquilo que faz, explica, “é como tentar dar notícias, mas de há muitos, muitos anos atrás”. “Não estou simplesmente a tentar entender quem invadiu quem, que cidades caíram e quando, mas mais aquilo que as pessoas pensaram e como estavam a tentar fazer disso uma narrativa na altura”, acrescentou.

Os seguidores da página partilham histórias, diários e fotografias de familiares com Collinson, chegando mesmo a corrigi-lo e a ajudá-lo quando, por exemplo, detetam um erro. Claro, com este tipo de conteúdo vêm intervenções, no mínimo, menos úteis: Collinson recorda ao The Atlantic um momento em que um seguidor comentou “porque é que estás a reportar estas notícias de judeus? Volta às notícias a sério”.

Alwyn inspirou-se na cobertura da Primavera Árabe em redes sociais como o Twitter, em 2010, algo até então sem precedentes e que ajudou a amplificar a dimensão dos conflitos. A The Atlantic, Collinson relembra “sentir-se profundamente emocionado com a forma como era possível ver a história a desenrolar-se”.

Essa emoção, contou ao i News, “absolutamente” também se fez sentir em determinados momentos da sua cobertura da Segunda Guerra Mundial. “Estaria a mentir se dissesse que não me afeta. E sei que algumas pessoas em tempos deixaram de seguir a minha conta temporariamente, tal como no começo da invasão da União Soviética”, confessou. “As pessoas sentiam que estavam a ver um filme de terror numa escala industrial”.

‘WW2 Tweets from 1939’ inspirou outras pessoas a iniciar projetos como o de Alwyn Collinson — também há uma cobertura em direto da Primeira Guerra Mundial — e, segundo o autor, permite-nos estabelecer paralelos com a nossa própria história, da qual não podemos ter uma visão omnisciente, bem como nos lembra “de que ninguém vive fora da história”. E Collinson, em 2017 e 1939, vive dentro duas.

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