Um estudo que analisou quantos anos vivem em média mulheres e homens em 18 países desenvolvidos concluiu que a esperança média de vida nos Estados Unidos estagnou, sendo a mais baixa do grupo analisado. Em Portugal, aumentou 1.3 anos para mulheres e 1.37 para homens entre 2010 e 2o16.

Os académicos concluíram que a esperança média de vida sofreu um ligeiro recuo em 12 dos 18 países entre 2014 e 2015, mas a maioria foi compensada por um “crescimento robusto” no ano seguinte. As exceções foram o Reino Unido e os Estados Unidos que continuaram a cair no caso dos homens e apresentaram um crescimento nulo ou residual nas mulheres. Doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, doenças do sistema nervoso e perturbações mentais foram as principais causas apontadas para esta quebra.

Os Estados Unidos surgem assim em último lugar do ranking em 2016, com uma esperança média de vida de 81.4 para mulheres e de 76.4 para homens. O país de Donald Trump destacou-se ainda por apresentar uma quebra mais acentuada que os restantes países na esperança média de vida das camadas mais jovens. Isto deve-se, segundo os investigadores, a um aumento acentuado da mortalidade por overdose causada pela epidemia de opioides que o país atravessa. O CDC (Centro de Controlo de Doenças dos EUA) estima que só em 2017 tenham morrido 72 mil norte-americanos por overdose, um número recorde que indica que atualmente morrem mais pessoas nos EUA devido ao consumo de drogas, do que em incidentes com armas de fogo ou acidentes rodoviários.

Portugal ficou em sétimo lugar do ranking das mulheres, com uma esperança média de vida de 84.32. Já no caso dos homens, ficou em penúltimo lugar com 78,11 anos. A tabela feminina é liderada pelo Japão (87.17), Espanha (85.84) e França (85.17). O pódio masculino pertence à Suíça (81.63), Austrália (81.49) e Japão (81.01).

Em termos de crescimento, Dinamarca (1.45), Portugal (1,3) e Austrália (1.2) foram os países onde a esperança média de vida mais aumentou. Também a Dinamarca (1.83) lidera os aumentos no masculino, juntamente com a Noruega (1.76) e Finlândia (1.71). Tanto para mulheres como homens, Estados Unidos (0.19 e 0.04) e Reino Unido (0.37 e 0.68) apresentam a maior estagnação, apresentando crescimentos residuais.

“A estagnação e os declínios na esperança média de vida podem ser um sinal de decadência do perfil da saúde da população causado por tendências sócio-económicas adversas, deterioração na prestação ou qualidade dos serviços de saúde, ou agravamento dos fatores comportamentais”, explica o estudo. Os investigadores demonstram particular preocupação porque a quebra registada em 2014-2015 teve uma escala inédita. “Os declínios da esperança média de vida em 2014-15 foram mais difundidos e tiveram uma maior magnitude do que os registos observados em décadas.”

Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Itália, Japão, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido foram os países analisados. O estudo foi divulgado pelo BMJ (British Medical Journal).