Corrupção

Associação anticorrupção pede ao Governo que não pressione OCDE

173

O presidente da associação Transparência e Integridade escreveu ao ministro dos Negócios Estrangeiros pedindo que o Governo não interfira no relatório da OCDE que aborda a corrupção em Portugal.

João Paulo Batalha é presidente da associação anticorrupção Transparência e Integridade

O Presidente da associação Transparência e Integridade pede mais debate sobre corrupção e menos interferência do Governo português no trabalho da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). João Paulo Batalha, presidente da associação, enviou, esta terça-feira, uma carta a Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, noticiou o Expresso.

“O arrufo do Governo com a OCDE é mais próprio de regimes autoritários do que de democracia aberta”, disse João Paulo Batalha ao Expresso. Em causa estão as declarações de Augusto Santos Silva ao Expresso, no sábado, sobre o relatório periódico elaborado pela OCDE que aborda o tema da corrupção. “Se o relatório fosse transformado numa simples listagem de ideias feitas, perceções e estereótipos, seria muito errado e Portugal teria de protestar.”

“A perceção de que o Governo português estará a tentar condicionar o conteúdo de um relatório da OCDE, ou sequer a tentar evitar uma discussão sobre as políticas públicas de combate à corrupção, é ela própria negativa para o ambiente de negócios e a confiança dos investidores e dos cidadãos”, escreveu a associação na carta enviada ao ministro. Este relatório, em particular, foi elaborado pela equipa coordenada por Álvaro Santos Pereira, o ex-ministro da Economia de Passos Coelho que é diretor na OCDE.

Esta não é a primeira vez que um relatório da OCDE causa desconforto no Governo. Em 2016, o Executivo socialista recebeu um balanço sobre as reformas no mercado laboral que elogiava os resultados das políticas adotadas pelo anterior Governo e no quadro da troika, mas demorou muitos meses a divulgá-lo, como contou na altura o Observador. “Portugal tem constantemente uma posição defensiva em relação à avaliação de organizações internacionais e resiste sempre a que se fale do tema da corrupção”, disse João Paulo Batalha ao Expresso.

Para o relatório que será publicado em fevereiro ou março, o Governo contesta a escolha do tema da corrupção, que seja dada enfâse a Portugal nesse tema e que sejam utilizados indicadores de perceção. João Paulo Batalha, por sua vez, entende que “em matéria de corrupção, as perceções são um indicador-chave para medir a forma como os cidadãos e os agentes internacionais, sejam organizações ou investidores, olham para um país e para os Governos”.

A OCDE analisou 20 países em 2018, mas apenas cinco tiveram o tema da corrupção abordado para lá das menções genéricas: Brasil, Grécia, Turquia, Indonésia e Coreia do Sul. Os relatórios sobre a Alemanha, Holanda, Lituânia e República Checa não abordam o tema.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)