Durante meses, o procurador que liderava a investigação à SAD do Benfica e ao seu assessor jurídico, Paulo Gonçalves, por corrupção deu ordens para que se mantivesse o caso no maior sigilo e num núcleo muito restrito de pessoas: não podia haver troca de informações por e-mail, porque suspeitava que havia intrusos no sistema informático do tribunal; não se podia ser inserida informação na plataforma dos tribunais, o Citius, e tudo o que fosse ao Tribunal de Instrução Criminal tinha de ir num envelope selado ou, já depois de haver detidos, numa pen.

Quando chegou a 5 de março de 2018, o dia que antecedeu as buscas à SAD do Benfica e aos tribunais de Guimarães e de Fafe — onde trabalhavam os funcionários judiciais alegadamente corrompidos com bilhetes e lugares cativos na Luz em troca de informações sobre processos –, o procurador Valter Alves nem quis receber por escrito a informação do número de polícias que iriam participar na operação e como se iriam organizar. Nada foi enviado por e-mail e a equipa que com ele foi bater à porta da casa de Paulo Gonçalves lá estava no dia seguinte.

Os inspetores tinham acabado de dar ordem de detenção ao ex-assessor jurídico do Benfica, pouco antes das 9h00, quando a mulher dele, na sala com um filho menor, decidiu ligar a televisão. E qual não foi o espanto de todos quando, na CMTV, aparece a informação de que a detenção já tinha acontecido, deixando Gonçalves completamente transtornado.

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