Explicador

Afinal, o que é o Estado Islâmico?

Novembro 201516 Novembro 20151.788
Manuel Louro

Como surgiu o Estado Islâmico?

Pergunta 1 de 10

Para se perceber o aparecimento do Estado Islâmico há que recuar até 2003 e para a invasão do Iraque por parte dos Estados Unidos.

Depois da queda e da morte de Saddam Hussein, presidente do Iraque, a chamada al-Qaeda do Iraque, de origem sunita tal como Saddam, foi um grupo chave nas vagas de terrorismo que assolaram o país. Aproveitando a instabilidade existente num país onde se criou um vazio de poder com a dissolução do exército do antigo ditador, e com o apoio da minoria sunita no país, o grupo combateu o exército norte-americano e lutou contra os xiitas, maioritários, que chegavam por esta altura ao poder.

Mas uma fação mais radical do grupo terrorista queria ainda mais: não chegava expulsar os americanos e combater o poder xiita. Era preciso criar um verdadeiro Estado islâmico com o cumprimento estrito das regras do Islão. Por isso, os seus militantes começaram a impor os valores islâmicos e a decapitar quem não os cumpria. Por volta do ano de 2006, esta radicalização fez com que o grupo perdesse o apoio da minoria sunita, que passou a colaborar com os EUA numa tentativa de derrotar e expulsar os radicais da al-Qaeda do Iraque. E conseguiram. A organização foi derrotada. Só que não desapareceu.

E não desapareceu porque em 2011 abriu-se uma nova janela de oportunidade: a guerra civil da Síria. Aproveitando a cada vez maior instabilidade provocada pela oposição ao regime do xiita Bashar al-Assad, a al-Qaeda envolveu-se no conflito que visava forçar a queda do homem forte de Damasco, ele mesmo membro de um ramo xiita, os alauitas. Mas os métodos utilizados tinham evoluído em termos de brutalidade e violência – e também de capacidade logística e operacional.

Mais tarde, já em 2013, Abu Bakr al-Baghdadi, anunciou que este braço da al-Qaeda, chamada Frente al-Nusra, se iria juntar com o denominado Estado Islâmico do Iraque nascendo, assim, o Estado Islâmico do Iraque e Levante. E foi aqui que a situação azedou entre as duas facções. O líder da al-Nusra contestou a decisão e ordenou a dissolução do Estado Islâmico. Os desentendimentos cresceram até ao momento em que a própria al-Qaeda desmentiu qualquer ligação com o recém-formado grupo liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, referindo que estes eram inimigos no conflito sírio.

Mas o Estado Islâmico estava formado e o seu líder anunciou, a 29 de junho de 2014, o avanço para o califado, auto-proclamando-se califa.

Este anúncio fez com que milhares de jihadistas se juntassem à causa com uma motivação renovada, vindos de outros países do Médio Oriente e norte de África, mas também da Europa. 

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