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Passado o período da Páscoa, é altura para um balanço das novidades que o governo de António Costa introduziu este ano em termos de tradições pascais. A primeira novidade foi a substituição do já estafado jogo da Caça aos Ovos pelo jogo da Caça aos Combustíveis: consiste em percorrer o país à procura do posto de abastecimento que ainda tem gasóleo suficiente para, na melhor das hipóteses, conseguir voltar ao sítio de onde se partiu. Diversão bastante superior à original, porque envolve os pais numa brincadeira que tradicionalmente é só para os miúdos. Miúdos que desta forma, em vez de andarem desenfreadamente de um lado para o outro correndo o risco de caírem, magoarem-se e ainda apanharem por cima, vão também no automóvel a indagar, com a relaxante cadência de um pisca, “Já chegámos?”

A outra novidade levada a cabo por este governo foi a substituição do ancião Coelhinho da Páscoa pelo novel Camelinho da Páscoa. Se o obsoleto coelho era o símbolo da fertilidade e da esperança na vida, o moderno camelo é o símbolo da autonomia que permite percorrer grandes distância sem reabastecer e da capacidade de circular com o depósito na reserva. Talvez ligeiramente menos poético, o camelo, mas sem dúvida mais útil para dias de greve dos motoristas de matérias perigosas. Além de ter as duas bossas, que são muito engraçadas na medida em que parecem uma espécie de acrescento feito à pressa no bicho. Aliás, se a geringonça fosse um animal seria um camelo. O grosso do quadrúpede era o PS, e o PCP e o Bloco de Esquerda eram as bossas, coladas ao lombo socialista meio às três pancadas.

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