Foi necessária uma pandemia à escala planetária, é verdade, mas, finalmente, Pedro Passos Coelho tem algum descanso. Pela primeira vez, vai para alguns cinco anos, não é com o aterrador legado do ex-Primeiro-Ministro que António Costa tenta meter cagufa aos portugueses. Qual porta-estandarte da miaúfa, o Primeiro-Ministro agita agora a bandeira da resposta à Covid para obter a aprovação do Orçamento do Estado para 2021. Não deixa de ser curioso. Tratando-se a Covid de uma doença que causa problemas respiratórios, é, em simultâneo, um balão de ar fresco para o Governo de Costa. Ou seja, há os doentes com Covid, os infectados com Covid assintomáticos e uma estirpe de políticos do Partido Socialista que ficam mais fortes com a Covid. Deviam ser motivo de estudo. E, para tal, encerrados num laboratório. Onde passariam o dia a percorrer labirintos no fim dos quais encontrariam um dispensador de água. E um pedaço de papo-seco. Da véspera.

Fica claro neste Orçamento do Estado que o Governo prevê uma forte recuperação económica em 2021. Mais precisamente uma recuperação em V. Há quem desdenhe desta perspectiva, mas, como sabem, não contam comigo nem para desdéns, nem para desprezos e muito menos para vilipêndios. Estou totalmente convencido que a previsão do executivo é até bem fidedigna. Com excepção de um despiciendo detalhe – e desculpem desde já a picuinhice – relacionado com o nome do tipo de recuperação a que assistiremos. Parece-me que teremos, não tanto uma “recuperação em V”, mas sim uma “recuperação que nunca mais se V”. Creio que será mais isto. Mas, como referi, trata-se de uma minudência. Enfim, coisas de economista. Nomeadamente de um que, como resulta óbvio, ficou longe de estudar o suficiente na faculdade.

Garantido é que haverá uma redução da taxa de retenção na fonte. Significa isto, que um trabalhador que aufira o salário médio em Portugal, deverá ter um ganho mensal de cerca de 2 euros. Leram bem. Não se trata de um mero euro. Não, não, nada disso, meus amigos. É o dobro de um mero euro. 100% mais. São dois expressivos euros. 2! Não sei onde fica esta fonte onde o Estado faz a retenção, mas de certeza que é daquelas fontes com uma tabuleta a dizer “Água imprópria para consumo”, de onde não sai uma pinga. Pois bem, a partir de agora, dessa fonte jorrará uma cascata de água fresca, obrigando à colocação de nova silanética informando: “Atenção. Caudal intensíssimo. Perigo de afogamento.”

O que este Orçamento comprova é a clássica falta de jeito do Governo com comboios. Desta feita, foi um empréstimo de 468,6 milhões de euros que, inicialmente, apareceu no Orçamento como sendo destinado ao Fundo de Resolução quando, afinal, se destinava à CP – Comboios de Portugal. Quem chamou a atenção para a gralha foi o Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. Pois pudera, é verba fundamental para o ministro completar o seu projecto de sonho para a ferrovia portuguesa. Primeiro adquire toda a sucata circulante a que conseguir deitar a mão em Espanha. Depois, vai alinhando essas carruagens repletas de amianto ao longo da linha do Norte, até que a primeira carruagem esteja em Lisboa e a última no Porto. E, depois, pode afirmar com bazófia – embora não seja o seu género – que temos uma ligação ferroviária Lisboa-Porto tão rápida, tão rápida, que assim que o comboio sai de Lisboa já está no Porto.

Digam o que disserem, a grande medida deste Orçamento do Estado é a criação da figura do Provedor do Animal de Companhia. Nunca mais uma criancinha porá, impunemente, o seu cágado de pernas para o ar, só para ver se ele se consegue safar. Logo que o cágado se virar e conseguir mandar um e-mail ao novo provedor, a Justiça chegará, enfim, para vos engavetar, petizada delinquente. Da minha parte, estou tranquilo, pois o meu cão é um bocadinho tótó. Ops. Acho que ele ouviu. Espera, o que é que ele está a fazer? A falar ao telefone? Mas com quem poderá ser? Dêem-me só um segundo para tentar escutar a conversa… Está a falar com o provedor do animal doméstico. Estou tramado.