Jesus Cristo, quando instituiu a sua Igreja, prometeu que “as portas do inferno” não prevaleceriam contra ela (Mt 16, 18). Mas, às vezes, essas portas entreabrem-se e, como em tempos disse o beato Paulo VI, o fumo de Satanás infiltra-se na Igreja.

Em relação ao escândalo da pedofilia, dois extremos devem ser evitados: aceitar acriticamente que todos os sacerdotes, bispos e cardeais são culpados, ou potenciais pedófilos, ou, pelo contrário, desvalorizar a situação, reduzindo-a a uma mera chicana político-eclesiástica, como se mais não fosse do que uma confrontação entre facções eclesiais rivais. É verdade que nem tudo está mal, mas também é certo que não está tudo bem: há, efectivamente, algo de podre no reino de Cristo neste mundo, que é a sua Igreja.

Sobre este particular, foi muito esclarecedora a entrevista concedida por Robert Barron, bispo auxiliar de Los Angeles, no próprio dia do seu regresso da Irlanda, onde acompanhou o Papa Francisco no encontro mundial das famílias. Este bispo norte-americano não só se pronunciou sobre o caso McCarrick, entretanto demitido do colégio cardinalício, como também sobre a polémica carta do arcebispo Carlo Maria Viganò, que foi núncio nos Estados Unidos da América e que denunciou o suposto encobrimento do caso do ex-cardeal de Washington por alguns bispos, propondo, num excesso certamente condenável, a renúncia de Francisco ao ministério petrino.

O bispo auxiliar de Los Angeles não teve inconveniente em considerar a actual crise do catolicismo norte-americano como a maior de toda a sua multisecular história. Não apenas pelos terríveis crimes cometidos, mas também pelo facto desses abusos terem sido realizados por pessoas consagradas a Deus, que se serviram do poder e autoridade decorrentes das suas funções sagradas para cometerem esses actos abjectos.

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