1 Foi um dia, já há um bom de anos, ainda o Cardeal José Tolentino de Mendonça estava na Capela do Rato, mas lembro-me bem porque foi aí que começaram as “Conversas”. Recordo-me sobretudo do porquê. Ou seja da razão de ser de uma escolha concreta, no caso esta mesma que hoje me traz: conversar com figuras públicas (peço desculpa da horrenda expressão) com Deus lá dentro. Arte, literatura, cidadania, ciência, música, política: sentidas, interpretadas, transmitidas por aqueles e aquelas que sendo seus protagonistas, o fazem num traço de união com a fé. Posso dar outro nome: com uma relação com o sagrado. E ainda outro: com a noção de uma inspiração que por vezes transcende os limites da própria existência.

O caso da beleza-versus-sagrado questiona e interpela: criar pode ser uma forma de interpretar o divino? Bach ou Boticcelli estariam a falar com Deus quando pintavam ou compunham? ( Ou Deus a falar com eles?) A fé celebra a criatividade ou transtorna-a?

Numa palavra: de que coisa falamos quando arte e sagrado, beleza e espiritualidade interagem ou dialogam? De Deus?

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