Tenho pena, há coisas em que sou mesmo pessimista. O meu amigo Miguel Pinheiro acredita que “mesmo num país como Portugal há limites” e que, tendo Berardo passado todos os limites, “o regime não pode sobreviver com Berardo a rir-se”. Pois eu creio que ele vai continuar a rir-se, que os figurões vão rasgar as vestes durante mais algumas semanas e que depois tudo se arrastará anos sem fim nos tribunais até todos se esquecerem. Quanto a perder a comenda deve ser mesmo, no meio disto tudo, o que menos preocupa o “comendador” e o mais evidente sinal da impotência (ou deveria escrever antes cumplicidade?) do regime.

Não são poucos os motivos para o meu pessimismo, mas se pudesse resumi-los numa só frase ela seria lapidar: “nunca aprendemos nada, nunca queremos aprender nada”.

Primeiro que tudo é bom ter memória. Ou na falta dela consultar os arquivos. Ora quando o fazemos, como o Observador fez, verificamos que uma das primeiras vítimas que Berardo fez em Portugal foi uma vítima da liberdade de imprensa, mais exactamente Joaquim Vieira que, ainda no início da década de 1990, foi obrigado a demitir-se da direcção do Expresso por ter acrescentado à notícia da entrada de Joe Berardo para o capital da SIC informação de enquadramento sobre processos por evasão fiscal. Não foi ontem, foi há mais de 25 anos. Podia ter sido um aviso à navegação, não foi.

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