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Tenho pena, há coisas em que sou mesmo pessimista. O meu amigo Miguel Pinheiro acredita que “mesmo num país como Portugal há limites” e que, tendo Berardo passado todos os limites, “o regime não pode sobreviver com Berardo a rir-se”. Pois eu creio que ele vai continuar a rir-se, que os figurões vão rasgar as vestes durante mais algumas semanas e que depois tudo se arrastará anos sem fim nos tribunais até todos se esquecerem. Quanto a perder a comenda deve ser mesmo, no meio disto tudo, o que menos preocupa o “comendador” e o mais evidente sinal da impotência (ou deveria escrever antes cumplicidade?) do regime.

Não são poucos os motivos para o meu pessimismo, mas se pudesse resumi-los numa só frase ela seria lapidar: “nunca aprendemos nada, nunca queremos aprender nada”.

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