O título deste artigo é na verdade uma declaração de interesses: sou liberal e de direita. Muitos acreditam que a dicotomia esquerda/direita está ultrapassada, que já não faz sentido. Pois eu acredito que se mantém actual e faz tanto sentido hoje como sempre fez, em primeiro lugar porque é simples, tão simples que até as crianças a compreendem.

Sobre este assunto recordo-me de uma entrevista de Ricardo Araújo Pereira ao Observador: “Há dias, as minhas filhas (que têm 10 e 12 anos) perguntaram-me qual era a diferença entre a esquerda e a direita. Como Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada nunca escreveram sobre o assunto, dei-lhes a definição do politólogo italiano Norberto Bobbio: quem é de esquerda acha que as pessoas são mais iguais do que desiguais, e por isso a sociedade deve tender para reproduzir essa igualdade; quem é de direita acha que são mais desiguais do que iguais, e por isso acha normal, e até justo, que na sociedade se verifique essa desigualdade”.

Confesso que quando li esta definição pus em causa a minha própria convicção politica. Sempre me tinha considerado de direita, mas acredito que somos todos iguais e que todos temos os mesmos direitos e deveres, então como é que posso ter passado todo este tempo enganado? A verdade é que a direita, pelo menos a direita em que eu acredito, é uma direita que não questiona a igualdade de todos perante a lei, pois temos todos os mesmos direitos e deveres. Mas s direita em que eu acredito também é uma direita que premeia os melhores, em que é possível sonhar com uma vida melhor e alcançá-la através do esforço e do mérito, pelo que não nivela por baixo em nome de uma suposta igualdade.

A direita em que eu acredito é uma direita que não deixa ninguém para trás, combate a pobreza e a desigualdade promovendo o crescimento económico e a criação de riqueza, a verdade é que o distrito de Setúbal onde sou cabeça de lista pelo partido Iniciativa Liberal é o quarto mais pobre do país e o terceiro com mais beneficiários do Rendimento Mínimo de Inserção.

Num tempo de pré-campanha, ainda para mais como cabeça de lista num distrito como Setúbal, podem dizer-me que é um risco assumir-me como de direita e liberal. Eu respondo que chegou a hora de quem vive neste distrito saber que tem uma alternativa séria à “geringonça”.

Quem sofre com as repetidas greves dos mestres de barcos no Barreiro, quem espera anos por uma consulta de especialidade no Hospital Garcia de Orta, os pequenos e médios empresários “afogados” em impostos e burocracia, os industriais que procuram mão-de-obra especializada e não encontram porque este governo desprezou o ensino técnico, todos eles podem contar com a Iniciativa Liberal neste distrito. Propomos retomar a subconcessão da Soflusa e abrir o transporte de passageiros no rio Tejo a entidades privadas, alargar a ADSE a todos os portugueses e investir no Serviço Nacional de Saúde, “desburocratizar” a abertura de novos negócios e aliviar a carga fiscal.

Recentemente tivemos a oportunidade de reunir com o Dr. Nuno Maia Silva, director-geral da AISET (Associação da Indústria Distrito de Setúbal), onde ficamos a conhecer as necessidades e dificuldades dos seus associados. Rejeitamos o mantra de esquerda “temos de perder vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro”, antes acreditamos que o Estado não pode limitar as empresas naquele que é o seu papel: gerar riqueza e com isso criar emprego e pagar melhores salários. Existe outro caminho para Setúbal.

Cabeça de lista da Iniciativa Liberal pelo Distrito de Setúbal