É com horror que assisto à fuga para a frente em que Portugal entrou. Um país que praticamente não tem doença Covid19. Quanto mal se está a fazer ao nosso país e à nossa população, guiados pela ignorância.

É com perplexidade que observo o que se passa na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Perplexa com a forma abusiva como se têm utilizado para rastreio (ainda por cima «rastreio intensivo»), os testes para a deteção do material genético do SARS-CoV-2, perplexa com o silêncio da Direção Geral de Saúde sobre o facto destes testes não terem sido concebidos, nem serem fiáveis para esse efeito. Não compreendo como, em nome de testes positivos (não de doença), se continuam a privar pessoas do seu ganha pão. Não compreendo como, continuando o número de pacientes internados em enfermarias e em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) a diminuir, se inventou agora uma nova pandemia. Menos compreendo que ninguém se interrogue sobre estes factos: como é que o número de «infetados» não pára de subir diariamente e o número de doentes com Covid19 nos hospitais não pára de descer. O embuste continua e em nome deste embuste, a destruição da população não tem fim à vista.

Fala-se muito de que o número de «novos infetados» não era tão elevado desde 8 de maio de 2020. Vamos então aos verdadeiros números e não aos que decidiram inventar:

  • número de doentes internados em 8 de maio de 2020: 842 dos quais 127 em UCI
  • número de doentes internados em 6 de junho de 2020: 414 dos quais 57 em UCI.

Onde estão os milhares de «novos infetados» que descobriram desde então?

O desconfinamento não alterou em nada a existência de doença moderada ou grave, pelo contrário, a doença não pára de diminuir.

Mais uma vez, mas o que é que andamos a fazer?

O teste para a deteção do vírus SARS-CoV-2 é um teste de PCR. Tal significa que o teste permite a amplificação de material genético do vírus (mesmo que esse material exista em quantidades ínfimas). E apenas isso: deteta material genético do vírus, é incapaz de dizer se se trata de vírus «vivos», vírus «mortos» ou apenas fragmentos de restos de vírus destruídos.

E, por ser completamente incapaz de saber se o material detetado são vírus viáveis, a única maneira de saber se há capacidade infetante desse material (ou seja, se a pessoa que tem esse material genético pode ou não infetar outros), é havendo uma prova dessa infeção, precisamos que haja manifestações da doença. Sem qualquer dos sintomas suspeitos: tosse, febre e/ou falta de ar qua permitam constatar a existência da doença e, portanto, de infeção, a utilização dum teste de amplificação de material genético, não faz sentido.

E não faz sentido, não só porque o teste é incapaz de dizer se se trata de um vírus viável ou apenas de restos de vírus ou de vírus «mortos», como pode haver falsos positivos, resultantes de contaminação das amostras ou dos locais onde as amostras são testadas. Deste modo, basearmo-nos apenas na positividade dum teste para condenar um ser humano, sem qualquer sintoma, ao isolamento, bem como ao daqueles que com ele coabitam, geralmente cônjuge e filhos, durante, no mínimo 14 dias, é de uma violência brutal e completamente injustificada. E decidir sobre a sua recuperação, baseado no mesmo tipo de teste, sem que nunca tenha havido qualquer sintoma, parece-me ainda mais absurdo. Por isso muitos países consideram os seus recuperados baseando-se apenas na melhoria do quadro clínico, associado à ausência de sintomas. Porque a utilização dos testes se limita, também, apenas àqueles que apresentam sintomas e, como tal, evidência da doença.

Nesta fase, com tão poucos doentes no nosso país, é o que deveríamos fazer. E não continuar a disseminar um terror completamente injustificado à população.

Penso muitas vezes se os dirigentes do nosso país acharão que todas estas pessoas que ficam privadas de ir ao seu local de trabalho e receber o seu ordenado por inteiro, sabe-se lá por quantos dias, vivem do ar.

Penso se não vêem o que estão a fazer àqueles a quem impedem de abrir os seus estabelecimentos comerciais, em nome de nada e de coisa nenhuma.

Não compreendo como as medidas que se tomaram em março, que foram justificadas com o evitamento da sobrecarga dos serviços de saúde, se mantém ainda em junho. Os serviços de saúde qualquer dia, com doença Covid19 não têm ninguém e, no entanto, mantém-se este estado de coisas em Portugal, negligenciando de forma gritante todo o mal que a persistência deste caminho e deste discurso estão a causar aos cidadãos portugueses.

Vejo os outros países a testarem muito menos do que nós, pois testam (e bem) os doentes e não os que inventam que hão-de estar doentes. Vejo-nos a nós, um país pobre, a gastar rios de dinheiro em testes que são utilizados duma forma para a qual não foram concebidos.

«Um teste de PCR não deve ser utilizado como a única base para a gestão ou tratamento dum doente. Todos os resultados devem ser interpretados com base nos sinais e sintomas da doença». (Referência: Yang S. and R.E. Rothman. PCR-based diagnostics for infectious diseases: uses, limitations, and future applications in acute-care settings).

Penso nas pessoas, completamente assintomáticas, a quem as empresas decidiram testar, que se têm o azar de ter um teste positivo, têm a vida arruinada e não me canso de refletir: mas quando é que vão achar que já chega. O que é que andamos a fazer?

A cada número que ouvimos na televisão, corresponde uma pessoa. O que é que estamos a fazer a cada uma dessas pessoas e às suas famílias.

Estes testes são meios auxiliares de diagnóstico. Como o nome indica, podem auxiliar o médico a fazer um diagnóstico, quando o doente apresenta uma dada doença e se quer confirmar a sua causa.

Falar em «infetados» pressupõe a existência duma infeção. Uma infeção pressupõe a existência dum agente patogénico «vivo», uma infeção pressupõe a existência duma doença. Onde está essa infeção, se não existe doença (como o mostram os números em internamento cada vez mais baixos) e o teste nem sequer é capaz de dizer se existem vírus «vivos» no indivíduo testado.

Está na hora de se parar de prejudicar e destruir as pessoas e começar a ajudá-las. Já todos sofremos demasiado com tanta falsa notícia, com tanta falsa pandemia, no nosso país. Acho que já chega. Já é tempo de parar e devolver a liberdade e a esperança às pessoas.

Já é tempo para mudar para um discurso de verdade!