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A petição que solicita à AR que expulse Mamadou Ba do país está a ter um grande impacto nos pais de família portugueses. Em mim teve, na medida em que me fez lembrar as birras dos meus filhos. Especialmente, quando vêm a chorar para fazer queixinhas e exigir castigos para os irmãos. Ainda bem que as petições são electrónicas. Se esta fosse apresentada em papel, vinha toda manchada de lágrimas. Há 100 anos, quando uma pessoa se sentia ofendida por outra, lavava a honra com sangue. Agora, os ofendidinhos lavam a honra com ranho. (Entretanto, houve um tempo em que as ofensas não sujavam. Saudades!) Aposto que, quando cantam o hino em vez de “Às armas! Às armas!”, cantam “Ao cancelamento! Ao cancelamento!” Que grandes choninhas. Assoem-se, pá.

Não deixa de ser curioso que uma iniciativa civilizada, que consiste em recolher assinaturas de cidadãos para requerer algo educadamente, seja usada para uma solicitação tão grosseira. É como chegar ao pé de alguém e pedir: “Boa tarde, peço desculpa por maçá-lo. Por obséquio, se não for incómodo, gostaria de requisitar as suas costas, para que possa – nas vértebras onde lhe for mais conveniente, claro – aplicar duas ou três pauladas. Com todo o respeito. Desde já, muito obrigado.”

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