res·pon·sa·bi·li·da·de
nome feminino
Obrigação de responder pelas acções próprias, pelas dos outros ou pelas coisas confiadas.

Palavras relacionadas: 
desresponsabilizar
corresponsabilidade
responsa
cargo
solidário
fiança
comandita

Falar de responsabilidade no contexto atual é falar do quanto de nós próprios temos de dar às pessoas e organizações que nos rodeiam, aos outros que connosco se cruzam e ao país onde vivemos. Refiro-me, pois, à responsabilidade empresarial/institucional, pessoal, familiar e por terceiros e, bem assim, para com o país.

1 A responsabilidade empresarial/institucional é uma responsabilidade de uma seriedade extrema no momento que atravessamos. Muitas empresas/organizações não ficarão de pé, se à conta do contexto nos começarmos a desleixar e a desresponsabilizar pelo nosso labor, pela empresa ou organização para a qual trabalhamos e se não cuidarmos das questões institucionais dessa mesma empresa/organização que nos paga salários. Questões institucionais, que passam pela sustentação da empresa/organização, pela sua saúde económico-financeira e pelos efeitos reputacionais que emergem a cada dia, são hoje mais prementes que nunca.

Não, não estamos confinados para trabalhamos ou estudarmos menos, não estamos confinados para que sejam menores as nossas responsabilidades, não estamos em trabalho remoto para colocarmos de lado as nossas obrigações e o que temos a fazer para, um dia, acordarmos com a empresa/organização em pedaços. Se há alturas em que a organização para que trabalhamos mais exige de nós, esta é uma delas. É nas crises que se vê quem é responsável, de facto, e quem está disposto a “carregar pianos”. É nas crises, também, que se vê quem, ao primeiro sinal, desperta para a letargia, foge aos seus encargos e aproveita a boleia para se desleixar, para procrastinar e, com a desculpa da saúde pública e da saúde própria, se atira para posições de descuido e máxima reclamação, quando sabe que a organização/empresa está vulnerável. Mais vulnerável que nunca. E mais ainda: que todos os que nos rodeiam estão vulneráveis por força das circunstâncias. Portanto, esta é a altura própria para assumirmos responsabilidades e construirmos com empenhamento.

2 A responsabilidade para com as pessoas que connosco convivem e para com os nossos familiares tornou-se crítica. É nestas alturas, contra tudo o que possa parecer, que mais nos é exigido em termos de tempo, de acompanhamento, de respeito e de presença para com aqueles que connosco trabalham, vivem, estão. Não, não estamos em confinamento para arrumarmos de vez as responsabilidades sociais, para esquecermos que existem outros e para os respeitarmos, ajudando-os a percorrer este caminho difícil. Às vezes basta uma palavra, basta um telefonema, basta um considerando de alento e de compreensão para podermos cumprir com o que nos é solicitado. Em prol dos outros e de um contexto que nos é hostil a todos. Se há coisa que se aprende facilmente em crise, é o facto de que não sendo eu mais importante do que os demais (e não é por estarmos em crise; antes, aprende-se com a crise) farei melhor sempre e quando fizer os outros sentirem-se melhor. E essa passou a ser uma responsabilidade crucial no momento que atravessamos.

3 A responsabilidade para com a nossa região e país e que se traduz em procurar ajudar a restauração local, as lojas portuguesas, o comércio e indústria locais e nacionais, como também as nossas escolas, teatros, cinemas e o que possamos imaginar como nacional. As ajudas serão várias na restauração. Serão várias nas lojas. Serão várias nos serviços. Serão várias na indústria. Serão igualmente várias na agricultura. Mais, serão várias nas instituições de solidariedade social. Basta começar a pensar nacional, a comprar nacional e a ajudar causas que a todos importam. Não parece complexo, na medida em que os produtos estão disponíveis, os restaurantes continuam abertos, os vinhos continuam a ser bebíveis, as frutas e legumes continuam a ver vendidos, os pratos a ser confecionados e a operação de todos estes players continua, por entre muitas dificuldades, a fazer-se em Portugal. Os necessitados estarão mais necessitados. Assim, preocuparmo-nos com o que é nosso é uma responsabilidade inteiramente nossa. Só nossa. Preservarmos o que é nosso, é uma obrigação nossa. Lutarmos por aquilo que é nosso, significa querermos aguentar e crescer com os frutos de Portugal.

Não, este não é um jogo de “agarra-me se puderes” ou de fuga à responsabilidade. Antes pelo contrário. É a constatação de um facto: o confinamento e o trabalho remoto pedem-nos ainda mais responsabilidade, seja para com as organizações para as quais trabalhamos, seja para com as pessoas com as quais nos vamos dando no dia-a-dia, seja ainda para com todos os players do nosso país.

E não, estas responsabilidades não estão refreadas por causa das responsabilidades que temos em termos de saúde pública: máscaras, lavagem de mãos, distâncias, cumprimento de diretrizes. Antes pelo contrário, se ao nível de saúde pública temos obrigações, também as temos, igualmente, ao nível da economia, da família, da sociedade e do país.

É nestas ocasiões que se aferem responsabilidades, se percebem pessoas conscientes e é daqui que nasce muito daquilo a que chamamos civismo e, porque não, altruísmo.

Como alguém dizia, o principal motivo pelo qual se deve lutar pela responsabilidade é porque talvez seja o primeiro indutor da paz que todos queremos.