Aprovar hoje, negociar sexta. O debate no Parlamento sobre a segunda ronda de medidas de austeridade – depois do acordo de princípio com os credores internacionais – já começou e foi o ministro das Finanças grego que abriu a contenda, pedindo aos deputados que resolvam já o assunto.

“É muito importante que fechemos estes procedimentos das ações preventivas [que são exigidas pelos credores] para que possamos começar as negociações na sexta-feira”, afirmou Euclid Tsakalotos no Parlamento.

Pela frente os deputados têm a segunda votação numa semana de mais um pacote legislativo com medidas de emergência. Entre os vários documentos submetidos ao Parlamento pelo Governo, estão quase mil páginas de medidas. Estas só chegaram ao Parlamento no final do dia de segunda-feira, mas têm de ser aprovadas já hoje.

O pacote está a ser discutido na comissão especializada esta manhã e será discutida em plenário durante a tarde, sendo votada no final do dia.

O dia começou, mais uma vez, com recados do Parlamento alemão aos gregos: “Estamos a prestar atenção para ver se a Grécia não só adota as reformas, como também as implementa… a Grécia tem de cumprir as condições, caso contrário o dinheiro não poderá ser transferido”, disse Gilda Krichbaum, líder da comissão parlamentar de assuntos europeus do Bundestag.

Mas grande parte da pressão é agora interna. Às 19h30 de Atenas (17h30 em Lisboa), haverá novas manifestações contra as medidas de austeridade, que há uma semana já voltaram a ter episódios de violência.

Dentro do partido do Governo, o Syriza, as divisões continuam e Alexis Tsipras começa a endurecer a linha com os seus próprios deputados. Conta o jornal grego Khatimerini que o primeiro-ministro acusou os seus críticos internos de se “esconderem” de atrás da segurança da sua assinatura.

Alexis Tsipras terá ameaçado mesmo com o cenário de eleições antecipadas, dizendo que se há quem pense que existe uma plano alternativo mais à esquerda da versão do ministro das Finanças da Alemanha (que previa a saída temporária da Grécia do euro) que o explicasse ao povo grego.

As críticas, diz o jornal, serão dirigidas ao ministro da Energia, Panayiotis Lafazanis, que lidera a plataforma de esquerda, a parte mais radical do partido, – e a um alegado plano deste de usar os 22 mil milhões de euros de reservas no banco central para apoiar a transição para o dracmae a Yanis Varoufakis que, numa das várias entrevistas que tem dado já depois de sair do Governo, disse que havia um plano elaborado para pagar aos pensionistas com notas de dívida.

O Governo ainda retirou da proposta duas questões polémicas, para evitar mais deserções na bancada do Syriza – casos da fiscalidade na agricultura e da eliminação gradual das reformas antecipadas -, mas os 32 deputados do Syriza que votaram contra na semana passada devem voltar a fazê-lo hoje. O Governo grego acredita ainda assim, de acordo com o mesmo jornal, que os seis deputados que se abstiveram possam votar sim.

Entretanto, a troika já está em Atenas (e o FMI com uma nova chefe de missão) para preparar as negociações com o Governo grego, que têm de ser fechadas a tempo de a Grécia receber dinheiro para pagar nova dívida ao BCE, a 20 de agosto. As negociações só recomeçam se o pacote discutido hoje for aprovado. Depois da votação de hoje, a Grécia ainda terá de aprovar uma terceira lista de medidas consideradas ações prévias. Ou seja, não recebem nada antes de as concretizarem.