O secretário-geral das Nações Unidas deu uma longa entrevista ao canal de televisão norte-americano CNN. No programa “GPS”, do jornalista Fareed Zakaria, António Guterres falou sobre a Coreia de Norte, Donald Trump e o recente reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos Estados Unidos.

Em relação ao conflito latente entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, Guterres começou por desvalorizar a “troca de galhardetes” entre Trump e Kim Jong-un. O secretário-geral das Nações Unidas afirmou que “se existir a mínima oportunidade de diálogo, essa oportunidade deve ser aproveitada”.

No que toca à desnuclearização da Coreia do Norte, António Guterres acredita que é possível mas que “teria de ser integrada numa moldura de segurança internacional em que, claro, a China e outros países teriam de estar incluídos”.

Quanto a Donald Trump, o secretário-geral da ONU defende que “o slogan «América Primeiro» é prejudicial para os interesses americanos”.

Os Estados Unidos são demasiado grandes e relevantes para pensar sozinhos. A maneira como as coisas acontecem no mundo tem um grande impacto na maneira como as coisas acontecem nos Estados Unidos”, atirou António Guterres.

Guterres acrescentou ainda que é importante para os próprios Estados Unidos que estes operem em concordância com uma ordem global. “É muito importante que os Estados Unidos se empenhem – se empenhem na ação climática, se empenhem na migração mas também se empenhem em lidar com crises como as da Síria e do Iraque”, defendeu o secretário-geral das Nações Unidas, garantindo que se “não ocuparem esse espaço, alguém o fará”.

No que toca ao recente reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por parte de Donald Trump, António Guterres acredita que o presidente dos Estados Unidos “quis o pacote completo”. Segundo o antigo primeiro-ministro português, Trump acreditou que este era um passo em direção à resolução do conflito entre israelitas e palestinianos mas que “a decisão que acabou por ser tomada arrisca comprometer os esforços”.

“É uma pena, porque seria tão importante encontrar uma solução para esta crise. Na minha opinião, teria de ser uma solução para os dois Estados”, revela António Guterres.