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© Fernando Guerra

© Fernando Guerra

13 escapadinhas para os próximos meses. Sempre com um copo de vinho na mão /premium

No Alentejo, a Casa Relvas e a Herdade Grande dão cartas no enoturismo e vão a jogo o ano inteiro. A elas juntam-se outras quintas espalhadas pelo país. Até ao final do ano, vá de vinha em vinha.

Casa Relvas (Alentejo)

Pipa e Ernesto são as mascotes da Casa Relvas. Os cães recebem, à vez, quem entra na Herdade da Pimenta, em São Miguel de Machede, centro do enoturismo do projeto vínico. Atrás deles vem Ana Santos, habituada a guiar os turistas pelos diferentes espaços do complexo, adega incluída. Desta vez, Alexandre Relvas, o filho, junta-se a nós para contar-nos uma história que começou em 1997 quando Alexandre Relvas, o pai (e um dos acionistas do Observador), comprou um monte alentejano para ser casa de família aos fins de semana. Aos 100 hectares de sobreiros que plantou acrescentou, em 2001, 10 hectares de vinha. O primeiro vinho foi fruto de um “hobby” que, cerca de 20 anos depois, cresceu: em 2019 produziram-se 6 milhões de garrafas, o que se traduziu numa faturação de 12 milhões de euros.

Os irmãos Alexandre e António Relvas são hoje os rostos mais visíveis do projeto — em enologia e viticultura, respetivamente —, cuja primeira colheita data de 2003. São eles a quinta geração de uma família com ligações próximas à terra, explica Alexandre enquanto caminha em direção à adega que tem uma capacidade de vinificação de 2 milhões e meio de litros. A adega é um cruzamento de épocas: no piso superior com ligação ao exterior encontramos barricas onde, enquanto o tempo frio o permitir, o vinho faz a fermentação malolática, mas também ânforas de diferentes tamanhos que dão origem aos vinhos de talha; abaixo estão cubas de inox de grandes dimensões. A pisa é mecânica, à exceção dos programas de vindima feitos a pensar em quem vem de fora. E a fazer companhia às barricas e às ânforas está uma empilhadora pintada em tons rosa a pedido das muitas mulheres que ali trabalham.

O enoturismo da Casa Relvas está concentrado na Herdade da Pimenta, em S. Miguel de Machede

© DR (divulgação)

Da adega moderna é possível aceder à nova linha de engarrafamento — acabada de montar — e à sala de estágio onde repousam centenas de barricas entre os 225 e os 5.000 litros. Numa das paredes inúmeros quadrados foram escavados para albergar garrafas de colheitas antigas: não é de todo incomum os turistas pedirem provas verticais a partir do que está exposto. Ali encontram-se, por exemplo, todas as colheitas do rótulo Herdade de S. Miguel Reserva tinto. Conhecida a “biblioteca da casa”, como lhe chamam, segue-se a sala de refeições com janela apontada para a linha de enchimento. À data da visita estava por chegar a grande mesa de madeira suspensa, apoiada num único pé, da marca portuense “Around The Tree”. E no piso superior fica a zona de provas, onde os vinhos são servidos na companhia de queijo e presunto de porco ibérico, produção local.

A Casa Relvas é um negócio de família. Na fotografia está Alexandre Relvas na companhia dos dois filhos, Alexandre e António. Na segunda foto está Ernesto

© DR (divulgação)

O enoturismo é uma aposta significativa. As visitas à Casa Relvas começam nos 8 euros por pessoa (visita sem prova) e ascendem até aos 40 euros. Os programas sazonais são uma realidade, pelo que vale a pena estar atento às redes sociais da produtora, sendo que no próximo dia 30 de maio acontece a muito aguardada atividade “Um dia em S. Miguel”, a qual inclui vinhos, artesanato e muita música.

Da Casa Relvas fazem parte a Herdade de São Miguel, a propriedade original onde fica a casa de família, no concelho do Redondo, a Herdade da Pimenta e ainda a Vinha dos Pisões, na Vidigueira, adquirida em 2017. Atualmente, o projeto com cerca de 200 referências distribuídas por seis marcas exporta 70% da produção e emprega 85 funcionários. O ano deve terminar com 250 hectares de vinha.

Herdade da Pimenta – S. Miguel de Machede, Évora, 7005-752 São Miguel de Machede. Tel.: 266 988 034. Visitas a partir de 8 euros.

Herdade Grande (Alentejo)

Faz agora 100 anos que a Herdade Grande está na família Lança. Em 1920, o avô paterno do atual proprietário adquiriu a propriedade — foi, diz-nos António Lança, “o único da família que investiu e que não gozou”, tendo morrido ao fim de poucos anos. A aquisição do terreno alentejano, porém, ainda hoje é motivo de celebração e chegou inclusivamente às mãos da quarta geração. Se António é o patriarca dos Lança, Mariana, a sua filha, é a diretora geral de um projeto que também se dedica ao vinho e que agora tem na enologia Diogo Lopes (trabalha ainda para a AdegaMãe e para a Herdade do Freixo, por exemplo), em conjunto com Pedro Garcia.

A Herdade Grande é negócio e herança de família do qual o vinho sempre fez parte. A tradição do vinho de talha, por exemplo, remonta aos hábitos do pai de António, que o produzia para consumo próprio — uma arte milenar que, em pleno século XXI, virou tendência de mercado. Depois de anos a vender uvas a granel para a cooperativa da Vidigueira, na década de 80 os Lança investem nas vinhas, incluindo a plantação de novas castas, e em 1997 nasce o primeiro vinho engarrafado com “HG” no rótulo.

Os programas de enoturismo da Herdade Grande são feitos à medida de quem visita a propriedade. Desde 2018 que Diogo Lopes está aos comandos da enologia da casa: na última foto surge ao lado dos Lança

© Joao Nogueira

De lá para cá muita coisa mudou, mas não a vontade de produzir. Desde 2018 que os vinhos estão a cargo de Diogo Lopes, cujo primeiro branco de talha da carreira — Antão Vaz, Perrum, Roupeiro e algum Alvarinho — é fruto dos vinhedos e das ânforas da Herdade Grande, o qual chega agora ao mercado. Há já vários anos que o enólogo consultor tinha uma ligação emocional com os Lança, tendo chegado a colaborar com a família nos tempos de faculdade. “Quando o engenheiro me ligou, em 2018, fiquei nervoso. Pensei: ‘Será que é desta?'”, conta ao Observador momentos antes de uma prova que pôs a nu as novidades da casa, incluindo o inusitado e bem domado varietal Sousão (ou Vinhão, como é conhecido na região dos Vinhos Verdes). O futuro passa agora pela renovação de 50% das vinhas e também pela aposta em castas regionais.

À semelhança do que habitualmente acontece em projetos vinícolas com alguma dimensão, também a Herdade Grande aposta no enoturismo: os programas são feitos à medida de quem visita a propriedade e podem variar entre piqueniques na vinha, provas na adega ou refeições à base da gastronomia típica da região (o que inclui, a título de exemplo, sopa de cação).

Apartado 64, Vidigueira, Alentejo. Tel.: 284 441 712 / 913 081 958 / 916 603 166. Visitas com prova de vinhos incluída a partir de 12 euros. Programas ascendem a 40 euros (à exceção de experiências customizadas).

Quinta do Piloto (Península de Setúbal)

Fundada no século XX por Humberto Cardoso, chegou a ser um dos maiores produtores de Portugal. A Quinta do Piloto, na Serra do Louro, em Palmela, ganhou nome a produzir vinho a granel, negócio no qual prosperou, e só mais recentemente apostou em vinho engarrafado de marca própria — o primeiro foi o Piloto Collection Roxo, lançado em 2013. Em 2017, quando o Observador a visitou, era novidade o certificado de excelência do TripAdvisor: o enoturismo é coisa séria e, além das visitas diárias e das provas de vinhos acompanhadas de produtos regionais, a propriedade está preparada para realizar eventos privados e oferece estadia. São duas as adegas — uma mais antiga, paredes meia com a loja de vinho que divide o espaço com garrafas e as antigas destilarias da quinta, e outra mais moderna, para lá da vedação. Ambas têm capacidade para seis milhões de litros e focam-se nos métodos de vinificação tradicionais. O projeto está agora na quarta geração e o passar do tempo não pôs em causa as adegas e herdade originais.

Rua Helena Cardoso, Palmela. Tel.: 212 333 030. Visitas a partir de 7,5 euros.

A Quinta do Piloto, em Setúbal, está dotada de duas adegas visitáveis (DR e Ricardo Palma Veiga)

© Picasa

José Maria da Fonseca (Península de Setúbal)

A casa de vinhos é histórica e caminha a passos largos para os 200 anos de vida. E a Casa Museu da José Maria da Fonseca, em Azeitão, é o ex-líbris do enoturismo do produtor: construída ainda no século XIX, foi residência da família Soares Franco até aos anos 1970. É aqui que começa a imersão à JMF, com uma breve explicação sobre a história da empresa seguida de visita às adegas: a Adega da Mata e a Adega dos Teares Novos, onde estagiam vários vinhos, incluindo o famoso Piriquita, e a Adega dos Teares Velhos, onde dormem alguns dos mais antigos Moscatéis de Setúbal — o fortificado que por estas terras é monarca. Como qualquer visita, esta termina com a prova de vinhos com o selo de qualidade da casa que, apesar de mais conhecida pela região vitivinícola de Setúbal, produz no Douro, no Dão, nos Vinhos Verdes e no Alentejo.

A prova pode ser facilmente complementada com produtos regionais, mas encher o estômago faz-se sobretudo no vizinho e ainda jovem By The Wine de Azeitão. O espaço ocupa o antigo refeitório dos funcionários e segue a lógica da flagship store que abriu as portas no começo de 2015 em Lisboa: no teto avistam-se mais de 1.000 garrafas vazias à semelhança do que acontece na capital. Os 100 lugares sentados estão distribuídos por duas salas e uma esplanada, e à mesa chegam propostas como tortas de Azeitão, ostras do Sado, pão algarvio, tábuas de queijos nacionais, ceviche de salmão, carpaccio de novilho e enchidos vindos da Casa do Porto Preto. Os vinhos são os da casa e são servidos a copo.

Rua José Augusto Coelho, nº11/13, Vila Nogueira de Azeitão. Tel.: 212 198 940. Visitas variam entre os 7 e os 50 euros por pessoa.

O By The Wine de Azeitão ocupa um antigo refeitório da José Maria da Fonseca

© DR

Quinta da Lapa (Tejo)

A Quinta da Lapa é desde 2011 um “wine hotel” com morada fixa na região vitivinícola do Tejo, outrora denominada Ribatejo. Após obras de recuperação, 11 suites decoradas “com um requinte quase espartano” e áreas sociais com candeeiros de Murano, coleções de faianças e ainda peças indo-portuguesas ficaram de portas abertas ao público para dotar aquela propriedade de ainda mais serviços. Nesta quinta secular onde também se produzem vinhos, as propostas para descontrair são muitas: passeios pedestres ou de bicicleta pela propriedade com cerca de 100 hectares, piqueniques no moinho, banhos no tanque, visitas à vinha e à adega, participação na vindima e as habituais provas de vinho.

Agrovia, Sociedade Agro-Pecuária, SA, Quinta da Lapa, Manique do Intendente. Tel.: 263 486 214 / 917 584 256 / 919 886 794 (reservas e eventos) / 918 539 760 (casa). A partir de 110 euros por noite; existem dois pacotes disponíveis, de 385 euros para duas pessoas e duas noites e de 290 euros para uma pessoa para duas noites, ambos incluem pequenos-almoços, jantares, prova de vinhos, visita à quinta e à adega.

Desde 2011 que a Quinta da Lapa está dotada de um "wine hotel"

© DR

Quinta da Lagoalva (Tejo)

A história da quinta remonta ao século XII. Desde então, a propriedade da Lagoalva tem apostado na produção agrícola: da cortiça ao azeite, passando pelo mel, pela batata e, naturalmente, pelo vinho. Isto sem contar com o cavalo Lusitano de que se ocupa a respetiva coudelaria. Situada na margem sul do Tejo, a cerca de dois quilómetros de distância da vila de Alpiarça, esta é a casa portuguesa que primeiramente apostou na fazedura de vinhos monovarietais a partir das castas Syrah e Alfrocheiro, vindos dos seus 45 hectares de vinha. Além dos rótulos que são possíveis provar — e da casa setecentista de encher o olho — há muitas atividades passíveis de serem realizadas na propriedade, como as tradicionais visitas (que incluem acesso à adega, à capela, ao picadeiro e à cavalariça), os passeios de charrete pelo campo ou os workshops de pão e de vinho.

Sociedade Agrícola da Quinta da Lagoalva de Cima, S.A. Quinta Da Lagoalva De Cima, Alpiarça. Tel.: 243 559 070. Visitas a partir de 15 euros por pessoa, mínimo de duas pessoas. 

A Lagoalva aposta forte na produção agrícola e foca-se na cortiça, no azeite, no mel, na batata e no vinho. A casa principal, que se avista na fotografia, é construção setecentista

© DR

Quinta do Encontro (Bairrada)

Ao longe e de perto, a referência é a mesma: a adega de design construída em 2008 pelo arquiteto Pedro Mateus faz lembrar uma barrica de grandes proporções — se assim fosse, seria capaz de albergar milhões de litros de vinho bairradino. O edifício redondo circundado por um mar de vinhas é também ele rodeado por uma estrutura de madeira que traz à imagem um conjunto de aduelas, isto é, as tábuas que servem de estrutura base a uma barrica. Lá dentro, a deslocação faz-se num percurso em espiral que pretende reproduzir o fuso do saca-rolhas. São corredores ondulados que permitem aceder a quatro pisos: no topo fica o restaurante com direito a vista panorâmica para os vinhedos da propriedade e com as serras do Caramulo e do Buçaco em pano de fundo, mais abaixo a adega e a loja. As visitas guiadas acontecem de terça-feira à sábado, pelas 11h30, 15h30 e 18h30; e ao domingo às 11h30 (aconselha-se a marcação).

 Rua de São Lourencinho, São Lourenço do Bairro, Aveiro. Tel.: 231 527 155 / 232 960 140. Visitas custam 2 euros por pessoa; restaurante tem menu executivo à hora de almoço, de terça a sexta-feira por 12,50; à noite e ao fim de semana o preço médio ronda os 25 euros por pessoa. 

Vista de longe, a adega da Quinta do Encontro, na Bairrada, assume a forma de uma barrica

© Ricardo Palma Veiga

Wine & Soul (Douro)

O projeto nasceu às mãos de um casal que tinha um sonho em comum: produzir o próprio vinho. A Wine & Soul é património de Sandra Tavares da Silva (também ela enóloga dos vinhos da Quinta da Chocapalha) e de Jorge Serôdio Borges. Consolidada a produção de vinhos, o duo abriu um novo (e o primeiro da empresa) espaço de enoturismo em Vale de Mendiz, no Douro. O edifício onde já antes funcionava a adega foi totalmente recuperado (a traça típica da região foi mantida), obras que se estenderam ao espaço contíguo agora apto a receber os visitantes (de segunda a sexta, das 10h às 12h e das 14h às 17h; visitas ao fim de semana sob consulta). Falamos de salas de provas a estrear, de um terraço com vista para o Vale do Pinhão e da loja de vinhos, serviços que se juntam às visitas guiadas às instalações, que incluem a adega com antigos lagares de granito e as caves de estágio. Existe ainda a possibilidade de escolher provas comentadas (aconselha-se marcação), cujos preços variam entre os 30 e os 150 euros, momentos que contam com rótulos tão familiares quanto Pintas, Guru, Pintas Character, Pintas Porto Vintage ou Quinta da Manoella Vinhas Velhas.

Avenida Júlio de Freitas, Vale de Mendiz, Pinhão. Tel.: 254 738 076 /  936 161 408. Visitas a partir de 10 euros por pessoa, sem prova de vinhos.

O projeto da Wine & Soul é da responsabilidade do casal Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges

© DR (divulgação)

Quinta do Bomfim (Douro)

Tem morada fixa no Alto Douro e é propriedade da família Symington, produtora que trabalha o vinho do Porto há cinco gerações. Em 2019, a paisagem vinhateira valeu-lhe um lugar entre as 50 “melhores vinhas no mundo”. Mas não é só pelo infindável mar de vinhedos que a quinta merece a visita. O enoturismo é coisa séria: há alguns meses que a quinta está dotada de uma nova sala de provas, com vista para o rio Douro. É este o segundo espaço onde é possível bebericar os vinhos da casa, produzidos desde o século XIX, sendo que na carta foram incluídos a prova a copo dos biológicos Altano Organic Douro Doc e Graham’s Natura Reserve Port, vindos de vinhas com certificação biológica.

Na propriedade fazem-se passeios pelas vinhas durante todo o ano — existem três percursos disponíveis — e ainda piqueniques no terraço do Centro de Visitas ou no terraço da Echo House, no meio das vinhas. Do cabaz fazem parte queijos portugueses, bolinhas de alheira com sementes de sésamo, quiche individual com cogumelos, bolos de noz e ainda uma garrafa Altano Branco e um copo de vinho do Porto Dow’s 10 anos ou Dow’s LBV. As visitas guiadas, que incluem passagem pelo Wine Lodge, de 1896, local onde repousam tonéis centenários, custam a partir de 17 euros (os passeios acrescem 5 euros e o piquenique outros 25 euros por pessoa; aconselha-se reservas antecipadas).

Pinhão, Alijó. Tel.: 254 730 370. Visitas guiadas a partir de 17 euros.

A Quinta do Bomfim é propriedade da família Symington, produtora que trabalha o vinho do Porto há cinco gerações

© DR

Caminhos Cruzados (Dão)

Lígia Santos trocou a advocacia pelo vinho. A convite do pai, é hoje a mulher ao comando dos destinos da Caminhos Cruzados que desde 2017 deu ao Dão uma adega vinda do futuro. Um carreiro de terra ladeado por vinhas dá acesso à adega que, vista à distância, desenha-se em cruz devido às duas colunas de betão que vão ao encontro uma da outra. Nada é ao acaso: o design exterior do edifício foi feito e pensado à imagem e semelhança do símbolo da empresa que marca presença em todos os rótulos que veem a luz do dia. A obra projetada pelo arquiteto Nuno Pinto Cardoso está inserida na centenária Quinta da Teixuga, que dá nome aos topos de gama da empresa. O enoturismo é ponto forte nesta casa, seja pelo espaço de provas, com direito a lareira acesa nos dias mais frios e vista para a sala com 135 barricas, seja pela loja onde se encontram as diferentes referências da casa, vinho Titular incluído. A adega está aberta para visitas a partir de seis euros por pessoa; há vários programas preparados, desde o piquenique na vinha aos workshops e almoços/jantares na adega.

Quinta da Teixuga, Estrada Municipal Algeraz, Carvalhal Redondo, Nelas. Tel.: 232 940 195. Visitas guiadas a partir 7 euros com prova simples de um vinho.

A adega futurista da Caminhos Cruzados desenha-se em cruz devido às duas colunas de betão que vão ao encontro uma da outra

@Joao Pedro Correia

Quinta de Lemos (Dão)

A quinta e o restaurante com uma estrela Michelin, com o chef Diogo Rocha no comando, levam o apelido emprestado de Celso Lemos, o português natural de Viseu que há quase quatro décadas tem dado corpo e alma à marca Abyss & Habidecor, cujas toalhas já foram descritas como “as melhores do mundo” pelo Wall Street Journal. Sem desprimor pelos tecidos de linho, algodão e caxemira que o puseram no mapa, Celso voltou-se também para o vinho da terra, de maneira a homenagear família e amigos. A quinta que nasceu há cerca de 20 anos entre quatro serras — Estrela, Caramulo, Buçaco e Nave –, na região vitivinícola do Dão, tem 3 mil oliveiras, colmeias para produção de mel e 25 hectares de vinha. A grande aposta vínica é nos monovarietais a partir das castas Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Alfrocheiro, nos vinhos tintos, e Encruzado, nos brancos. Todos os rótulos têm nomes de mulheres — Dona Georgina e Dona Santana incluídas –, em sintonia com as matriarcas da família. Além das milhares de garrafas produzidas, e da comida de requinte que as podem acompanhar, o edifício da Quinta de Lemos merece destaque pela primazia arquitetónica: situado no alto e envolvido pelas vinhas, o granito é apenas interrompido pelas muitas janelas que o percorrem. Autoria do arquiteto Carvalho Araújo. Há visitas guiadas a partir de 15 euros por pessoa, com direito a prova de dois vinhos (de segunda a sexta, das 9h às 11h e das 13h às 16h; aos sábados, das 14h às 19h; visitas apenas com marcação prévia e antecedência mínima de 48 horas). 

Passos de Silgueiros (228,50 km), Viseu. Tel.: 232 951 748. Visitas guiadas a partir de 15 euros por pessoa.

O restaurante da Quinta de Lemos, a cargo de Diogo Rocha, acabou de receber a primeira estrela Michelin

Sara Matos / Global Imagens

Quinta da Aveleda (Vinhos Verdes)

A empresa foi fundada em 1870 e, ao fim de tanto tempo, continua a ser gerida pela mesma família. Apostada na produção de vinho, é responsável por criar marcas bem conhecidas no mercado, como Casal Garcia e Quinta Vale D. Maria. A Aveleda é líder na região dos Vinhos Verdes e é também um dos maiores produtores de vinho no país — tem vinhas no Douro, na Bairrada e no Algarve –, exportando anualmente mais de metade da produção para mais de 90 países em todo o mundo. Jardins ao estilo vitoriano fazem parte do enoturismo da quinta, cuja Adega Velha é também de extrema importância, não fosse esse o lugar onde envelhece a aguardente da casa. Ao longo do ano são vários os programas de enoturismo, com cursos e workshops incluídos, todos eles sujeitos a marcação prévia.

Rua da Aveleda, nº2, Penafiel. Tel.: 255 718 242. Visitas à propriedade e jardim, com prova de vinhos, a partir de 11 euros por pessoa.

A loja da Quinta da Aveleda foi reabilitada pelo arquiteto Diogo Aguiar

© Fernando Guerra

Quinta da Covela (Vinhos Verdes)

Tony Smith é um dos rostos da Quinta da Covela, que em tempos pertenceu ao cineasta português Manoel Oliveira, em parte responsável pela beleza cénica da propriedade. E que beleza: folhas verdes e robustas embrulham edifícios inteiros e escondem as pedras de granito que dão forma às paredes, o chão é acidentado e escorregadio, e a sombra é uma constante devido às trepadeiras que se entrelaçam umas nas outras. A quinta mora no coração de uma pequeno vale e parece ter sido brindada com o dom da biodiversidade — a vizinhança é mais nua e descolorida. Mas a melhor parte será mesmo a carcaça do antigo solar do século XVI e a igreja que o acompanha… O produtor, ex-correspondente de guerra com uma carreira proeminente no jornalismo, tem gosto em receber quem por aqui aparece e já antes contou ao Observador como a recuperação da propriedade, que chegou a estar ao abandono, foi tarefa árdua: após a compra, foram precisos dois meses só para limpezas, sendo que os atuais donos deram de caras com uma colheita perdida e litros de vinho completamente arruinados na adega, vítimas da conta de eletricidade que ficou por pagar. Situada na margem direita do rio Douro, na zona austral da região dos Vinhos Verdes, no Minho, goza de uma grande particularidade: os solos são típicos da zona dos Vinhos Verdes, ricos em granito, o clima é do Douro. Não é por acaso que Tony já se habituou a usar a expressão, pouco consensual e não oficial, “Douro Verde”.

Tony Smith é um dos rostos da Quinta da Covela, que em tempos pertenceu ao cineasta português Manoel Oliveira

Antonio Pedrosa

S. Tomé de Covelas, Baião. Tel.: 913 065 691 / 912 831 152. Visitas guiadas entre 15 e 35 euros por pessoa, com prova de três a seis vinhos. É ainda possível almoçar de segunda a sexta, mediante marcação, por 35 euros por pessoa (sem vinhos).

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