Estamos a menos de dois meses do outono e uma nova preocupação cresce na comunidade médica e nas autoridades de saúde. Com a nova estação costuma chegar também a época da gripe, que se inicia por outubro/novembro e pode durar até março ou abril. Todos conhecem tão bem o cenário habitual desse período (mais recorrente em dezembro a fevereiro) — ataques de tosse nas salas de espera dos centros de saúde, urgências cheias de doentes com sintomas respiratórios (e não só) e  hospitais a atingir o limite dos internamentos — que a pergunta se impõe: e se este ano a gripe e a Covid-19 se cruzarem?

A probabilidade de coexistirem já é quase certeza: “Vai haver uma coincidência [do SARS-CoV-2] com o vírus da influenza [gripe] e isso pode ser dramático”, diz ao Observador Carlos Robalo Cordeiro, diretor do serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Até pode ser que os dois vírus não circulem ao mesmo tempo ou que não provoquem surtos na mesma região no mesmo momento, mas com os doentes a chegarem ao hospital com febre alta e súbita (acima de 38º C), tosse e dores no corpo — que tanto pode ser gripe como Covid-19 — não vai ser fácil distinguir sintomas, começam logo por avisar os especialistas contactados pelo Observador. A dificuldade do diagnóstico é mesmo o primeiro de dois grandes problemas que se poderão levantar. O outro é a sobrelotação das estruturas de saúde com o aumento de internamentos e a necessidade de isolar doentes.

As consequências possíveis deste encontro não têm passado despercebidas ao Governo português que já fez saber por várias vozes — a do primeiro-ministro, da ministra da Saúde e da diretora-geral da Saúde, por exemplo — que está a preparar um plano adequado para o inverno, para o qual foi reforçada a encomenda de doses de vacinas para a gripe: mais 600 mil num total de dois milhões. E Marta Temido e Graça Freitas disseram ainda que têm os olhos postos na Austrália. Porquê, para quê, como? Já lá vamos.

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